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Correção na Bolsa, ajuste no e-commerce e consumo físico em máxima histórica

  • fevereiro, 05

Depois de uma sequência de altas expressivas, o mercado brasileiro passou por um dia de correção mais intensa. O Ibovespa recuou 2,14%, em um movimento que combinou realização de lucros, ajuste em papéis que haviam subido demais nas últimas semanas e aumento da cautela diante do noticiário corporativo e político. Mesmo com a queda, o índice ainda acumula desempenho positivo no mês, reforçando que o pano de fundo segue construtivo, ainda que mais volátil.

O principal destaque negativo do pregão foi a Raízen, que despencou mais de 13% diante do avanço das discussões sobre uma possível reestruturação de dívida. O episódio reacendeu o alerta do mercado para empresas altamente alavancadas em um ambiente que, apesar da expectativa de cortes de juros, ainda opera com custo de capital elevado. O recado foi claro: nem todos os modelos de negócio sobrevivem ilesos a juros altos por mais tempo.

No setor de consumo digital, a Shopee anunciou um aumento relevante nas comissões cobradas de vendedores, reduzindo subsídios e ajustando seu take rate. A decisão sinaliza uma mudança importante na estratégia da plataforma, que passa a priorizar rentabilidade em detrimento de crescimento agressivo a qualquer custo. O movimento ocorre em um contexto de maior racionalidade no e-commerce global, em que investidores pressionam por margens sustentáveis. A comparação com o Mercado Livre, que hoje vale mais de US$ 100 bilhões, ajuda a entender o desafio competitivo da Sea Limited, controladora da Shopee.

Curiosamente, enquanto o comércio digital aperta margens, o varejo físico segue mostrando força no Brasil. O faturamento dos shopping centers atingiu R$ 201 bilhões em 2025, o maior da história. O dado reforça uma mudança de comportamento do consumidor, que voltou a valorizar experiências presenciais, lazer e conveniência, especialmente após anos de forte digitalização forçada. Com 658 shoppings espalhados por 253 cidades, o setor se consolida novamente como um dos pilares do consumo interno.

No mercado financeiro, o interesse por criptoativos mostrou sinais claros de arrefecimento no curto prazo. O volume negociado de Bitcoin no Brasil caiu mais de 20% em janeiro, refletindo menor apetite ao risco após a forte volatilidade recente. O padrão clássico de entrada tardia e saída em momentos de correção segue se repetindo, reforçando a importância de estratégia e horizonte de longo prazo nesse tipo de ativo.

O noticiário político-institucional também pesou no humor do mercado. Declarações e decisões envolvendo o Judiciário e figuras do alto escalão voltaram a gerar ruído, enquanto gestores renomados passaram a discutir cenários em que uma eventual reversão política global poderia impactar o fluxo de capital para o Brasil. Ainda que esse seja um risco mais à frente, ele entrou no radar dos investidores como variável relevante para 2026 e além.

No agronegócio, a semana foi marcada por mais um capítulo de consolidação e reorganização. A AgroGalaxy passou novamente por troca de controle, a quarta em apenas três anos, evidenciando a dificuldade do setor em lidar com ciclos de crédito mais restritivos. Ao mesmo tempo, a queda do preço do café arábica para o menor nível em mais de cinco meses traz alívio para a inflação, mas pressiona margens de produtores.

No cenário internacional, o dia trouxe sinais de maturidade em mercados consolidados. A Nintendo alcançou um marco histórico ao transformar o Switch no console mais vendido de sua história, ultrapassando o lendário Nintendo DS. O feito mostra como ecossistemas bem construídos conseguem atravessar ciclos tecnológicos sem perder relevância, algo cada vez mais raro na indústria de tecnologia.

Ainda no front externo, os Estados Unidos confirmaram o pagamento de US$ 500 milhões à Venezuela referente à venda de petróleo, reforçando o caráter pragmático da política energética americana. O episódio ilustra como, mesmo em meio a discursos duros e sanções, o tabuleiro geopolítico segue sendo movido por interesses econômicos concretos.

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