MCall | 08/10/2025: Governo recua em taxação de apostas, mas eleva IR sobre investimentos e mercado reage com forte queda

A quarta-feira foi marcada por turbulência nos mercados e por decisões polêmicas no campo fiscal e regulatório que impactaram diretamente investidores e empresas. O Ibovespa encerrou o pregão em queda acentuada de 1,57%, ampliando as perdas no mês para 3,34%. Minerva (BEEF3) foi o destaque positivo do dia, com alta de 1,21%, enquanto MRV (MRVE3) liderou as perdas com uma queda expressiva de 12,12%. Entre os papéis com volumes atípicos de negociação, EQTL3, AZZA3 e MRVE3 chamaram atenção. No cenário político e fiscal, o governo decidiu recuar da intenção de tributar as empresas de apostas — medida que enfrentava forte resistência — para viabilizar a aprovação da Medida Provisória que libera cerca de R$ 20 bilhões em um ano eleitoral. A decisão, contudo, veio acompanhada de uma mudança significativa no tratamento dos investimentos: a comissão especial aprovou um aumento do Imposto de Renda sobre aplicações financeiras, que passará a ser de 18%, mantendo a isenção para LCA e LCI. A escolha gerou críticas intensas do mercado, que viu a medida como um desincentivo ao investimento produtivo e um movimento político de priorização de arrecadação sobre estímulos econômicos. No ambiente doméstico, a limitação do saque-aniversário do FGTS a R$ 500 reduziu a expectativa de liquidez para famílias endividadas, e a captação líquida de fundos de investimento apresentou queda de 63% no acumulado até setembro, reflexo da aversão ao risco em meio ao cenário macroeconômico incerto. A crise corporativa também continuou afetando o mercado de crédito: produtos estruturados (COEs) ligados a papéis de Braskem e Ambipar evaporaram, deixando investidores no prejuízo. No setor de telecomunicações, a Claro está em negociações avançadas para adquirir a Desktop, movimento que mostra a tendência de consolidação do setor após a derrocada das pequenas operadoras na bolsa. Outro destaque do dia foi a estreia da OranjeBTC na bolsa brasileira, com R$ 2,4 bilhões em bitcoin no caixa — o ativo chegou a disparar 20% no dia, mas devolveu os ganhos rapidamente, evidenciando a alta volatilidade do mercado cripto. No mercado corporativo global, a ICE — dona da Bolsa de Nova York — adquiriu 20% da Polymarket, maior plataforma de apostas do mundo, em um negócio avaliado em US$ 8 bilhões. No Brasil, a UNLK concluiu a compra da Wake Creators, unidade da LWSA, por R$ 45 milhões. Já um grupo ligado ao fundo soberano Mubadala avalia a compra da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), pertencente ao Grupo Votorantim, reforçando o interesse estrangeiro por ativos industriais brasileiros. O agronegócio brasileiro teve um desempenho relevante com a exportação recorde de carne suína em setembro, segundo a ABPA, consolidando o país como um dos principais fornecedores globais do produto. No cenário internacional, os mercados observaram movimentos importantes que sinalizam mudanças no comércio global e na geopolítica econômica. As vendas da Mercedes na China caíram 27%, atingindo o menor nível em quase uma década, e recuaram também nos Estados Unidos em 16%, em um sinal de perda de competitividade da marca no mercado premium. A União Europeia anunciou a redução pela metade de suas cotas de importação de aço e planeja aplicar tarifas de até 50% sobre volumes excedentes, em resposta ao excesso de aço barato proveniente da China. Na Argentina, o presidente Javier Milei voltou a vender dólares no mercado cambial, reduzindo as reservas internacionais a apenas US$ 1 bilhão enquanto aguarda apoio financeiro dos Estados Unidos. Paralelamente, investigações revelaram que a China tem comprado petróleo do Irã de forma discreta, contornando sanções impostas por Washington. O dia foi concluído com a notícia de que o Prêmio Nobel de Física deste ano foi concedido a funcionários do Google, marcando a quinta vitória de uma Big Tech na premiação em apenas dois anos — um reflexo do peso crescente da inovação tecnológica no desenvolvimento científico global. A combinação de pressões fiscais, reações do mercado e mudanças no comércio global reforça o ambiente de incerteza para investidores e empresas. O aumento de impostos sobre investimentos em meio à desaceleração econômica levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do crescimento no Brasil, enquanto o cenário internacional segue desafiador, com tensões comerciais e estratégicas moldando os próximos passos da economia mundial.

