O mercado brasileiro voltou do feriado de Natal em tom mais construtivo. O Ibovespa encerrou o último pregão em alta de 1,46%, movimento que levou o índice a acumular ganho de 0,87% no mês. O desempenho refletiu uma combinação de alívio pontual, boas notícias corporativas e leitura mais cautelosa sobre inflação e política monetária.
Entre os destaques do dia, a C&A liderou os ganhos com valorização superior a 6%, enquanto a Braskem figurou entre as maiores quedas, recuando quase 5%.
O pregão foi marcado por maior apetite a risco, especialmente em ações ligadas ao consumo e a teses específicas, após dias de volatilidade.
No campo corporativo, dois negócios chamaram atenção. A Honda anunciou a compra de uma fábrica de baterias da LG nos Estados Unidos por US$ 2,9 bilhões, reforçando a corrida global por autonomia na cadeia de veículos elétricos. Já no Brasil, a Bemobi adquiriu 50,1% da fintech Paytime por R$ 28,1 milhões, ampliando sua atuação em soluções financeiras digitais.
Os dados macroeconômicos domésticos trouxeram sinais mistos. A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, subiu 0,25% em dezembro, número que não assusta, mas foi suficiente para esfriar o otimismo em relação a um corte de juros já em janeiro. O mercado passou a deslocar suas apostas para março, indicando que a política monetária segue dependente de confirmações adicionais de desaceleração inflacionária.
Na agenda de infraestrutura, a Aena recebeu parecer favorável da Secretaria Nacional de Aviação Civil para estudar a possibilidade de voos internacionais em Congonhas. Embora ainda seja um passo inicial e condicionado a uma série de autorizações, além do interesse das companhias aéreas, o movimento reacende discussões sobre o papel estratégico do aeroporto paulista após a conclusão das obras previstas para 2028. Em paralelo, o BNDES estruturou mais nove concessões de saneamento, com projetos que somam R$ 47 bilhões, reforçando o volume expressivo de investimentos em parcerias público-privadas espalhadas pelo país.
No setor público, o Tribunal Superior do Trabalho determinou a manutenção de pelo menos 80% das operações dos Correios durante a greve, reduzindo riscos logísticos em um período sensível para o comércio e serviços.
O agro também trouxe novidades relevantes. A Savencia, dona da marca Polenghi, anunciou a compra da Quatá Alimentos, ampliando sua presença no mercado de laticínios. Já no cenário internacional, a soja brasileira mais barata fez com que a China reduzisse compras dos Estados Unidos, reforçando a competitividade do Brasil no comércio global de grãos.
No exterior, o Japão deu um passo importante ao se preparar para reiniciar a maior usina nuclear do mundo, 15 anos após o desastre de Fukushima. A decisão reflete a necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, que hoje respondem por até 70% da geração de eletricidade do país e são majoritariamente importados. Nos Estados Unidos, o PIB avançou 4,3% no terceiro trimestre, atingindo o ritmo mais forte em dois anos, enquanto a política segue pressionando por cortes de juros mais à frente. Na Argentina, dados mostraram uma queda expressiva da pobreza no terceiro trimestre de 2025, sinalizando melhora social após um período prolongado de ajuste econômico.
O dia reforça um cenário em que o mercado segue atento a sinais de inflação, decisões de política monetária e grandes movimentos estruturais. Entre investimentos em infraestrutura, reorganizações corporativas e mudanças relevantes no setor energético global, o investidor encerra a semana olhando menos para o ruído de curto prazo e mais para tendências que podem moldar os próximos ciclos econômicos.