Tarifas, realinhamentos globais e um mercado em modo de cautela

A semana começou com o mercado digerindo um novo capítulo da reorganização geopolítica global. Na sexta-feira anterior, o Ibovespa recuou 0,62%, reduzindo o ganho acumulado do mês para 2,28%. O movimento refletiu um ambiente externo mais tenso e a percepção de que o risco geopolítico voltou a pesar sobre decisões de investimento. Copasa teve a maior alta do dia, enquanto a Vamos Locação liderou as quedas, sinalizando novamente a sensibilidade de empresas mais alavancadas em momentos de maior incerteza. No centro das atenções internacionais, Donald Trump anunciou tarifas de 10% contra países que enviaram tropas à Groenlândia, medida que atingiu diretamente membros da OTAN. A reação europeia veio rápido: a União Europeia começou a preparar um pacote de retaliação estimado em € 93 bilhões. O episódio reforça a leitura de que o comércio internacional voltou a ser utilizado como instrumento de pressão política, com efeitos diretos sobre inflação, cadeias produtivas e crescimento global. A consequência prática tende a ser sentida pelo consumidor, como já ocorre nos Estados Unidos, onde os preços de automóveis seguem em alta. Curiosamente, enquanto Washington endurece sua postura, outros blocos caminham na direção oposta. O Canadá anunciou um acordo histórico com a China para reduzir tarifas, interpretado por analistas como mais um sinal de uma nova ordem comercial em formação. Esse realinhamento evidencia um mundo cada vez menos coordenado e mais fragmentado, no qual acordos regionais ganham força à medida que o multilateralismo perde tração. No Brasil, o dia trouxe notícias relevantes no campo econômico e institucional. Após 25 anos de negociações, Mercosul e União Europeia finalmente assinaram um acordo comercial que elimina tarifas para 92% das exportações do bloco sul-americano. O acordo amplia o acesso a um dos maiores mercados do mundo e reforça o papel do Brasil como fornecedor global de alimentos e commodities, embora seus efeitos práticos devam ser graduais e dependam de regulamentações adicionais. No sistema financeiro, o Fundo Garantidor de Créditos anunciou o início do processo de pagamento dos CDBs do Banco Master, marcando uma etapa importante na resolução do caso. A medida reduz incertezas para investidores e contribui para restaurar a confiança no mecanismo de proteção ao poupador, ainda que o episódio deixe lições sobre risco, governança e fiscalização. Os dados da economia real foram mistos. A atividade econômica cresceu 0,7% em novembro, com o agronegócio puxando um avanço de 2,4% no acumulado do ano, reforçando seu papel estrutural no crescimento brasileiro. A Petrobras, por sua vez, superou metas e bateu recordes de produção em 2025, fortalecendo sua geração de caixa e relevância fiscal. Em contrapartida, o IBGE mostrou queda de 0,37% nos preços ao produtor, sinalizando arrefecimento de pressões inflacionárias na cadeia industrial. No agronegócio, os sinais foram mais desafiadores. A moagem de cacau caiu 15% no Brasil diante da retração da demanda, enquanto a Mosaic apontou deterioração do mercado de fertilizantes. Nos Estados Unidos, a produção de laranjas na Flórida caminha para mais um recorde negativo, com impactos potenciais sobre preços e fluxos comerciais globais. No cenário global de tecnologia e indústria, a TSMC registrou lucro recorde no quarto trimestre, impulsionada pelo boom de chips voltados à inteligência artificial, enquanto Elon Musk elevou a temperatura do debate ao pedir até US$ 134 bilhões da OpenAI e da Microsoft por supostos ganhos indevidos. Os episódios reforçam que a disputa por tecnologia, dados e poder computacional segue no centro da economia mundial. O dia termina com uma fotografia clara: o mundo avança em direções opostas ao mesmo tempo. Enquanto alguns blocos reforçam barreiras e utilizam tarifas como arma política, outros aceleram acordos e integração. Para os mercados, esse ambiente significa mais volatilidade, maior seletividade e a necessidade constante de separar ruído político de impacto econômico real. Em um cenário assim, cautela e leitura estratégica seguem sendo ativos tão importantes quanto capital. Para além das manchetes do dia, nosso Radar Financeiro acompanha os movimentos que realmente importam para o mercado: decisões de política econômica, fluxos de capital, riscos geopolíticos e tendências que ainda não chegaram aos preços. É uma curadoria contínua para quem precisa entender o cenário antes que ele vire consenso. Acompanhe o Radar e aprofunde a leitura aqui.