MCall | 07/10/2025: Ouro na máxima histórica, exportações para os EUA despencam e Ambev acelera aposta em cerveja sem álcool

A terça-feira foi marcada por um cenário de volatilidade nos mercados e indicadores que apontam mudanças relevantes no panorama econômico global e doméstico. No Brasil, o Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,41%, ampliando as perdas no mês para 1,80%. O destaque positivo do dia ficou com a CSN, que avançou 6,46%, enquanto a maior baixa veio da Raízen, com recuo de 3,96%. Entre os papéis que chamaram atenção pelo volume atípico de negociação estiveram PSSA3, CSNA3 e CXSE3. A movimentação corporativa seguiu intensa. A Vinci Compass concluiu a compra de 50,1% da Verde Asset, gestora comandada por Luis Stuhlberger, por R$ 46,8 milhões, com opção de adquirir o restante em até cinco anos. No setor de mídia, a Paramount Skydance expandiu sua presença ao adquirir o portal de notícias The Free Press. Já no setor de construção, a InterCement — antiga Camargo Corrêa — foi assumida pelo bilionário argentino Marcelo Mindlin, de olho na operação da marca Loma Negra. No Brasil, um dos principais destaques foi a queda de 18% nas exportações para os Estados Unidos após a imposição de novas tarifas pelo governo Trump. A China rapidamente absorveu parte desse volume, com aumento de 21% nas compras e quase o dobro na importação de carne bovina brasileira. Outro movimento relevante veio do mercado de capitais: a negociação no mercado secundário de renda fixa atingiu um recorde histórico em setembro, reforçando a tendência do país de se consolidar como “terra dos rentistas”. Em meio a essas transformações, a família mineira Coelho Diniz conquistou maioria no conselho do GPA, marcando a primeira vez em 13 anos que o grupo francês Casino perde o controle do board. Ainda no mercado financeiro, o ETF EWZ registrou o maior aporte semanal em cinco anos, evidenciando um aumento do apetite internacional por ações brasileiras. No campo corporativo e judicial, o STF decidiu que bancos não precisam arcar com o IPVA de veículos financiados, e a Mover — antiga Camargo Corrêa — apresentou um plano de recuperação judicial que prevê pagamento aos credores em até 40 anos. Já a Ambev reforçou sua estratégia de diversificação de portfólio ao aumentar em 40% a produção de cervejas sem álcool, de olho na expansão desse segmento de consumo. No setor agropecuário, os EUA seguiram importando carne bovina mesmo com as tarifas impostas, segundo Wesley Batista, por não conseguirem suprir a demanda interna. Por outro lado, pequenas e médias empresas do agronegócio enfrentam maior dificuldade no acesso a Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). As Filipinas estenderam a restrição à importação de arroz até abril de 2026, pressionadas pelos altos preços internacionais. No cenário internacional, a crise cambial argentina se intensificou à medida que consumidores torraram bilhões em compras internacionais, agravando a pressão sobre as reservas. O ouro atingiu um marco histórico ao encostar em US$ 4.000 pela primeira vez, impulsionado pela combinação de escassez e forte demanda dos bancos centrais, que seguem acumulando reservas diante do congelamento dos ativos russos e do ambiente geopolítico incerto. No mercado de tecnologia, as ações da AMD dispararam 30% após sinais de que a OpenAI pretende adquirir participação na companhia — movimento que reforça a corrida estratégica pelo domínio da inteligência artificial. Com uma agenda carregada e indicadores que apontam para transformações estruturais — do fortalecimento da renda fixa no Brasil ao avanço do ouro como reserva global — o mercado segue navegando em um ambiente de incerteza, mas também de oportunidades estratégicas para quem observa além do curto prazo.

