MCall | 21/11: Brasil & Mundo: os movimentos que marcaram o cenário econômico

O mercado brasileiro e internacional finalizou a semana com uma série de acontecimentos relevantes — alguns esperados, outros surpreendentes — que ajudam a compor o quadro econômico e político para os próximos meses. A seguir, um panorama completo, organizado por temas, para facilitar seu entendimento. Brasil: tensões corporativas, decisões políticas e movimentações industriais A semana foi marcada por novidades importantes no universo corporativo. No México, a Braskem Idesa — joint venture da Braskem — não pagou cupons de dívida e entrou em período de carência, medida tomada para evitar um default imediato. Um detalhe curioso chamou atenção do mercado: o controlador da Idesa é Carlos Slim, um dos homens mais ricos do mundo, e há rumores de que ele estaria comprando títulos em circulação para aumentar sua participação no negócio. No ambiente jurídico, os gastos continuam impressionantes: só Master e controlador desembolsaram mais de R$ 500 milhões em honorários advocatícios. O comentário recorrente no mercado continua fazendo sentido: empresas brasileiras podem ir e vir — mas advogados nunca deixam de prosperar. Ainda no setor industrial, uma novidade relevante: a Stellantis vai produzir no Brasil os carros da chinesa Leapmotor, empresa fundada em 2015 e ainda pouco conhecida por aqui. O país será o primeiro fora da China a fabricar modelos da marca, reforçando o movimento de montadoras chinesas acelerando presença global via parcerias estratégicas. No campo político, o presidente Lula indicou Jorge Messias para a vaga de Barroso no STF, escolha que enfrenta resistência no Senado. Davi Alcolumbre, por sua vez, já prepara uma pauta desafiadora para colocar pressão no processo. Também no ambiente financeiro, o presidente do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) afirmou que os reembolsos referentes ao caso Master devem começar em 2025, trazendo algum horizonte temporal para investidores impactados. Agro: alívio tarifário e movimentações regulatórias O setor agroexportador brasileiro recebeu uma boa notícia: o governo Trump anunciou a retirada das tarifas de 40% sobre café, suco de laranja e carne bovina do Brasil, medida que tende a beneficiar produtores e exportadores desses segmentos. Ao mesmo tempo, no setor de energia e combustíveis, o fundador da Inpasa solicitou ao Cade autorização para continuar investindo na Vibra, movimento que pode reconfigurar participações no setor. Mundo: empregos nos EUA, volatilidade nas Bolsas e corrida por negócios estratégicos Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho surpreendeu: foram criados 119 mil postos de trabalho em setembro, acima do esperado, mas, paradoxalmente, a taxa de desemprego subiu para 4,4%. O resultado mexeu com o humor dos investidores. A Nasdaq, que abriu em alta de +2%, virou fortemente e fechou em queda de –2,38%, refletindo a redução das chances de corte de juros nas próximas reuniões do Federal Reserve. Na Europa, duas gigantes da aviação — Lufthansa e Air France-KLM — demonstraram interesse em adquirir parte da TAP, recentemente privatizada pelo governo português. Vale lembrar que a TAP já havia sido privatizada em 2015, quando foi vendida para o consórcio liderado por David Neeleman, fundador da Azul. A pandemia, porém, mudou o cenário e a companhia acabou sendo resgatada pelo governo. Na América do Sul, a Argentina registrou superávit comercial de US$ 800 milhões em outubro, número acima das expectativas e um alívio para a economia local. Outro movimento interessante no cenário global é o aumento dos investimentos de famílias bilionárias no setor de defesa, impulsionado pelo avanço das tensões geopolíticas em várias regiões do mundo.