Mercado em alta, pressão sobre alavancados e sinais de ajuste institucional

A sexta-feira foi marcada por um avanço moderado do Ibovespa, que subiu 0,26% e ampliou os ganhos do mês para 2,76%, em um pregão que combinou boas notícias pontuais com alertas estruturais importantes. O destaque positivo ficou com a Vamos Locação, que avançou 7,61%, enquanto a Smartfit liderou as quedas do dia, recuando 8,17%, refletindo a sensibilidade de empresas alavancadas em um ambiente de juros elevados por mais tempo. No plano institucional, uma decisão do ministro Flávio Dino chamou atenção ao proibir parlamentares de indicarem emendas para entidades comandadas por parentes. A medida, que em outros países soaria quase óbvia, ganha relevância no Brasil por atacar diretamente uma distorção histórica na alocação de recursos públicos. O movimento foi bem recebido pelo mercado como um sinal, ainda que pontual, de maior rigor institucional. No setor financeiro, o Banco Central voltou a agir com firmeza. A liquidação da DTVM da Reag, envolvida na operação Compliance Zero, e da Advanced Corretora de Câmbio, que operava com patrimônio negativo, reforçou a mensagem de tolerância zero com estruturas fragilizadas. Em paralelo, o BRB passou a buscar gestoras de crédito para captar recursos via DPGE2, enquanto cresce a percepção de que um aporte do governo do Distrito Federal pode se tornar inevitável para estabilizar a instituição. O caso evidencia como o ambiente de juros altos funciona como um verdadeiro “moedor” de alavancagem, especialmente para players com estruturas mais frágeis.Essa mesma lógica aparece no movimento da CSN, que avalia a venda da CSN Cimentos como forma de reduzir sua alavancagem em até R$ 18 bilhões. A decisão ilustra uma tendência cada vez mais comum: empresas priorizando desalavancagem e fortalecimento do balanço em detrimento de expansão agressiva, num cenário em que o custo do capital segue elevado. A economia real também trouxe sinais de desaceleração. A produção de veículos caiu 15,8% em dezembro frente a novembro, segundo a Anfavea, reforçando a leitura de que a atividade industrial sente o peso do crédito mais caro. Ainda assim, o setor público segue funcionando como amortecedor: a União honrou R$ 11,08 bilhões em dívidas garantidas de estados e municípios ao longo de 2025, evitando rupturas fiscais mais agudas em entes subnacionais. No agronegócio, o dia foi mais positivo. As exportações de carne bovina para países árabes bateram recorde em 2025, enquanto dados do IBGE mostraram que a safra atual é mais que o dobro do volume registrado em 2012, reforçando o papel estrutural do agro como gerador de divisas e estabilidade externa. No cenário internacional, dois movimentos ajudaram a moldar o humor dos mercados. De um lado, os Estados Unidos e Taiwan fecharam um acordo para reduzir tarifas e destravar investimentos bilionários no setor de semicondutores, com empresas taiwanesas prometendo aportar até US$ 500 bilhões em solo americano. De outro, Donald Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre chips de IA, reforçando que a disputa tecnológica seguirá no centro da geopolítica global. No mercado de commodities, o petróleo caiu 4% após declarações de Trump aliviarem temores sobre a oferta iraniana. O dia termina com uma fotografia clara: enquanto o índice avança e renova gradualmente a confiança, os bastidores mostram um mercado cada vez mais seletivo. Empresas alavancadas sofrem, instituições frágeis são pressionadas e o capital passa a privilegiar balanços sólidos e setores com geração de caixa consistente. Em um ambiente assim, mais do que acompanhar o índice, entender quem consegue atravessar esse ciclo faz toda a diferença.

Bolsa em máxima histórica, capital estrangeiro de volta e um mundo em reacomodação