MCall | 06/10/2025: Sabesp compra Emae, Ambipar afunda e EUA enfrentam apagão de dados

A segunda-feira começou com movimentos intensos no mercado financeiro brasileiro e internacional. No Brasil, o dia foi marcado por uma importante operação no setor de saneamento: a Sabesp anunciou a compra do controle da Emae por R$ 1,1 bilhão, superando a oferta do investidor Nelson Tanure — disputa que agora deve se estender para a esfera judicial. A notícia agitou o mercado, ao mesmo tempo em que outras forças atuavam na renda variável, com destaque negativo para a Ambipar. As ações da companhia despencaram após bancos iniciarem a venda dos papéis recebidos como garantia de empréstimos, resultando em uma queda acumulada de 90% nos últimos dez dias — um verdadeiro massacre para os investidores. A aversão ao risco também se refletiu em uma expressiva saída de capital: investidores institucionais fizeram, em setembro, a maior retirada mensal de recursos da B3 em mais de um ano, reforçando o movimento de migração para a renda fixa. Em meio a esse cenário de volatilidade, um dado positivo trouxe algum alívio: a produção industrial brasileira registrou alta de 0,8% em agosto, após quatro meses consecutivos sem crescimento. No cenário político e econômico doméstico, outras questões chamaram atenção. O presidente Lula voltou a criticar a taxa Selic, atualmente em 15%, defendendo cortes mais agressivos nos juros para impulsionar a atividade. Já no campo eleitoral, aliados de Jair Bolsonaro afirmaram que o ex-presidente teria dado aval à candidatura de Tarcísio de Freitas ao Planalto, tendo Michelle Bolsonaro como possível vice. Enquanto isso, o setor agropecuário enfrentou desafios e oportunidades: uma pausa temporária de 48 horas nas taxas de exportação resultou em vendas recordes de grãos na Argentina, e, apesar do aumento nos custos e da queda nas commodities que deterioraram a relação de troca no campo, o café se destacou como exceção positiva. No exterior, os mercados enfrentaram incertezas adicionais com o início do shutdown nos Estados Unidos, que causou um verdadeiro “apagão” de dados econômicos e deixou investidores às cegas. Informações cruciais, como o payroll — relatório de empregos que costuma influenciar decisões de política monetária no mundo todo — não foram divulgadas, adicionando pressão aos mercados. A tensão política também chegou ao setor de tecnologia: a Apple foi obrigada a remover aplicativos que alertavam sobre a presença de agentes de imigração, após pressão do governo americano, que alegou riscos à segurança. No mercado de capitais global, a Índia continuou sua trajetória ascendente e se consolidou como o quarto maior mercado de IPOs em 2025, movimentando US$ 11,2 bilhões no ano. Esse conjunto de eventos mostra um mercado que entra na nova semana cercado de volatilidade, com investidores divididos entre oportunidades pontuais — como a expansão no setor de saneamento e o avanço industrial — e riscos estruturais, desde a fragilidade de empresas altamente alavancadas no Brasil até a incerteza sobre os rumos da economia americana em meio ao impasse político.

MCall | 03/10/2025: LCIs e LCAs seguem isentas, Ambipar desaba, Buffett amplia portfólio e Tesla quebra recorde