MCall | 19/11/2025: Liquidação do Banco Master dispara corrida ao FGC e sacode Brasília, enquanto China retoma compras bilionárias de soja dos EUA

A quarta-feira foi marcada por um daqueles dias em que o mercado parece andar em solo instável. A liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, somada à prisão de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal, segue reverberando com força no sistema financeiro e no ambiente político. O impacto imediato ficou visível até fora da bolsa: o aplicativo do FGC se tornou o app mais baixado nos iPhones, superando o ChatGPT, em um movimento claro de busca por informação e proteção após a intervenção. No mercado, o Ibovespa encerrou em queda de 0,30%, ainda assim acumulando 4,67% no mês. Cogna liderou as altas, enquanto MBRF — afetada diretamente pelo setor financeiro — registrou a maior queda. A volatilidade se espalhou também pelos volumes negociados, com destaque para AURE3, CVCB3 e MBRF3, todas operando com intensidade acima da média. O caso Master ganhou novos contornos. O Rioprevidência confirmou ter investido R$ 2,6 bilhões em fundos ligados ao grupo, enquanto a Oncoclínicas informou exposição contábil de R$ 216 milhões, o que derrubou ONCO3 em 13%. O Will Bank foi incluído no Raet do BC, mas ficou fora da liquidação, preservando operações. Politicamente, o episódio pode chegar ao Supremo nos próximos dias, uma vez que a PF investiga nomes com foro privilegiado envolvidos no caso. Ainda em Brasília, Lula comunicou a Pacheco sua decisão de indicar Messias ao STF e sancionou a lei que proíbe linguagem neutra na administração pública. No mesmo dia, o presidente do BRB foi afastado em meio ao impacto da crise do Master, e o governador Ibaneis nomeou um funcionário da Caixa para assumir a instituição. O FGC, agora no centro das atenções, informou que 1,6 milhão de investidores deverão ser indenizados, um número expressivo que explica a corrida aos canais oficiais. Outros desdobramentos do setor incluem a Emae, que revelou ter investido R$ 160 milhões em CDBs do Master, e o avanço da parceria comercial entre Americanas e Magalu, que passarão a vender produtos nos sites uma da outra. No agro, um movimento relevante no cenário internacional: a China realizou sua maior compra de soja dos Estados Unidos em dois anos, após uma trégua comercial. A demanda chinesa dá novo fôlego ao setor, que vinha enfrentando incertezas quanto ao ritmo de importações. No panorama global, Trump registrou 38% de aprovação — a menor desde seu retorno à Casa Branca — e a Câmara dos EUA aprovou o projeto que libera documentos do caso Epstein. Em política externa, a visita do príncipe herdeiro saudita aos EUA chamou atenção por ser a primeira desde o assassinato de Jamal Khashoggi. O dia sintetizou um Brasil em estado de alerta no sistema financeiro, pressionado politicamente e observando movimentos globais que podem alterar dinâmicas comerciais e geopolíticas. Entre intervenções, investigações, corrida a garantias e rearranjos econômicos, o investidor segue navegando uma semana que promete ser decisiva.
MCall | 18/11/2025: Banco Central liquida o Master após prisão de Vorcaro, enquanto Buffett aposta alto no Google

O mercado financeiro acordou nesta terça-feira sob forte turbulência. Em uma decisão drástica, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após suspeitas de fragilidade patrimonial. Paralelamente, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição, em meio a investigações por possíveis irregularidades. A medida sinaliza um choque nas expectativas sobre o sistema financeiro brasileiro. No pregão, o Ibovespa caiu 0,47%, interrompendo parte do fôlego acumulado no mês, que ainda acumula alta de 4,98%. Entre os destaques, MBRF (MBRF3) subiu 4,92%, enquanto Rumo (RAIL3) despencou 9,08%, refletindo preocupações com o impacto da liquidação do Master sobre cadeias logísticas e crédito. A intervenção do BC significa que a instituição financeira será desativada sob o regime de liquidação, com um liquidante assumindo a apuração de ativos e passivos. A prioridade legal na liquidação garantirá alguma proteção a depositantes e credores, mas a complexidade das operações feitas pelo Master torna o processo potencialmente longo e contencioso. O episódio reforça o risco sistêmico que pode voltar a assombrar bancos médios altamente alavancados. O grupo Fictor, que já vinha negociando para assumir participação no Master, agora se vê em uma posição estratégica. A expectativa é que ele faça uma oferta formal para adquirir parte relevante dos ativos remanescentes — algo que pode redesenhar o mercado de bancos médios no país. Fontes