A quinta-feira foi marcada por um daqueles dias que entram para o radar dos investidores como pontos de inflexão. O Ibovespa renovou seu recorde histórico ao ultrapassar os 165 mil pontos, encerrando o pregão em alta de 1,96% e acumulando ganho de 2,50% no mês. O movimento foi impulsionado principalmente por Vale e Petrobras, que subiram 4,74% e 3,63% respectivamente, em um claro sinal de que o capital estrangeiro voltou a fluir para ativos brasileiros ligados a commodities. O pano de fundo desse rali passa menos pelo Brasil e mais pelo mundo. A China anunciou um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão em 2025, mesmo sob o peso das tarifas impostas por Donald Trump. Ao encontrar novos mercados e rotas indiretas de exportação, os chineses conseguiram driblar parte das restrições americanas, reforçando a demanda global por matérias-primas — exatamente o que explica o apetite recente por ações como Vale e Petrobras. Antes de avançar nas manchetes, vale olhar para onde o dinheiro realmente está indo. O nosso Radar Financeiro reúne os ativos, setores e movimentos que entraram no foco do mercado hoje, seja por fluxo, notícias ou mudança de cenário. É uma leitura rápida que ajuda a entender onde está o sinal antes do ruído. Acesse aqui! No Brasil, o cenário político e corporativo adiciona camadas interessantes a esse movimento de mercado. A nova pesquisa Genial/Quaest mostrou Lula liderando em todos os cenários de primeiro e segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro se consolida como principal nome da oposição, com 23%. A menor diferença do atual presidente aparece contra Tarcísio de Freitas, indicando que o ciclo eleitoral de 2026 começa a entrar, ainda que lentamente, no cálculo dos investidores. No campo empresarial, a fintech Agibank deu um passo ambicioso ao registrar seu pedido de IPO nos Estados Unidos, buscando levantar até US$ 1 bilhão. O movimento simboliza uma tendência mais ampla de empresas brasileiras tentando acessar capital fora do país em busca de valuations mais generosos e maior profundidade de mercado. Ao mesmo tempo, nem todas as histórias são de crescimento: a Fictor, que havia tentado comprar o Banco Master, passou a atrasar pagamentos a cotistas, reforçando a cautela em torno de estruturas financeiras mais alavancadas. O setor de energia também foi protagonista. A Petrobras voltou a produzir 1 milhão de barris por dia no campo de Tupi, reforçando sua relevância na balança energética brasileira. No exterior, a BP anunciou um impairment entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões em ativos de energia verde, um reflexo direto da volatilidade política que cerca as agendas ESG. Mudanças de governo e de prioridades regulatórias têm reprecificado projetos que, até pouco tempo atrás, eram tratados como apostas quase certas. No agronegócio, o ambiente segue desafiador. A AgroGalaxy decidiu suspender as operações da Sementes Campeã em meio à crise das sementeiras, enquanto produtores já renegociaram R$ 5,8 bilhões em dívidas desde outubro. A soja continua em trajetória de queda nos portos brasileiros, e nem mesmo o acordo Mercosul–União Europeia deve aliviar os preços do azeite, segundo executivos do setor. No plano global, além da força comercial chinesa, os Estados Unidos seguem enfrentando dilemas próprios. Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, alertou que atacar a independência do Federal Reserve pode resultar em juros elevados por mais tempo, um recado direto à Casa Branca. Ao mesmo tempo, Trump afirmou estar trabalhando com empresas de tecnologia para evitar que os americanos paguem contas de luz mais altas por causa da explosão dos data centers de IA, mostrando como a infraestrutura energética passou a ser parte central do debate econômico. O dia termina com uma fotografia clara: o mercado brasileiro voltou ao centro do radar global, impulsionado por commodities e fluxo estrangeiro, enquanto o mundo atravessa um período de rearranjo comercial, energético e político. Em ambientes assim, recordes não surgem do nada — eles refletem expectativas de que, ao menos por enquanto, o Brasil voltou a jogar em um tabuleiro maior.

Entre protestos, tarifas e sinais domésticos, o mundo testa seus limites

A quarta-feira começou com um pano de fundo pesado no cenário internacional, misturando tensão geopolítica, discursos inflamados e sinais cada vez mais claros de que algumas crises caminham para pontos de não retorno. No centro das atenções está o Irã. Em uma mensagem pública, Donald Trump incentivou a população iraniana a seguir protestando e “tomar as instituições”, afirmando que a ajuda dos Estados Unidos está a caminho. A declaração veio logo após o anúncio de tarifas de 25% contra países que mantêm relações comerciais com Teerã, uma medida que pressiona diretamente economias como China e Brasil. O problema é que, no terreno, a situação se deteriora em velocidade alarmante. A repressão do regime iraniano se intensificou nos últimos dias, com relatos de milhares de mortos — números oficiais falam em pouco mais de 2 mil, mas fontes locais apontam para até 20 mil vítimas. Apagões de internet, perseguição a manifestantes e até execuções sumárias reforçam o clima de colapso institucional. Mesmo com as promessas de Trump, ainda não está claro como ou quando os EUA devem agir, mas o histórico recente na Venezuela sugere que a retórica pode rapidamente se transformar em ação concreta. Enquanto isso, o Brasil atravessa a semana lidando com seus próprios vetores de incerteza e acomodação. Pesquisas eleitorais mostram Lula liderando o primeiro turno de 2026, mas com cenários de segundo turno cada vez mais apertados, especialmente contra Tarcísio de Freitas. A política começa, pouco a pouco, a voltar ao radar do mercado — não como um evento imediato, mas como um fator estrutural para decisões de médio prazo. No campo econômico e institucional, o governo federal saiu em defesa do Banco Central no caso da liquidação do Banco Master. Fernando Haddad classificou o episódio como potencialmente a maior fraude bancária da história do país, reforçando o respaldo político à atuação do BC. O movimento ajuda a reduzir ruídos sobre a autonomia da autoridade monetária e sinaliza uma tentativa de estabilizar expectativas em um tema sensível para o sistema financeiro. Os dados da economia real, por sua vez, seguem mostrando um crescimento mais contido. A venda de veículos novos avançou 2% em 2025, alcançando o melhor resultado desde 2019, mas abaixo das projeções do setor. Já o setor de serviços registrou uma leve queda em novembro, frustrando expectativas de alta. Ainda assim, o nível de atividade permanece elevado, cerca de 20% acima do período pré-pandemia, mostrando que a economia desacelera, mas não desarma. No meio desse emaranhado de notícias globais e domésticas, acompanhar apenas manchetes pode distorcer a leitura do cenário. É justamente nesses momentos que entender onde o mercado está efetivamente reagindo — e onde apenas faz barulho — se torna essencial. Separar sinal de ruído nunca foi tão necessário. O dia termina com a sensação de que o mundo opera em modo de teste de estresse constante. Tensões políticas, transformações econômicas e decisões estratégicas se acumulam, exigindo do investidor mais leitura, mais contexto e menos impulso. Em um ambiente assim, cautela não é sinônimo de paralisia — é estratégia.