A sexta-feira encerrou a semana com forte aversão ao risco no mercado brasileiro, refletida em um recuo de 1,08% no Ibovespa e intensificada por um ambiente de incerteza fiscal e corporativa. O destaque do dia foi a decisão do relator da Medida Provisória de desistir da taxação sobre LCIs e LCAs — originalmente prevista em 5% — em uma tentativa de viabilizar a aprovação do restante do texto que eleva impostos. A pressão da bancada do agronegócio e do setor financeiro foi determinante para a mudança, mantendo a atratividade desses instrumentos de renda fixa no curto prazo. Paralelamente, a confiança dos investidores no mercado de capitais brasileiro registrou forte queda, segundo pesquisa da CVM, evidenciando o impacto das discussões tributárias e do ambiente político sobre a percepção de risco. No ambiente corporativo, o colapso das ações da Ambipar — que despencaram 61% em um único pregão — dominou as atenções. A forte desvalorização reflete a deterioração das expectativas em torno da companhia, em meio a dúvidas sobre seus números financeiros e crescente preocupação com sua capacidade de honrar dívidas. A crise evidencia a importância de monitorar o mercado de crédito corporativo, especialmente diante do ambiente desafiador enfrentado por empresas altamente alavancadas como Ambipar e Braskem. Enquanto isso, o Banco Master contratou a Laplace para conduzir a venda de ativos, e o IBGE apontou que os brasileiros viajaram mais ao exterior em 2024, com gastos em turismo em alta — um sinal de retomada gradual no consumo de serviços. No cenário internacional, a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, expandiu sua presença no setor químico com a compra da OxyChem, unidade da Occidental Petroleum, por US$ 9,7 bilhões, reforçando sua aposta em setores industriais estratégicos. Já a Tesla registrou um recorde histórico de vendas no terceiro trimestre, impulsionada por incentivos fiscais do governo americano, embora analistas alertem para a dependência da empresa em relação a subsídios. O número de companhias listadas nas bolsas dos EUA continua encolhendo, caindo pela metade desde 1996, reflexo de custos regulatórios elevados e fusões no mercado. Na Argentina, a bolsa local registrou o pior desempenho do mundo em 2025, intensificando a pressão sobre o governo Milei. Para completar o quadro geopolítico, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos estão oficialmente em guerra contra cartéis de drogas, adicionando uma nova camada de tensão ao cenário global.

MCall | 02/10/2025: Americanas vende ativos, Gerdau congela investimentos e EUA aliviam tarifas

A quinta-feira foi marcada por um ambiente de cautela nos mercados, refletindo sinais mistos no cenário doméstico e internacional. O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,49%, pressionado principalmente pelo setor de varejo após a Amazon anunciar uma ofensiva global ao zerar taxas de armazenamento e envio para lojistas até dezembro — movimento que pesou nas ações de empresas como Magazine Luiza e Mercado Livre. No Brasil, a Americanas concluiu a venda da detentora das marcas Imaginarium e Puket por R$ 153 milhões, parte de seu esforço de reestruturação após a crise contábil. Já o grupo Estado reforçou sua presença no setor digital ao adquirir a NZN, dona do TecMundo, adicionando até 5 milhões de visitantes únicos à sua base mensal. No ambiente macroeconômico, a Câmara dos Deputados aprovou a isenção de Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais e definiu alíquota mínima de 10% para rendas acima de R$ 50 mil, em uma tentativa de modernizar a estrutura tributária. Outro movimento de destaque foi a decisão do Banco Central de abrir consulta pública para permitir liquidação de operações financeiras em D+1 e D+0, o que pode aumentar a eficiência do mercado. A confiança empresarial subiu 0,5 ponto em setembro segundo a FGV, sinalizando uma leve melhora na percepção do setor produtivo. Por outro lado, a Gerdau congelou um investimento de R$ 2,1 bilhões no Brasil, citando a concorrência chinesa no mercado do aço — um alerta sobre a competitividade da indústria nacional. No setor agropecuário, o uso do cerrado para atividades agrícolas cresceu 74% nos últimos 40 anos, evidenciando a expansão do setor no bioma. Apesar disso, as vendas de máquinas agrícolas voltaram a cair após nove meses consecutivos de alta, um possível reflexo do aumento da inadimplência e do custo de crédito no campo. No cenário global, os Estados Unidos adiaram a imposição de tarifas sobre produtos farmacêuticos enquanto avaliam novos acordos comerciais, movimento visto como um sinal de trégua parcial nas tensões comerciais. Donald Trump também afirmou que se reunirá com Xi Jinping para discutir a questão da soja, destacando que a China teria interrompido as compras do grão americano como forma de pressionar as negociações — um cenário que, por ora, favorece as exportações brasileiras. Já a Amazon intensificou sua estratégia competitiva no e-commerce global, pressionando o varejo tradicional e reacendendo a disputa por market share.