do mercado falam em consórcio com investidores estrangeiros, sinalizando que há capital doméstico e internacional pronto para capitalizar essa oportunidade. A semana teve ainda outro grande movimento: a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, comprou US$ 4,9 bilhões em ações da Alphabet, controladora do Google. A aposta reforça a confiança do bilionário no potencial de longo prazo das empresas de tecnologia, mesmo em meio às incertezas econômicas globais. No Brasil, a escassez de engenheiros qualificados continua sendo um tema estrutural: dos cerca de 150 mil engenheiros civis registrados no CREA-SP, apenas 17% emitiram a anotação de responsabilidade técnica em 2025, segundo o presidente do Sinduscon-SP. A falta de mão de obra pode limitar a execução de projetos de infraestrutura e expansão industrial. No agronegócio, a Rumo assombrou o mercado com queda nos lucros, atribuída a tarifas médias 6,3% mais baixas e custos crescentes. Já a Mantiqueira consolidou sua posição como a quarta maior produtora mundial de ovos, demonstrando força e resiliência exportadora mesmo em cenário volátil. No plano internacional, os Estados Unidos confirmaram a venda de caças F-35 para a Arábia Saudita, um movimento controverso que reforça alianças estratégicas, mas pode gerar tensões diplomáticas. Ao mesmo tempo, houve uma queda de 17% nas novas matrículas de estudantes internacionais nos EUA, sinalizando uma desaceleração potencial no fluxo educacional global. Para completar, a Amazon captou US$ 15 bilhões em sua mais recente emissão de títulos, reforçando sua estratégia de expansão e investimento mesmo em tempos de cautela econômica. Em síntese, o cenário atual mistura risco sistêmico local — com a liquidação do Banco Master — com apostas ousadas de longo prazo em tecnologia. Para o investidor, o momento exige atenção: oportunidades emergem tanto na reconstrução do sistema financeiro quanto em empresas globais que se movem na fronteira da inovação.
MCall | 17 de novembro | Harvard compra Bitcoin, Caixa financia imóveis de alto padrão e tarifas de Trump caem

A semana começou com mudanças relevantes no mercado financeiro e no cenário macroeconômico global. O Ibovespa fechou a última sexta-feira em alta de 0,37%, acumulando 5,48% de valorização no mês. A MBRF3 liderou as altas, com avanço de 11,98%, enquanto YDUQ3 registrou a maior queda, de 6,94%. Chamaram atenção também ações com forte volume negociado acima da média, como IRBR3, HAPV3 e CPFE3, o que indica maior percepção de risco e reposicionamento de investidores em setores específicos. A notícia que mais repercutiu no universo dos investimentos veio de Harvard. Considerada uma das instituições mais conservadoras do mundo, a universidade triplicou sua exposição ao Bitcoin, adquirindo cerca de 442,8 milhões de dólares em criptomoedas, equivalente a 0,6% do seu endowment — o maior fundo universitário do planeta, que supera 57 bilhões de dólares. Os endowments são geridos com visão de longo prazo, avessos a risco e extremamente diversificados. A decisão reacende o debate sobre o espaço das criptos nas carteiras de investidores comuns e reforça um movimento global de legitimação de ativos digitais no mercado institucional. No Brasil, o crédito imobiliário ganhou um novo capítulo com o anúncio de que a Caixa Econômica Federal voltará a financiar imóveis acima de 2,25 milhões de reais. A medida, porém, incluirá uma exigência inédita: projetos deverão atender critérios ambientais, incorporando eficiência energética, tecnologias sustentáveis e redução de impacto ecológico. A iniciativa dialoga com a agenda ESG e pode estimular a construção de empreendimentos de alto padrão com certificações verdes. O cenário do emprego também trouxe números históricos. A taxa média de desemprego no país ficou em 5,6%, a menor desde 2012. Santa Catarina e Mato Grosso registraram os melhores índices, com 2,3%, enquanto Pernambuco e Amapá apresentaram os maiores percentuais, de 10% e 8,7%, respectivamente. No comércio exterior e no agronegócio, o Brasil alcançou um recorde de exportações em outubro, somando 15,5 bilhões de dólares em vendas do setor. Ao mesmo tempo, um movimento do governo Donald Trump retirou tarifas sobre carne e café, mas exportadores brasileiros argumentam que a medida, ao contrário de fortalecer o país, pode aumentar a competição e piorar as condições comerciais. O ambiente corporativo foi marcado por movimentações relevantes. A Mantiqueira, recentemente adquirida pela JBS, comprou a norte-americana Hickman’s Egg Ranch por pouco mais de 300 milhões de dólares. A Sony garantiu os direitos do personagem Labubu, que