Mercados digerem novas pressões globais enquanto Brasil segue em ajuste fino

O mercado iniciou a terça-feira em ritmo mais cauteloso, refletindo um ambiente internacional carregado de decisões estratégicas, disputas comerciais e avanços tecnológicos que começam a impactar preços, fluxos e expectativas. O Ibovespa encerrou o pregão anterior em leve queda de 0,13%, ainda sustentando uma alta de 1,26% no mês. O destaque positivo ficou com a Vamos Locação, que disparou mais de 8%, enquanto a Cury liderou as perdas do dia, em um movimento típico de rotação e realização de lucros. No noticiário doméstico, os dados e decisões recentes continuam desenhando um cenário de contrastes. Técnicos do TCU concluíram, em análise preliminar, que não houve inação do Banco Central no processo de liquidação do Banco Master, reforçando a leitura de que o regulador atuou dentro de suas atribuições. Ao mesmo tempo, cresce a atenção sobre temas estruturais: afastamentos por burnout dispararam, pressionando gastos da Previdência, enquanto o Brasil passou a importar mais medicamentos para emagrecimento do que celulares — um retrato curioso das mudanças de comportamento e consumo da população. Nesse contexto de múltiplas narrativas competindo pela atenção do investidor, acompanhar onde o mercado realmente está colocando dinheiro faz diferença. Antes de avançar nas manchetes, vale conferir o nosso Radar Financeiro, que reúne os ativos, setores e movimentos que entraram no foco hoje — seja por fluxo, notícia ou mudança de cenário. É uma leitura rápida para entender o que merece atenção antes do ruído. Clique e acompanhe. No campo corporativo, a Braskem trouxe algum alívio ao mercado ao pagar juros de seus bonds, reduzindo momentaneamente o temor de calote em meio ao processo de reestruturação de sua dívida. Já no setor público, o governo avança no desenho de um fundo garantidor para baratear o crédito destinado a minerais críticos, um movimento alinhado à crescente disputa global por insumos estratégicos ligados à transição energética e à tecnologia. O agronegócio segue como um pilar relevante da balança comercial brasileira. Em 2025, o setor respondeu por quase metade das exportações do país, gerando um superávit de US$ 149 bilhões. Ainda assim, nem tudo são boas notícias: o Grupo Formoso, dono da Uniggel Sementes, entrou com pedido de recuperação judicial, evidenciando que, mesmo em setores fortes, o aperto financeiro e o custo do crédito continuam cobrando seu preço. No cenário internacional, os Estados Unidos voltam a ser o principal vetor de volatilidade. Donald Trump anunciou tarifas de 25% para países que mantêm relações comerciais com o Irã — e o Brasil entra nessa conta, com um comércio bilateral próximo de US$ 3 bilhões. A medida adiciona uma nova camada de risco geopolítico e pode afetar fluxos comerciais e cadeias de suprimento, especialmente em um momento de desaceleração do comércio global. Ao mesmo tempo, a tecnologia segue avançando em ritmo acelerado. A Nvidia anunciou um investimento de US$ 1 bilhão em um laboratório de desenvolvimento de medicamentos baseados em inteligência artificial, em parceria com a Eli Lilly, reforçando a tese de que a IA começa a transbordar do mundo digital para setores tradicionais como saúde e biotecnologia. Na mesma linha, a Meta firmou contratos com empresas de geração nuclear nos EUA para abastecer seus data centers de IA, evidenciando um dilema crescente: o consumo energético dessa tecnologia avança em velocidade muito maior do que a capacidade atual de geração. Outros movimentos globais também chamaram atenção. O CEO da Heineken anunciou sua saída após seis anos no comando, em meio a um desempenho considerado fraco, refletindo os desafios enfrentados por empresas tradicionais em um mundo cada vez mais orientado a hábitos de consumo mais saudáveis e seletivos.O pano de fundo desta terça-feira é claro: o mercado segue navegando entre inovação, tensões políticas e ajustes econômicos. Em um ambiente em que decisões estratégicas podem redefinir setores inteiros, a leitura atenta dos sinais — e não apenas das manchetes — continua sendo o principal diferencial para quem busca consistência no longo prazo.