MCall | 01/10/2025: Intervenção na Oi, paralisação nos EUA e Buffett mira petroquímica

A quarta-feira começou com o mercado em compasso de cautela, refletindo uma série de acontecimentos relevantes no Brasil e no exterior. O Ibovespa encerrou o dia em leve queda de 0,07%, ainda acumulando alta de 3,40% no mês. No cenário doméstico, o destaque ficou por conta da intervenção judicial na Oi, que levou ao afastamento da atual gestão e reforçou as incertezas sobre o futuro da companhia. A medida ocorre em um momento de fragilidade financeira, já que seus principais acionistas são justamente os credores que converteram dívida em participação acionária, com destaque para a gestora Pimco, que detém 36,37%. Além disso, o Tesouro Nacional revisou para cima a projeção da dívida pública em 2025, agora estimada entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões, sinalizando maior pressão fiscal nos próximos anos. A taxa de desemprego permaneceu estável em 5,6% no trimestre encerrado em agosto, enquanto a inflação da construção civil desacelerou ao menor nível em um ano e meio, sugerindo algum alívio nos custos do setor. O setor financeiro também esteve em foco, com o Banco Master buscando alternativas para rolar um empréstimo de R$ 4 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), em meio a incertezas sobre sua liquidez. Já os fundos imobiliários e Fiagros devem seguir isentos de Imposto de Renda com a Medida Provisória 1303, trazendo certo otimismo ao mercado de capitais. No agronegócio, representantes do setor se mobilizam contra a proposta de aumento de 7,5% na tributação das LCAs, considerada prejudicial ao crédito rural. A São Martinho anunciou um investimento superior a R$ 1 bilhão na produção de etanol de milho, ampliando sua diversificação sem abandonar a tradicional base de cana-de-açúcar, enquanto a Minerva avalia a venda de ativos para reforçar o caixa e reestruturar operações. No cenário internacional, a crise política nos Estados Unidos ganhou destaque com a Casa Branca iniciando oficialmente a paralisação parcial da máquina pública após o impasse no Congresso. Donald Trump endureceu o tom e anunciou novas tarifas de importação, incluindo 10% sobre madeira e 25% sobre armários e móveis, ao mesmo tempo em que voltou a ameaçar ações militares contra cartéis venezuelanos. No mercado corporativo global, a Berkshire Hathaway estuda a compra da petroquímica OxyChem, da Occidental Petroleum, em um acordo avaliado em cerca de US$ 10 bilhões — movimento que reforça o interesse de Warren Buffett no setor de energia e infraestrutura. Além disso, o caso de Clarice Javice, fundadora da Frank, chamou atenção após a empreendedora ser condenada a sete anos de prisão por fraudar dados e vender sua startup ao JPMorgan por US$ 175 milhões.

MCall | 30/09/2025: Mercado financeiro reage a novas medidas no Brasil, inadimplência no agro e movimentações globais

A terça-feira foi marcada por uma combinação de avanços e alertas no cenário econômico. No Brasil, o Ibovespa encerrou o pregão em alta de 0,61%, acumulando valorização de 3,48% no mês. O movimento reflete a reação positiva do mercado a anúncios importantes do governo e à sinalização de novos investimentos em infraestrutura, apesar de dados mistos no mercado de trabalho. O destaque político ficou por conta da decisão do governador Tarcísio de Freitas, que confirmou a intenção de disputar a reeleição em São Paulo e descartou uma candidatura presidencial. No campo corporativo, a Ambipar iniciou negociações com credores para reestruturar sua dívida, e a Motiva (antiga CCR) anunciou aporte de R$ 3,9 bilhões na expansão da Linha Amarela do Metrô. O mercado de trabalho, por sua vez, mostrou sinais de desaceleração, com a criação de 147.358 vagas formais em agosto, abaixo do esperado. O setor do agronegócio, que vinha apresentando resiliência nos últimos meses, acendeu o sinal de alerta com a disparada dos pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre, indicando um aumento significativo da inadimplência. A construção de um novo terminal logístico no Matopiba, região estratégica para o escoamento da produção agrícola, surge como alternativa para reduzir custos e ampliar a competitividade do setor. Ainda assim, o cenário de crédito mais restrito e a alta dos custos de produção pressionam a rentabilidade dos produtores, trazendo desafios para os próximos trimestres. No cenário internacional, a movimentação corporativa mais relevante foi a compra da Electronic Arts — produtora do famoso jogo Fifa — em um acordo de US$ 55 bilhões, configurando o maior leveraged buyout da história. Nos Estados Unidos, cresce a preocupação com a possibilidade de um “shutdown” do governo, que pode atrasar a divulgação de dados econômicos importantes e ampliar a incerteza sobre a trajetória da economia. O novo chefe da SEC defendeu o fim dos relatórios trimestrais obrigatórios, o que pode alterar a dinâmica de transparência das empresas listadas. Em meio a tensões comerciais, Donald Trump anunciou uma tarifa de 100% sobre filmes produzidos fora dos EUA, sinalizando um novo capítulo na política protecionista americana.