agora deve ser transformado em franquia cinematográfica. A BHP foi condenada pela Justiça inglesa em processo envolvendo o rompimento da barragem em Mariana, enquanto a falência da Oi foi suspensa após pedido do Bradesco. Outras tendências do mundo empresarial incluem o treinamento de funcionários para atuarem como influenciadores corporativos, prática que se espalha entre grandes companhias. No cenário internacional, a Nike encerrou o benefício de folga anual concedido aos funcionários para ações de bem-estar, em um movimento que reflete o novo equilíbrio de forças entre empresas e trabalhadores após o período de protagonismo do bem-estar corporativo. A Suíça obteve redução tarifária dos Estados Unidos, que passou para 15%, em troca de promessas de investimentos de 200 bilhões de dólares na economia americana. A China, por sua vez, acusou os Estados Unidos de envolvimento no roubo de 13 bilhões de dólares em bitcoins durante 2020, adicionando nova tensão às relações entre as duas potências. Os movimentos de hoje revelam uma economia em transformação: universidades conservadoras entram definitivamente no mercado de criptomoedas; o Brasil reorganiza seu crédito imobiliário e amplia seu peso no agronegócio; grandes empresas se reposicionam diante de novas formas de gestão de pessoas; e o comércio internacional passa por renegociações que podem redefinir parcerias estratégicas. Em meio a tantas transições, investidores atentos encontram oportunidades para fortalecer sua visão de longo prazo e ajustar com inteligência seus portfólios.
MCall | 14/11: SoftBank despenca em meio ao medo sobre valuations de IA — e o silêncio do mercado preocupa

O pregão desta sexta-feira foi marcado por uma combinação de alertas que atravessam Brasil e mundo, com o destaque mais sensível vindo do Japão: o SoftBank voltou a despencar, acumulando três dias de queda e perdendo 8% apenas hoje. O movimento reforça uma preocupação crescente — mas pouco discutida no Brasil — sobre os valuations de empresas de inteligência artificial. A distância entre expectativas e resultados financeiros começa a incomodar analistas globais, desenhando paralelos incômodos com períodos de euforia excessiva, como o pré-Covid. No mercado doméstico, o Ibovespa caiu 0,30%, mas segue positivo no acumulado do mês. O movimento de queda foi acompanhado por um episódio extraordinário: as ações da Hapvida desabaram mais de 42%, pressionadas pelo salto na sinistralidade. O papel registrou volume de negociações quase 22 vezes acima do normal, ocupando o topo do rastreador de volatilidade. MRV, por sua vez, liderou as altas do dia. A agenda corporativa trouxe duas transações relevantes: a venda do Hospital Vila da Serra pela Oncoclínicas por R$ 130 milhões e a aquisição da VOLL pela Warburg Pincus por US$ 129 milhões. Os movimentos sinalizam uma retomada seletiva do apetite em setores estratégicos — saúde e tecnologia aplicada à mobilidade corporativa. No Brasil, o debate fiscal voltou ao centro das atenções. Segundo o Tesouro, títulos isentos custam R$ 60 bilhões aos cofres públicos, com impactos diretos sobre a necessidade de juros mais altos. O tema se conecta ao avanço da “corrida da isenção”: empresas como Vale e Ambev estudam distribuir dividendos extras ainda em 2025 para escapar da nova tributação prevista para 2026. A economia real trouxe sinais mistos. O varejo caiu 0,3% em setembro, e o Ministério da Fazenda revisou para baixo a projeção de PIB para 2025, agora estimada em 2,2%, com inflação acima da meta. A Petrobras avalia reduzir seu plano de investimentos, enquanto o Mubadala avança nas negociações para comprar o Will Bank — movimento considerado crucial para aliviar a pressão sobre o Master. No agro, o Banco do Brasil volta sua estratégia para operações com garantia após as perdas recentes com inadimplência. JBS reportou queda de 15% no Ebitda, reflexo do ciclo do gado nos EUA, e o tarifaço continua pesando sobre exportações de madeira e café. Lá fora, os EUA anunciaram novos acordos bilaterais com países latino-americanos. A China registrou o índice de Xangai no maior nível da década, sustentado por dados econômicos mais robustos. A Tesla convocou recall de baterias devido a risco de incêndio, enquanto a moeda de 1 centavo de dólar teve sua última produção após mais de 200 anos de circulação. O pano de fundo global mostra um mercado inquieto, ainda assim silencioso, diante do risco de que expectativas exageradas sobre IA possam desencadear correções mais abruptas. A queda persistente do SoftBank funciona como alerta precoce — um daqueles que, quando ignorados, o mercado costuma lembrar tarde demais.