Mercados começam a semana entre ajustes domésticos e novas tensões globais

A semana começou com o mercado brasileiro em compasso de espera, refletindo tanto ajustes internos quanto um ambiente internacional cada vez mais sensível a decisões políticas e tecnológicas. O Ibovespa encerrou a sexta-feira em leve alta de 0,27%, acumulando avanço de 1,39% no mês. Entre os destaques, a Multiplan liderou os ganhos do dia, enquanto o Assaí figurou entre as maiores quedas, em um pregão marcado por rotação setorial e baixa convicção direcional. No pano de fundo doméstico, o caso do Banco Master segue no radar dos investidores. Técnicos do Tribunal de Contas da União concluíram, em análise preliminar, que não houve inação do Banco Central no processo de liquidação da instituição, o que ajuda a reduzir ruídos institucionais e reforça a percepção de autonomia do regulador. Ainda assim, o episódio segue como um lembrete dos riscos latentes no sistema financeiro, especialmente em momentos de aperto de liquidez e maior escrutínio regulatório. Nesse contexto, ganha relevância acompanhar com atenção os sinais mais sutis do mercado. Antes de avançar nas manchetes, vale conferir o nosso Radar Financeiro, onde estão reunidos os ativos, setores e movimentos que concentraram a atenção dos investidores hoje — seja por fluxo, notícias ou mudança de cenário. É uma leitura rápida que ajuda a separar sinal de ruído logo no início do dia. Clique e acompanhe o Radar Financeiro! Outros pontos do noticiário brasileiro também ajudaram a moldar o humor do mercado. A Aneel definiu o calendário de bandeiras tarifárias para 2026, trazendo maior previsibilidade para o setor elétrico e para as expectativas inflacionárias. Já no mercado corporativo, a Vasta, controlada da Cogna, aprovou a deslistagem de suas ações na Nasdaq, movimento que reforça a tendência de reorganização societária e foco em eficiência operacional. No agronegócio, a semana começa com notícias relevantes. A Justiça decretou a recuperação judicial do Grupo Forte Agro, evidenciando os desafios financeiros enfrentados por empresas do setor em um cenário de custos elevados e margens pressionadas. Em contrapartida, a ANP autorizou a operação da primeira usina de etanol de trigo do país, no Rio Grande do Sul, sinalizando avanços na diversificação da matriz energética. No campo externo, a União Europeia confirmou a assinatura do acordo com o Mercosul para o próximo sábado, reacendendo expectativas sobre impactos comerciais e políticos do tratado. No cenário internacional, as atenções se voltam para os Estados Unidos. Senadores americanos pediram que Apple e Alphabet removam o Grok e o X de suas lojas de aplicativos, reacendendo o debate sobre regulação de plataformas, liberdade de expressão e responsabilidade tecnológica. O tema adiciona mais uma camada de incerteza ao setor de tecnologia, que já vinha lidando com questões de monetização, uso de inteligência artificial e pressões regulatórias crescentes. Ainda no setor automotivo, a Stellantis anunciou o cancelamento das vendas de híbridos plug-in nos EUA diante da fraca demanda, levantando questionamentos sobre o ritmo e a direção da transição energética no segmento. A decisão reforça a percepção de que o caminho para a eletrificação total não será linear e dependerá, cada vez mais, de incentivos, infraestrutura e aceitação do consumidor. Por fim, o ambiente financeiro global segue atento às movimentações políticas nos EUA, especialmente após novos embates de Donald Trump com instituições financeiras em torno dos juros do cartão de crédito. Em paralelo, o apetite por risco permanece seletivo: a Andreessen Horowitz captou US$ 15 bilhões em 2025, representando 18% de todo o volume de venture capital no país, um dado que mostra concentração de capital, mas também confiança em teses de longo prazo. O início da semana, portanto, combina cautela, ajustes finos e atenção redobrada aos detalhes. Em um mercado cada vez mais guiado por narrativas, entender o que realmente importa — e o que é apenas barulho — segue sendo o principal diferencial.