MCall | 29/09/2025: Toyota paralisa produção, NFL confirma jogos no Brasil e pobreza cai na Argentina

A última semana de setembro começou com um misto de desafios econômicos e sinais de alívio em alguns mercados. O Ibovespa encerrou a semana passada em leve queda de 0,29%, refletindo a cautela dos investidores diante de dados internos mais fracos e incertezas no cenário internacional. Mesmo com a alta acumulada de 2,85% no mês, o mercado segue atento a fatores estruturais que podem impactar a economia brasileira no curto prazo. No Brasil, o destaque fica por conta da Toyota, que anunciou férias coletivas para 5.700 funcionários após a destruição de sua principal fábrica de motores por um vendaval. A paralisação interrompeu toda a cadeia produtiva da montadora no país e pode afetar o desempenho do setor automotivo no trimestre. O varejo também foi tema de discussão após empresas começarem a adotar o modelo de escala 5×2, em um debate que reacende a discussão sobre produtividade e jornada de trabalho no país — ainda superior à média de outras economias desenvolvidas. No campo esportivo, a NFL confirmou a realização de pelo menos três jogos no Maracanã a partir de 2026, marcando um passo importante na internacionalização da liga. Já no setor aéreo, a Latam anunciou a expansão de sua malha com até 30 novos destinos domésticos, e o país registrou déficit de US$ 4,7 bilhões nas contas externas em agosto, reforçando sinais de desequilíbrio nas transações correntes. No agronegócio, o governo anunciou R$ 12 bilhões em crédito rural com juros entre 6% e 10% ao ano, em uma tentativa de impulsionar a produção em meio a custos elevados e margens apertadas. A BrasilAgro informou que, apesar do grande volume de ativos sob estresse ofertados pelos bancos neste ciclo, nenhum atendeu aos seus critérios de aquisição — um sinal de seletividade crescente no setor. No cenário global, a principal notícia veio da Argentina: a taxa de pobreza caiu para 31,6% no primeiro semestre, a menor desde 2018, impulsionada por medidas emergenciais e efeitos temporários de programas de assistência. A melhora, contudo, ainda não elimina os desafios fiscais e sociais do país. Em outra frente, a Coreia do Sul indicou que não poderá honrar um pacote de US$ 350 bilhões prometido em parceria com Donald Trump, sinalizando limitações fiscais até mesmo entre economias desenvolvidas. O início da semana, portanto, mistura sinais de recuperação e alerta: enquanto alguns indicadores melhoram, o setor produtivo e as contas externas brasileiras pedem atenção redobrada.

