O início da semana trouxe um clima de cautela moderada aos mercados brasileiros. O Ibovespa encerrou a sexta-feira anterior em alta de 0,35%, movimento que ajudou a reduzir levemente as perdas acumuladas no mês, mas sem alterar o pano de fundo ainda desafiador para os ativos locais. A leitura predominante segue sendo de seletividade, com investidores equilibrando oportunidades pontuais e riscos estruturais.
No pregão, a Braskem liderou os ganhos, avançando mais de 6%, em um dia marcado por movimentações societárias relevantes. Já a CSN Mineração figurou entre as maiores quedas, refletindo ajustes após uma sequência recente de eventos corporativos envolvendo o grupo.
Falando em negócios, a CSN anunciou a venda de uma fatia da MRS por R$ 3,35 bilhões para sua própria subsidiária, a CSN Mineração. A operação reforça o esforço de reorganização financeira do grupo e mostra como grandes empresas seguem buscando liquidez, simplificação de estrutura e eficiência de capital em um ambiente ainda restritivo.
No campo doméstico, o governo projeta um 2026 intenso para investimentos em infraestrutura. A expectativa é que leilões do setor movimentem ao menos R$ 148 bilhões, indicando que concessões e parcerias público-privadas continuam sendo uma das principais alavancas de crescimento e atração de capital de longo prazo no país. No setor de energia, Shell e Cosan discutem uma injeção de até R$ 10 bilhões na Raízen, evidenciando a necessidade de reforço de caixa diante de um cenário operacional mais apertado.
O agro também trouxe sinais mistos. O preço do cacau no mercado futuro acumulou uma queda de cerca de 50%, embora o impacto no preço final do chocolate ainda seja limitado. Ao mesmo tempo, o Paraná anunciou investimentos de R$ 650 milhões em infraestrutura portuária para ampliar a capacidade de exportação de grãos, enquanto frigoríficos nos Estados Unidos enfrentam risco de fechamento por escassez de gado, o que pode gerar reflexos globais na cadeia de proteínas.
No cenário internacional, o noticiário foi marcado por eventos de forte impacto simbólico e financeiro. Elon Musk venceu uma disputa judicial histórica e garantiu o direito a receber um bônus avaliado em cerca de R$ 780 bilhões da Tesla, após decisão favorável que derrubou uma liminar obtida por um acionista minoritário. O episódio reacende debates sobre governança corporativa, remuneração de executivos e ativismo judicial no mercado americano.
No campo geopolítico e energético, os Estados Unidos apreenderam mais um petroleiro na costa da Venezuela, ampliando as tensões envolvendo sanções e comércio internacional de petróleo. Ao mesmo tempo, dados recentes mostraram que o desemprego nos EUA atingiu o maior nível em quatro anos, um sinal que pode complicar a leitura sobre o momento certo para uma pausa definitiva no ciclo de juros.
O dia deixa claro que o mercado entra na última semana cheia do ano com atenção redobrada. Entre reorganizações corporativas, investimentos estruturais e sinais de desaceleração global, o investidor segue sendo desafiado a filtrar ruídos, identificar valor e manter uma estratégia consistente em um cenário que continua exigindo disciplina e visão de longo prazo.