MCall | 13/11: Lucro do Banco do Brasil despenca 60% com salto da inadimplência no agro e família Diniz deixa o Carrefour após dez anos

O Banco do Brasil registrou queda de 60% no lucro do terceiro trimestre, reflexo direto do avanço da inadimplência no agronegócio. A taxa de calotes no setor subiu de 3,49% para 5,34%, afetando o resultado do banco e acendendo alerta para o crédito rural. Apesar do impacto, a instituição reforçou que o desempenho ainda se mantém sólido em outras frentes e que o portfólio de crédito segue diversificado. No mercado, o Ibovespa encerrou o pregão em leve queda de 0,07%, interrompendo uma sequência de altas, mas ainda acumula valorização de 5,41% no mês. Entre os destaques, CSN (CSNA3) subiu 5,05%, enquanto CVC (CVCB3) recuou 8,33%. Outro movimento relevante do dia foi a saída da família Diniz do Carrefour Global, encerrando uma parceria de dez anos. A família francesa Saade passa a ser a principal acionista do grupo, com 4% de participação, marcando uma nova fase para a gigante do varejo. No cenário internacional, o Congresso dos Estados Unidos aprovou acordo para encerrar o impasse orçamentário e evitar o “shutdown” do governo, que já durava 43 dias — o mais longo da história do país. Enquanto isso, novas sanções americanas à Rússia pressionam o mercado de petróleo, que vê o custo do frete marítimo disparar para US$ 100 mil por dia. O dia ainda foi marcado pela notícia de que Espanha e Marrocos avançam no projeto de um túnel submarino ligando Europa e África, e que o Mercosul se prepara para iniciar negociações comerciais com o Reino Unido. O clima de incerteza global, somado à pressão do agro sobre o setor financeiro, reforça a necessidade de atenção dos investidores a ativos defensivos e oportunidades de diversificação.
MCall | 12 nov: Cartões terão que garantir pagamentos e Mercedes F1 é avaliada em US$ 6 bilhões

O cenário brasileiro segue em transformação, com decisões regulatórias que moldam o setor de pagamento e o ambiente de empreendimentos globais lançando luz sobre o valor dos ativos ativos de prestige. No Brasil, o governo assinou um decreto que impõe às bandeiras de cartões a obrigação de garantir o repasse dos pagamentos aos lojistas em caso de falhas de emissores ou credenciadoras. A medida visa assegurar que, se bancos ou maquininhas deixarem de operar, os lojistas não fiquem sem recebimento, transferindo a responsabilidade para as redes de cartões. Isso amplia o risco das bandeiras e pode elevar custos ou repassar encargos ao comerciante. Outro destaque nacional aponta para o setor de alimentação corporativa: foi anunciado um teto de 3,6% nas taxas cobradas das máquinas de refeição, além de prazo máximo de 15 dias para liquidação das transações — queda significativa frente aos cerca de 30 dias praticados até agora. Essa intervenção estatal atingirá diretamente empresas como Edenred, Alelo e Pluxee, que já haviam alertado para impacto relevante em seu EBITDA em 2026. Além, pesquisa mostrou que a aprovação do governo Luiz Inácio Lula da Silva caiu para 47%, segundo a Genial/Quaest — um reflexo da persistente vulnerabilidade política em ambiente econômico como o atual. No campo internacional, o valor da principal equipe da Fórmula 1, a Mercedes AMG Petronas F1 Team, foi estimado em cerca de US$ 6 bilhões, segundo negociações em andamento. A avaliação reforça como os ativos de entretenimento & esporte se tornaram arenas de investimento global, concorrendo com tecnologia e infraestrutura. Essa dinâmica vem em momento em que os investidores buscam diversificação para além do setor tradicional de tecnologia. Além disso, o país sede da conferência COP30, Belém, recebeu cerca de 60 000 visitantes num esforço extraordinário de infraestrutura, com investimentos próximos de US$ 1 bilhão, gerando debate sobre o custo-benefício ambiental e social desse evento no coração da Amazônia. Em síntese: a agenda regulatória brasileira avança com decisões que aumentam proteção ao lojista e pressionam os modelos de negócio das intermediadoras de pagamento, enquanto no mundo do esporte e do investimento global os ativos de “branding” atingem patamares de valuation impensados há pouco tempo. Para o investidor atento, o momento exige olhar além das ações convencionais: é preciso mapear quem vai absorver os custos dessas mudanças regulatórias e quem vai se beneficiar das novas fronteiras de investimento.