Justiça internacional, tensões comerciais e o redesenho do risco global

A sexta-feira, 9 de janeiro, foi marcada por uma combinação potente de decisões judiciais, movimentos políticos e sinais claros de reprecificação de risco nos mercados globais. Do reconhecimento internacional da liquidação do Banco Master às novas fricções comerciais entre Europa e América do Sul, o noticiário do dia reforça como a economia passou a operar sob forte influência de decisões institucionais e geopolíticas. No Brasil, o principal destaque veio da Justiça dos Estados Unidos, que reconheceu oficialmente a liquidação do Banco Master e determinou o bloqueio de ativos ligados ao grupo. A decisão dá respaldo internacional ao processo conduzido pelo Banco Central brasileiro e abre caminho para a atuação do liquidante fora do país, responsável por mapear e avaliar bens no exterior. O episódio ganhou ainda mais repercussão após a circulação de informações sobre contratos milionários pagos a influenciadores para criticar o BC, o que acendeu alertas sobre tentativas de pressão política e narrativa pública em torno do caso. Em paralelo, o Tribunal de Contas da União recuou da ameaça de desfazer a liquidação, reduzindo, ao menos por ora, o risco institucional em torno do processo. Ainda no ambiente doméstico, o presidente Lula indicou o advogado Otto Lobo para a Comissão de Valores Mobiliários, movimento que reforça a atenção do mercado sobre o perfil técnico e político dos próximos reguladores. No setor corporativo, a Azul anunciou uma reestruturação agressiva ao emitir mais de um trilhão de ações, transformando credores em acionistas — uma estratégia dilutiva, mas necessária para aliviar a pressão financeira da companhia. Já os dados econômicos trouxeram sinais mistos: a produção industrial ficou estável em novembro, segundo o IBGE, enquanto a Receita Federal estima arrecadar R$ 1,5 bilhão com a atualização do valor de bens imóveis. O agronegócio também esteve no centro das atenções, especialmente no front internacional. O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que a França votará contra o acordo entre União Europeia e Mercosul, reacendendo incertezas sobre um tratado que se arrasta há décadas. Ao mesmo tempo, o Brasil comemorou recorde histórico nas exportações de algodão em 2025, enquanto as vendas externas de suco de laranja recuaram tanto em volume quanto em receita, refletindo desafios de mercado e preços internacionais. No cenário global, o aumento das tensões envolvendo a Venezuela começou a produzir efeitos colaterais relevantes. A China solicitou que seus bancos informem a exposição ao país sul-americano após a intervenção dos Estados Unidos, sinalizando preocupação com possíveis perdas financeiras. Pequim se tornou um dos principais financiadores da Venezuela nas últimas décadas, e um conflito mais direto não estava nos cálculos iniciais dos chineses. Ainda sobre o tema, Donald Trump afirmou que a Venezuela passará a comprar exclusivamente produtos americanos com a receita do petróleo, deixando claro o viés estratégico e econômico da atuação dos EUA na região. Nos Estados Unidos, Trump também propôs elevar em 50% os gastos com Defesa, levando o orçamento militar para US$ 1,5 trilhão até 2027 — um valor que amplia ainda mais a distância em relação ao restante do mundo, já que o país gasta mais do que os nove seguintes do ranking somados. No setor corporativo, Chevron e Quantum avançaram em negociações para comprar ativos internacionais da Lukoil, enquanto o JPMorgan desponta como favorito para assumir o negócio de cartões de crédito da Apple, atualmente operado pelo Goldman Sachs. Já no entretenimento, a Paramount insistiu em uma proposta de US$ 30 por ação após nova rejeição da Warner, prolongando uma disputa que pode redefinir o setor de mídia. Por fim, os protestos no Irã, desencadeados por problemas econômicos, se espalharam por todo o país, reforçando a instabilidade interna em um dos principais polos geopolíticos do Oriente Médio. O conjunto das notícias desta sexta-feira evidencia um ambiente global em que decisões jurídicas, políticas industriais, gastos militares e movimentos corporativos estão cada vez mais interligados. Para investidores e líderes empresariais, o recado é claro: entender o risco hoje exige olhar muito além dos números — e cada vez mais para os bastidores do poder.

Um mundo em ebulição: protestos, disputas de poder e os novos vetores da economia global