MCall | 26/09/2025: Ambipar sob pressão, Toyota paralisa produção e TikTok se torna oficialmente americano

A sexta-feira começa com tensão nos mercados e notícias que podem ter efeitos importantes sobre a economia brasileira e global. O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,81%, refletindo a cautela dos investidores diante de um cenário econômico mais desafiador no Brasil e de movimentos estratégicos no exterior. No Brasil, o destaque ficou por conta da Ambipar, que entrou com pedido de proteção judicial contra credores por 30 dias, após sinais de forte estresse financeiro. Santander e Bradesco aparecem entre os principais credores da companhia, com cerca de R$ 600 milhões e R$ 300 milhões em exposição, respectivamente. A situação se agravou após a revelação de que um ex-diretor teria firmado um aditivo contratual com o Deutsche Bank sem o aval do conselho, desbalanceando as contas da empresa. Além disso, a Gol anunciou o fim das negociações de fusão com a Azul, e a Toyota paralisou a produção no país após um temporal destruir sua fábrica de motores em São Paulo. No campo macroeconômico, a prévia da inflação (IPCA-15) acelerou para 0,48% em setembro, puxada principalmente pela alta de 12% nas tarifas de energia elétrica. No cenário global, a mudança estrutural no TikTok dominou as manchetes. Oracle, Silver Lake e o fundo soberano MGX, de Abu Dhabi, assumiram o controle de 45% da operação nos Estados Unidos, consolidando a “americanização” da plataforma e atendendo às pressões regulatórias de Washington. A Casa Branca, por sua vez, avaliou o negócio em cerca de US$ 14 bilhões, valor considerado abaixo das expectativas do mercado. Ainda nos EUA, o governo anunciou tarifas que variam entre 25% e 100% sobre produtos farmacêuticos, caminhões e móveis, ampliando as tensões comerciais globais. A Amazon também foi obrigada a pagar US$ 2,5 bilhões em multas a consumidores do Prime após acusações de ofertas enganosas. No setor agrícola, a Argentina atraiu cerca de US$ 7 bilhões em investimentos com a redução de impostos sobre grãos, fortalecendo suas reservas cambiais. Enquanto isso, o Uruguai vetou novamente a compra de frigoríficos da Marfrig pela Minerva, e o excesso de produção de soja começa a preocupar produtores ao pressionar os preços e ameaçar margens de lucro. O conjunto de fatores reforça um ambiente global de incerteza, com impactos diretos no comércio, nas cadeias produtivas e na dinâmica dos mercados financeiros.

MCall | 25/09/2025: Citi vende Banamex, Alcolumbre recua e EUA articulam resgate bilionário para Milei

O cenário econômico global segue aquecido, com movimentos estratégicos no sistema financeiro, tensões políticas no Brasil e iniciativas bilionárias de apoio internacional. A quinta-feira foi marcada por decisões que podem redefinir a dinâmica dos mercados nos próximos meses. No Brasil, a PEC da Blindagem foi oficialmente arquivada por Davi Alcolumbre após rejeição unânime da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), encerrando — ao menos por ora — uma das pautas mais polêmicas do Congresso. Apesar do recuo, outras medidas seguem avançando, como a exclusão dos gastos com tarifaço da meta fiscal e o aumento do Imposto de Renda sobre investimentos. No setor privado, a Cosan segue movimentando o mercado ao negociar um empréstimo de R$ 750 milhões com o Bradesco, recurso que deve ser utilizado no aumento de capital de R$ 10 bilhões anunciado anteriormente. Enquanto isso, a Petrobras recebeu a aprovação final do Ibama para explorar a Foz do Amazonas, e o Assaí entrou com um processo contra o GPA e o grupo Casino para evitar assumir dívidas tributárias. No cenário internacional, os Estados Unidos articulam um pacote de resgate de US$ 20 bilhões destinado à Argentina, em uma tentativa de fortalecer o governo Milei em meio ao ambiente eleitoral conturbado e ao risco de instabilidade econômica no país. A China, por sua vez, intensifica sua estratégia de consolidar influência no mercado global ao disputar com o Reino Unido o papel de principal custodiante de reservas de ouro soberanas. O país asiático já acumula 2.235 toneladas do metal, mas planeja ampliar significativamente sua participação nesse mercado estratégico. No setor corporativo, o Citi anunciou a venda de sua participação de 25% no Banamex, um dos mais tradicionais bancos do México, para o empresário Fernando Chico Pardo. A operação reforça a tendência de reestruturação no setor bancário global, ao mesmo tempo em que a China e os EUA intensificam movimentos geopolíticos com implicações diretas na economia mundial.