MCall | 11/11/2025: Justiça decreta falência da Oi e Tesla enfrenta queda histórica na China

A semana começou com notícias de grande impacto no Brasil e no exterior. No cenário doméstico, a Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência da Oi, encerrando uma das mais longas e emblemáticas recuperações judiciais da história do país. A decisão marca o fim de uma era para o setor de telecomunicações e abre um novo capítulo sobre os desafios de gestão, endividamento e transformação digital em grandes companhias nacionais. A B3 suspendeu as negociações das ações da operadora, e o processo de liquidação dos ativos deverá movimentar o mercado nos próximos meses. Além disso, o Brasil concluiu uma emissão externa de títulos sustentáveis, captando US$ 2,25 bilhões. O movimento reforça o interesse internacional por papéis ligados a práticas ESG e fortalece a imagem do país às vésperas da COP30. Em paralelo, a Vale anunciou planos para reduzir sua dependência da China, com foco em novos mercados como Índia e Vietnã — uma estratégia que busca mitigar riscos em meio à desaceleração global e às flutuações do preço do minério. Outros destaques incluem a consolidação da Cosan, com Rubens Ometto firmando acordo de acionistas com BTG Pactual e Perfin, e a venda da Maternidade Star, da Rede D’Or, por R$ 223 milhões. O setor corporativo segue em movimento de reestruturação e ajustes estratégicos, refletindo o momento de cautela e busca por liquidez. No mercado internacional, a Tesla registrou uma queda nas vendas na China, atingindo o menor patamar em três anos. A desaceleração da economia chinesa e a forte concorrência das montadoras locais têm pressionado a empresa de Elon Musk, que enfrenta desafios crescentes para manter margens e participação de mercado. A notícia impactou as ações da companhia e reacendeu o debate sobre o ritmo da transição energética global. Ainda nos Estados Unidos, após duas décadas de disputas judiciais, Visa e Mastercard chegaram a um acordo com varejistas para reduzir parte das taxas cobradas e permitir que comerciantes recusem cartões premium — um marco para o setor financeiro norte-americano. Com falências emblemáticas, reestruturações estratégicas e ajustes no comércio global, o início da semana reforça o tom de cautela e transformação que tem dominado o ambiente econômico mundial.
MCall | 10/11/2025: Trump promete US$ 2 mil a americanos e governo inclui Tesouro Direto no Pé-de-Meia

O cenário econômico global começou a semana com novas promessas e ajustes de rota. Nos Estados Unidos, Donald Trump anunciou que pretende pagar US$ 2 mil a cada americano com recursos arrecadados do tarifaço — uma medida populista com potencial de impacto fiscal relevante e que pode reacender discussões sobre estímulos e inflação. A proposta gerou entusiasmo entre parte do eleitorado, mas também preocupações sobre sustentabilidade orçamentária e efeitos de curto prazo no consumo. No Brasil, o destaque ficou por conta da ampliação das opções de investimento do programa Pé-de-Meia, que agora passa a incluir o Tesouro Direto. A mudança oferece aos estudantes uma alternativa mais rentável do que a poupança, alinhando o programa à educação financeira e incentivando o acesso a produtos de investimento público. A iniciativa é vista como um avanço no incentivo à poupança de longo prazo entre jovens de baixa renda. Enquanto isso, a CVM busca na Justiça o fim do sigilo de informações financeiras da Ambipar, envolvida em um processo de recuperação judicial que levantou dúvidas sobre a real situação de caixa da companhia. O episódio reforça o debate sobre transparência corporativa e governança em empresas listadas. Outros indicadores chamaram atenção no cenário doméstico: as apostas online já consomem 13% do orçamento familiar destinado à alimentação, segundo levantamentos recentes, mostrando uma mudança preocupante nos hábitos de consumo das famílias. Além disso, a inadimplência em condomínios atingiu 11,95%, o maior patamar desde 2022, refletindo a persistência das pressões de crédito e renda. No campo internacional, a China encerrou a proibição às importações de frango brasileiro, favorecendo o agronegócio nacional, enquanto Trump também voltou a pressionar frigoríficos americanos, acusando-os de elevar artificialmente os preços da carne bovina. O movimento ocorre em meio à tentativa do republicano de reforçar seu discurso econômico voltado ao consumidor médio e ao setor produtivo. A semana começa com os mercados atentos aos desdobramentos dessas medidas — tanto o populismo fiscal norte-americano quanto os ajustes internos no Brasil — que podem influenciar o humor dos investidores e a direção dos próximos indicadores econômicos.