O noticiário internacional desta quinta-feira, 8 de janeiro, desenha um mundo em estado de tensão permanente, onde política, economia e tecnologia se entrelaçam de forma cada vez mais explícita. Os acontecimentos do dia revelam não apenas fatos isolados, mas sinais claros de mudanças estruturais na forma como países exercem poder, empresas disputam mercados e sociedades reagem a decisões estatais.Nos Estados Unidos, o clima de instabilidade social voltou às ruas de Mineápolis após a morte de uma cidadã americana durante uma operação do ICE, a polícia de imigração. As autoridades alegam que os disparos ocorreram somente depois de a mulher tentar avançar com o carro contra os agentes, mas o episódio reacendeu protestos e ampliou o debate sobre o uso da força e as políticas migratórias do governo Trump. O caso se soma a uma série de episódios recentes que expõem a crescente polarização interna no país. No campo institucional, Donald Trump voltou a demonstrar sua estratégia de ruptura com a ordem internacional tradicional ao assinar uma proclamação retirando os Estados Unidos de mais de 60 organizações internacionais. Muitas delas ligadas à ONU, a pautas climáticas, trabalhistas e agendas consideradas “woke” pela atual administração. A Casa Branca sustenta que essas entidades atuam contra os interesses nacionais, reforçando a postura isolacionista e soberanista que marca este novo ciclo da política externa americana. Ainda na América Latina, o presidente americano buscou reduzir tensões recentes ao conversar por telefone com Gustavo Petro, presidente da Colômbia. Após trocas públicas de farpas, Trump afirmou que a conversa abordou temas como o combate às drogas e divergências diplomáticas, além de sinalizar a possibilidade de um encontro presencial em breve, possivelmente na Casa Branca. O gesto indica uma tentativa de recompor pontes em uma região estratégica para os interesses dos EUA. A tensão geopolítica também se intensificou nos mares do Caribe. Em uma operação realizada pelos Estados Unidos com apoio do Reino Unido, um navio ligado à Venezuela foi apreendido sob a alegação de violação de sanções internacionais. A embarcação operava sob bandeira russa, o que provocou reação imediata de Moscou, que classificou a ação como uma afronta ao direito marítimo internacional. O episódio adiciona mais um elemento de atrito às já delicadas relações entre EUA, Rússia e Venezuela. No Oriente Médio, o cenário é de agravamento da repressão. Em Teerã, o presidente da Suprema Corte do Irã fez um pronunciamento duro, afirmando que não haverá clemência para aqueles que “ajudarem o inimigo” contra a República Islâmica. O discurso ocorre após protestos violentos na capital iraniana, que culminaram no ataque a um seminário religioso e na morte de um comandante da polícia. As autoridades iranianas acusam diretamente Estados Unidos e Israel de estimular o caos interno. Enquanto isso, no extremo norte do planeta, uma declaração surpreendente reacendeu debates diplomáticos. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Trump deseja comprar a Groenlândia e solicitou a assessores um plano atualizado para viabilizar a aquisição. A proposta foi prontamente rechaçada por líderes europeus, que reforçaram que a ilha pertence ao seu povo e à Dinamarca, descartando qualquer tentativa de anexação ou negociação territorial. No setor corporativo, o dia também trouxe sinais relevantes. A Ford anunciou crescimento de 6% nas vendas nos Estados Unidos em 2025, totalizando 2,2 milhões de veículos comercializados — o melhor resultado anual da montadora desde 2019. O desempenho foi impulsionado principalmente por picapes e modelos híbridos, enquanto os veículos totalmente elétricos perderam fôlego ao longo do ano, refletindo uma mudança de comportamento do consumidor e uma reavaliação das estratégias de eletrificação. O conjunto das manchetes revela um mundo menos previsível e mais fragmentado, onde decisões políticas têm impacto direto nos mercados, nas cadeias produtivas e na estabilidade social. Em 2026, acompanhar o noticiário global deixou de ser apenas uma questão de informação e passou a ser um exercício essencial de leitura estratégica sobre os rumos da economia, da diplomacia e do poder.

MCall | 07/01/2026: Quem governa a Venezuela, quem manda no Brasil institucionalmente e como China e EUA estão redesenhando o jogo global

A edição desta quarta-feira escancara um ponto central do mundo em 2026: poder já não é mais algo simples de identificar — ele se fragmenta entre cargos formais, decisões de bastidor e interesses econômicos muito bem alinhados. A frase do dia, inspirada em Warren Buffett, ajuda a dar o tom: riqueza, influência e controle raramente se manifestam da forma mais óbvia. No cenário internacional, a Venezuela vive um vácuo de comando que parece menos caótico do que parece à primeira vista. Quatro dias após a captura de Nicolás Maduro, a pergunta sobre quem governa o país segue sem resposta clara. Formalmente, Delcy Rodríguez ocupa a presidência interina, sustentada pelas Forças Armadas e por setores do chavismo. Politicamente, no entanto, Donald Trump não esconde a percepção de que exerce controle direto sobre os próximos passos do país. Ao afirmar que não haverá eleições nos próximos 30 dias, o presidente americano cria uma solução híbrida: mantém Delcy no poder enquanto evita uma ruptura institucional que poderia provocar reação militar interna. Nos bastidores, essa ambiguidade atende a interesses claros. Eleições imediatas ou a entrega do poder à oposição poderiam gerar instabilidade civil e colocar em risco a retomada das operações das petroleiras americanas na Venezuela. Trump parece disposto a trocar retórica por pragmatismo. A sinalização de que o país entregará entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos reforça a leitura de que a soberania venezuelana, neste momento, é profundamente condicionada por acordos econômicos. No Brasil, a disputa de poder também passa longe do voto popular e se concentra nas engrenagens institucionais. O caso da liquidação do Banco Master virou um embate direto entre o Banco Central e o Tribunal de Contas da União. Ao autorizar uma inspeção em documentos do BC, o TCU lançou dúvidas sobre a autonomia do regulador e reacendeu especulações de que a falência poderia ser revista. A reação do Banco Central, recorrendo ao STF, mostra que o conflito agora ultrapassa o âmbito técnico e entra no campo político. Apesar do ruído, a avaliação predominante no mercado é que a liquidação não deve ser revertida. O risco maior está em outro ponto: a possibilidade de o TCU apontar falhas no processo e abrir espaço para que Daniel Vorcaro busque indenizações e preserve parte de seu patrimônio pessoal. Na prática, o banco quebraria, o FGC cobriria os investidores, e o controlador sairia relativamente ileso — um roteiro que reforça a sensação recorrente de que, no Brasil, a responsabilização raramente acompanha o tamanho do dano causado. Enquanto isso, o ambiente de negócios passa por transformações silenciosas, mas relevantes. O domínio quase absoluto do iFood no mercado de delivery começa a ser desafiado por novos players chineses. A entrada da 99Food e da Keeta, especialmente na Grande São Paulo, reduziu a participação do iFood e trouxe um nível de competição que não se via desde a saída da Uber Eats do país. A diferença agora é que a disputa vem em dose dupla e com capital abundante, sinalizando uma guerra de longo prazo por preços, logística e fidelização do consumidor. No campo do consumo e da cultura digital, o TikTok continua moldando comportamentos de forma precoce. O fenômeno das chamadas #sephorakids transformou o skincare infantil em um mercado bilionário, impulsionado por embalagens lúdicas e estratégias de marketing voltadas diretamente às crianças. O crescimento acelerado do segmento levanta alertas entre dermatologistas, mas confirma uma tendência mais ampla: a antecipação do consumo adulto para faixas etárias cada vez menores, estimulada por redes sociais e criadores de conteúdo. Já na economia global, a decisão da OCDE de avançar com o imposto mínimo global de 15% perdeu força ao excluir empresas com sede nos Estados Unidos. O movimento preserva a soberania fiscal americana, mas esvazia parte do impacto arrecadatório estimado do acordo. Com a maioria das grandes multinacionais sediadas nos EUA, a exceção enfraquece o objetivo de frear a competição tributária entre países e evidencia, mais uma vez, que regras globais só funcionam quando as grandes potências aceitam jogar. O retrato do dia é claro: poder, hoje, não está apenas nos cargos oficiais, mas na capacidade de influenciar decisões econômicas, controlar fluxos de capital e definir o ritmo das mudanças. Seja na Venezuela, no Brasil ou no tabuleiro global, quem manda de verdade raramente é quem aparece no topo do organograma.

