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MCall | 07/01/2026: Quem governa a Venezuela, quem manda no Brasil institucionalmente e como China e EUA estão redesenhando o jogo global

  • janeiro, 07

A edição desta quarta-feira escancara um ponto central do mundo em 2026: poder já não é mais algo simples de identificar — ele se fragmenta entre cargos formais, decisões de bastidor e interesses econômicos muito bem alinhados. A frase do dia, inspirada em Warren Buffett, ajuda a dar o tom: riqueza, influência e controle raramente se manifestam da forma mais óbvia.

No cenário internacional, a Venezuela vive um vácuo de comando que parece menos caótico do que parece à primeira vista. Quatro dias após a captura de Nicolás Maduro, a pergunta sobre quem governa o país segue sem resposta clara. Formalmente, Delcy Rodríguez ocupa a presidência interina, sustentada pelas Forças Armadas e por setores do chavismo. Politicamente, no entanto, Donald Trump não esconde a percepção de que exerce controle direto sobre os próximos passos do país. Ao afirmar que não haverá eleições nos próximos 30 dias, o presidente americano cria uma solução híbrida: mantém Delcy no poder enquanto evita uma ruptura institucional que poderia provocar reação militar interna.

Nos bastidores, essa ambiguidade atende a interesses claros. Eleições imediatas ou a entrega do poder à oposição poderiam gerar instabilidade civil e colocar em risco a retomada das operações das petroleiras americanas na Venezuela. Trump parece disposto a trocar retórica por pragmatismo. A sinalização de que o país entregará entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos reforça a leitura de que a soberania venezuelana, neste momento, é profundamente condicionada por acordos econômicos.

No Brasil, a disputa de poder também passa longe do voto popular e se concentra nas engrenagens institucionais. O caso da liquidação do Banco Master virou um embate direto entre o Banco Central e o Tribunal de Contas da União. Ao autorizar uma inspeção em documentos do BC, o TCU lançou dúvidas sobre a autonomia do regulador e reacendeu especulações de que a falência poderia ser revista. A reação do Banco Central, recorrendo ao STF, mostra que o conflito agora ultrapassa o âmbito técnico e entra no campo político.

Apesar do ruído, a avaliação predominante no mercado é que a liquidação não deve ser revertida. O risco maior está em outro ponto: a possibilidade de o TCU apontar falhas no processo e abrir espaço para que Daniel Vorcaro busque indenizações e preserve parte de seu patrimônio pessoal. Na prática, o banco quebraria, o FGC cobriria os investidores, e o controlador sairia relativamente ileso — um roteiro que reforça a sensação recorrente de que, no Brasil, a responsabilização raramente acompanha o tamanho do dano causado.

Enquanto isso, o ambiente de negócios passa por transformações silenciosas, mas relevantes. O domínio quase absoluto do iFood no mercado de delivery começa a ser desafiado por novos players chineses. A entrada da 99Food e da Keeta, especialmente na Grande São Paulo, reduziu a participação do iFood e trouxe um nível de competição que não se via desde a saída da Uber Eats do país. A diferença agora é que a disputa vem em dose dupla e com capital abundante, sinalizando uma guerra de longo prazo por preços, logística e fidelização do consumidor.

No campo do consumo e da cultura digital, o TikTok continua moldando comportamentos de forma precoce. O fenômeno das chamadas #sephorakids transformou o skincare infantil em um mercado bilionário, impulsionado por embalagens lúdicas e estratégias de marketing voltadas diretamente às crianças. O crescimento acelerado do segmento levanta alertas entre dermatologistas, mas confirma uma tendência mais ampla: a antecipação do consumo adulto para faixas etárias cada vez menores, estimulada por redes sociais e criadores de conteúdo.

Já na economia global, a decisão da OCDE de avançar com o imposto mínimo global de 15% perdeu força ao excluir empresas com sede nos Estados Unidos. O movimento preserva a soberania fiscal americana, mas esvazia parte do impacto arrecadatório estimado do acordo. Com a maioria das grandes multinacionais sediadas nos EUA, a exceção enfraquece o objetivo de frear a competição tributária entre países e evidencia, mais uma vez, que regras globais só funcionam quando as grandes potências aceitam jogar.

O retrato do dia é claro: poder, hoje, não está apenas nos cargos oficiais, mas na capacidade de influenciar decisões econômicas, controlar fluxos de capital e definir o ritmo das mudanças. Seja na Venezuela, no Brasil ou no tabuleiro global, quem manda de verdade raramente é quem aparece no topo do organograma.

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