MCall | 07/11/2025: Petrobras paga R$ 12 bi em dividendos e Tesla aprova pacote de quase US$ 1 trilhão para Musk

O Ibovespa encerrou a quinta-feira praticamente estável, com leve alta de +0,03%, acumulando +2,54% no mês. O pregão foi marcado por volatilidade, reflexo das incertezas externas e das discussões sobre política monetária no Brasil. A maior alta ficou com Rede D’Or (RDOR3), que subiu +8,36%, enquanto Minerva (BEEF3) desabou -13,48%, liderando as perdas. Entre os papéis com volume atípico, destaque para BEEF3 (5,60x a média, -13,48%), SMFT3 (4,96x, -4,59%) e RDOR3 (4,53x, +8,36%). A sexta-feira começou com notícias que movimentaram o mercado. A Petrobras anunciou o pagamento de R$ 12,16 bilhões em dividendos, reforçando o papel da estatal como uma das principais fontes de retorno para investidores da bolsa brasileira. O pagamento, ainda que comemorado, reacende debates sobre o equilíbrio entre distribuição de lucros e investimentos estratégicos — especialmente diante das discussões sobre a política de transição energética da empresa. Outra boa notícia veio do mercado internacional de capitais: o Brasil captou US$ 2,25 bilhões em títulos sustentáveis no exterior. A emissão mostra o apetite global por papéis verdes e ocorre em um momento em que o país tenta fortalecer sua imagem às vésperas da COP30, que será realizada em Belém. Como brincou o próprio Bruno: “Tem que aproveitar a COP pra alguma coisa, né?”. No campo fiscal, economistas projetam que a ampliação da faixa de isenção do IR pode gerar um impacto positivo de até 0,6 ponto no PIB, estimulando o consumo das classes média e baixa. Enquanto isso, as discussões sobre o modelo híbrido do Nubank — que abandonará o home office a partir do próximo ano — e a suspensão da bet da Caixa, após cobrança do presidente Lula, dominaram o noticiário corporativo. No Agro, o movimento foi de reestruturação. A SLC Agrícola anunciou um acordo de R$ 1 bilhão com um investidor estrangeiro para ampliar projetos de irrigação na Bahia, mirando produtividade e sustentabilidade. Já a BrasilAgro registrou prejuízo crescente, pressionada por perdas na cana e pela ausência de vendas de fazendas. E o governo de Mato Grosso pediu a falência do “Rei do Algodão”, num episódio que expõe as tensões financeiras no setor. No cenário internacional, as manchetes se dividiram entre IA e Elon Musk. O CEO da Nvidia afirmou que a China vai liderar a corrida da inteligência artificial, impulsionada por energia barata e regulamentação flexível — um eufemismo para “menos restrições de privacidade”. Já os acionistas da Tesla aprovaram o maior pacote de remuneração da história corporativa, avaliado em quase US$ 1 trilhão para Elon Musk. Os gatilhos para que Musk receba o valor são, no mínimo, ambiciosos: a Tesla precisaria saltar de US$ 1,5 trilhão de valor de mercado para US$ 8,5 trilhões em até 10 anos, além de vender 10 milhões de veículos e operar 1 milhão de carros autônomos. Fechando o noticiário global, as ações do SoftBank voltaram a cair forte, pressionadas por novas dúvidas sobre o valuation de startups de IA na Ásia — um sinal de que, mesmo na era da inteligência artificial, a realidade ainda é quem dita o preço.