BYD assume a liderança global dos elétricos enquanto Brasil e China elevam o tom nas disputas econômicas

O primeiro pregão do ano trouxe um retrato claro das forças que devem moldar 2026: rearranjos globais de poder econômico, pressão crescente sobre empresas e um Brasil que segue convivendo com ruído institucional. O Ibovespa encerrou 2025 com alta expressiva de 33,95%, desempenho que mascara diferenças profundas entre vencedores e perdedores. Enquanto a Cogna acumulou valorização superior a 238% no ano, a Raízen amargou uma queda de mais de 62%, ilustrando como o mercado foi seletivo e implacável.No cenário doméstico, a antiga Eletrobras voltou ao centro das atenções após a Justiça do Rio determinar que a Axia provisione R$ 750 milhões relacionados à PLR. O episódio expõe, mais uma vez, as idiossincrasias do ambiente regulatório brasileiro. Ao mesmo tempo em que a companhia anunciou a distribuição de cerca de R$ 30 bilhões em proventos aos acionistas, sindicatos recorreram à Justiça alegando direito a participação nos valores, adicionando mais um capítulo à já complexa relação entre Estado, empresas e trabalhadores. Paralelamente, o Tribunal de Contas da União deve autorizar uma inspeção no Banco Central para apurar a liquidação do Banco Master, reforçando o clima de vigilância institucional no início do ano.No agronegócio, a semana começou com um sinal claro de endurecimento por parte da China. O país confirmou a imposição de tarifas de 55% sobre a carne bovina importada, movimento que afeta diretamente exportadores globais e adiciona pressão sobre margens. Curiosamente, mesmo em meio a disputas comerciais, os Estados Unidos ampliaram suas importações de café em 2025, substituindo parte do volume que antes vinha do Brasil, o que evidencia mudanças relevantes nas rotas e estratégias do comércio internacional.No cenário global, o setor automotivo vive um momento histórico. A BYD ultrapassou a Tesla e assumiu a liderança mundial na venda de veículos elétricos. Enquanto a montadora americana registrou queda de 8,6% nas vendas no último ano, a chinesa avançou de forma consistente, comercializando 2,26 milhões de veículos em 2025, contra 1,64 milhão da Tesla. O dado reforça o avanço tecnológico e produtivo da China, além de sinalizar que a competição no setor elétrico tende a se intensificar nos próximos anos, com impactos diretos sobre cadeias globais de suprimento e políticas industriais.Na América Latina, a instabilidade política voltou ao radar. As Forças Armadas da Venezuela reconheceram Delcy Rodríguez, vice de Nicolás Maduro, como presidente interina, em meio a um histórico de colapso econômico que levou o PIB do país a encolher cerca de 90% ao longo dos governos Chávez e Maduro. O movimento gerou reações imediatas no exterior, com os Estados Unidos suspendendo restrições ao espaço aéreo do Caribe após episódios de tensão envolvendo o país.O início do ano deixa claro que 2026 começa com vetores bem definidos: uma China cada vez mais assertiva, empresas pressionadas por regulação e disputas judiciais, e um mercado financeiro que segue recompensando eficiência e punindo fragilidades. Para investidores, o recado é direto: mais do que olhar para índices, será fundamental entender as histórias por trás de cada ativo e os movimentos estruturais que estão redesenhando a economia global.