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MCall | 17 de dezembro – Quarta-feira de aversão a risco: energia, China e a fragilidade do mercado brasileiro

  • dezembro, 17


A quarta-feira foi marcada por um forte movimento de correção nos mercados, com o Ibovespa recuando 2,40% e devolvendo os ganhos acumulados no mês, que agora volta ao território negativo. O dia refletiu um ambiente claro de aversão a risco, pressionado por fatores domésticos e externos que reacenderam alertas importantes para investidores.

No Brasil, o setor de energia ganhou protagonismo após o anúncio do avanço da Aneel contra a Enel em São Paulo. A possibilidade de caducidade da concessão trouxe incerteza regulatória ao mercado e abriu discussões sobre potenciais compradores dos ativos da companhia. O movimento serve como alerta para outras concessionárias que operam com níveis elevados de insatisfação operacional e reforça a percepção de maior rigor do poder concedente.

Outro ponto de atenção veio da indústria. As importações de aço seguiram disparando em 2025, com forte pressão sobre o setor nacional. A desaceleração da economia chinesa tem levado o país a inundar mercados globais com produtos a preços mais baixos, intensificando disputas comerciais e estimulando medidas de proteção ao redor do mundo. No Brasil, a dependência é evidente: 64% das importações de laminados já vêm da China.

No mercado corporativo, a B3 revelou que 54 empresas estão prontas para buscar um IPO assim que a janela de mercado reabrir. O dado reforça que há demanda reprimida e projetos maduros, mas que seguem travados pelo ambiente macroeconômico, pela volatilidade e pelo custo de capital ainda elevado.

O pregão também foi impactado pela forte queda das commodities. O petróleo recuou para abaixo de US$ 55 o barril, menor patamar desde 2021, pressionando ações ligadas ao setor e ampliando preocupações sobre desaceleração global. Em paralelo, a Ford anunciou perdas bilionárias com sua divisão de veículos elétricos, evidenciando os desafios de rentabilidade da transição energética.

No campo doméstico, dados como a deflação no seguro de automóveis e o aumento da busca por geradores de energia em São Paulo — impulsionada pelo apagão recente — adicionaram ruído ao debate econômico e regulatório, enquanto reforçam fragilidades estruturais em infraestrutura e serviços essenciais.

No cenário internacional, os números do payroll nos Estados Unidos vieram acima do esperado, enquanto a Argentina surpreendeu com crescimento de 3,3% no PIB do terceiro trimestre, mostrando realidades econômicas bastante distintas entre países emergentes.

O dia foi, portanto, de ajuste e recalibração. Mais do que um movimento pontual, a quarta-feira reforçou que o mercado segue extremamente sensível a riscos regulatórios, desaceleração global e mudanças estruturais nos setores de energia, indústria e commodities.

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