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IPO reabre mercado, governo injeta estímulos e pressão inflacionária continua viva

  • maio, 12


O mercado fecha em queda (-1,19%), mas o dia traz uma combinação importante: reabertura parcial do mercado de capitais, ampliação de estímulos domésticos e sinais de inflação persistente tanto no Brasil quanto no exterior.

O principal evento local foi o IPO da Compass, que movimentou R$ 2,8 bilhões e reforçou o caixa da Cosan. Mais do que a captação em si, o movimento importa por marcar continuidade na reabertura seletiva do mercado acionário brasileiro após anos praticamente congelado. Ainda não é uma retomada ampla — continua concentrada em grupos grandes e ativos considerados resilientes.

Ao mesmo tempo, o fechamento do Elo7 pela Enjoei mostra o outro lado do mercado digital: competição brutal e compressão de margem. Plataformas intermediárias estão sendo esmagadas entre escala logística, subsídio operacional e guerra de preço liderada por Mercado Livre, Shopee e Amazon. O espaço para players médios está desaparecendo rapidamente.

No macro doméstico, o governo segue acelerando estímulos. O Desenrola 2.0 já renegociou quase R$ 1 bilhão em dívidas, enquanto o pacote total de estímulos eleitorais mencionados chega a R$ 140 bilhões. Isso ajuda atividade no curto prazo, mas aumenta pressão fiscal e complica a trajetória de inflação e juros no médio prazo.

O dado da cesta básica subindo em todas as capitais pela segunda vez consecutiva reforça exatamente esse ponto: a inflação de alimentos continua disseminada e resistente. Não é um choque isolado — é uma pressão estrutural ligada a energia, logística e commodities globais.

No exterior, o movimento mais relevante veio dos EUA. A decisão de liberar 53,3 milhões de barris da reserva estratégica de petróleo mostra que Washington já trata o preço da energia como questão macroeconômica e política urgente. O detalhe importante é o formato: empréstimo de petróleo. Isso significa apostar que os preços estarão menores no futuro para recompor os estoques posteriormente — uma aposta arriscada em um ambiente geopolítico ainda instável.

A inflação ao produtor na China atingindo máxima de três anos reforça que o choque energético já está contaminando a indústria global. E a queda nas vendas de carros pelo sétimo mês consecutivo indica desaceleração persistente da demanda chinesa.

No agro, o destaque vai para a disparada do cacau (+12,6%) e o recorde de exportação de soja brasileira. Commodities agrícolas continuam operando sob forte volatilidade, impulsionadas tanto por clima quanto por geopolítica.

Outro vetor relevante é a expansão das stablecoins na América Latina, especialmente em Brasil e Argentina. O crescimento próximo de 90% no uso sugere avanço contínuo da dolarização digital informal da região — reflexo direto da busca por proteção cambial e menor fricção financeira.

Em síntese, o cenário continua marcado por três forças simultâneas: liquidez estatal sustentando atividade, inflação resistente pressionando renda real e mercados cada vez mais concentrados em grandes plataformas e empresas com escala suficiente para sobreviver ao ambiente atual.

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