MCall | 26 de dezembro – Mercado reage bem no pós-Natal enquanto inflação, infraestrutura e energia dominam o radar

O mercado brasileiro voltou do feriado de Natal em tom mais construtivo. O Ibovespa encerrou o último pregão em alta de 1,46%, movimento que levou o índice a acumular ganho de 0,87% no mês. O desempenho refletiu uma combinação de alívio pontual, boas notícias corporativas e leitura mais cautelosa sobre inflação e política monetária.Entre os destaques do dia, a C&A liderou os ganhos com valorização superior a 6%, enquanto a Braskem figurou entre as maiores quedas, recuando quase 5%. O pregão foi marcado por maior apetite a risco, especialmente em ações ligadas ao consumo e a teses específicas, após dias de volatilidade. No campo corporativo, dois negócios chamaram atenção. A Honda anunciou a compra de uma fábrica de baterias da LG nos Estados Unidos por US$ 2,9 bilhões, reforçando a corrida global por autonomia na cadeia de veículos elétricos. Já no Brasil, a Bemobi adquiriu 50,1% da fintech Paytime por R$ 28,1 milhões, ampliando sua atuação em soluções financeiras digitais. Os dados macroeconômicos domésticos trouxeram sinais mistos. A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, subiu 0,25% em dezembro, número que não assusta, mas foi suficiente para esfriar o otimismo em relação a um corte de juros já em janeiro. O mercado passou a deslocar suas apostas para março, indicando que a política monetária segue dependente de confirmações adicionais de desaceleração inflacionária. Na agenda de infraestrutura, a Aena recebeu parecer favorável da Secretaria Nacional de Aviação Civil para estudar a possibilidade de voos internacionais em Congonhas. Embora ainda seja um passo inicial e condicionado a uma série de autorizações, além do interesse das companhias aéreas, o movimento reacende discussões sobre o papel estratégico do aeroporto paulista após a conclusão das obras previstas para 2028. Em paralelo, o BNDES estruturou mais nove concessões de saneamento, com projetos que somam R$ 47 bilhões, reforçando o volume expressivo de investimentos em parcerias público-privadas espalhadas pelo país. No setor público, o Tribunal Superior do Trabalho determinou a manutenção de pelo menos 80% das operações dos Correios durante a greve, reduzindo riscos logísticos em um período sensível para o comércio e serviços. O agro também trouxe novidades relevantes. A Savencia, dona da marca Polenghi, anunciou a compra da Quatá Alimentos, ampliando sua presença no mercado de laticínios. Já no cenário internacional, a soja brasileira mais barata fez com que a China reduzisse compras dos Estados Unidos, reforçando a competitividade do Brasil no comércio global de grãos. No exterior, o Japão deu um passo importante ao se preparar para reiniciar a maior usina nuclear do mundo, 15 anos após o desastre de Fukushima. A decisão reflete a necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis, que hoje respondem por até 70% da geração de eletricidade do país e são majoritariamente importados. Nos Estados Unidos, o PIB avançou 4,3% no terceiro trimestre, atingindo o ritmo mais forte em dois anos, enquanto a política segue pressionando por cortes de juros mais à frente. Na Argentina, dados mostraram uma queda expressiva da pobreza no terceiro trimestre de 2025, sinalizando melhora social após um período prolongado de ajuste econômico. O dia reforça um cenário em que o mercado segue atento a sinais de inflação, decisões de política monetária e grandes movimentos estruturais. Entre investimentos em infraestrutura, reorganizações corporativas e mudanças relevantes no setor energético global, o investidor encerra a semana olhando menos para o ruído de curto prazo e mais para tendências que podem moldar os próximos ciclos econômicos.
MCall | 22 de dezembro – Mercado inicia a semana em tom cauteloso, enquanto capital busca oportunidades fora do ruído

O início da semana trouxe um clima de cautela moderada aos mercados brasileiros. O Ibovespa encerrou a sexta-feira anterior em alta de 0,35%, movimento que ajudou a reduzir levemente as perdas acumuladas no mês, mas sem alterar o pano de fundo ainda desafiador para os ativos locais. A leitura predominante segue sendo de seletividade, com investidores equilibrando oportunidades pontuais e riscos estruturais. No pregão, a Braskem liderou os ganhos, avançando mais de 6%, em um dia marcado por movimentações societárias relevantes. Já a CSN Mineração figurou entre as maiores quedas, refletindo ajustes após uma sequência recente de eventos corporativos envolvendo o grupo. Falando em negócios, a CSN anunciou a venda de uma fatia da MRS por R$ 3,35 bilhões para sua própria subsidiária, a CSN Mineração. A operação reforça o esforço de reorganização financeira do grupo e mostra como grandes empresas seguem buscando liquidez, simplificação de estrutura e eficiência de capital em um ambiente ainda restritivo. No campo doméstico, o governo projeta um 2026 intenso para investimentos em infraestrutura. A expectativa é que leilões do setor movimentem ao menos R$ 148 bilhões, indicando que concessões e parcerias público-privadas continuam sendo uma das principais alavancas de crescimento e atração de capital de longo prazo no país. No setor de energia, Shell e Cosan discutem uma injeção de até R$ 10 bilhões na Raízen, evidenciando a necessidade de reforço de caixa diante de um cenário operacional mais apertado. O agro também trouxe sinais mistos. O preço do cacau no mercado futuro acumulou uma queda de cerca de 50%, embora o impacto no preço final do chocolate ainda seja limitado. Ao mesmo tempo, o Paraná anunciou investimentos de R$ 650 milhões em infraestrutura portuária para ampliar a capacidade de exportação de grãos, enquanto frigoríficos nos Estados Unidos enfrentam risco de fechamento por escassez de gado, o que pode gerar reflexos globais na cadeia de proteínas. No cenário internacional, o noticiário foi marcado por eventos de forte impacto simbólico e financeiro. Elon Musk venceu uma disputa judicial histórica e garantiu o direito a receber um bônus avaliado em cerca de R$ 780 bilhões da Tesla, após decisão favorável que derrubou uma liminar obtida por um acionista minoritário. O episódio reacende debates sobre governança corporativa, remuneração de executivos e ativismo judicial no mercado americano.No campo geopolítico e energético, os Estados Unidos apreenderam mais um petroleiro na costa da Venezuela, ampliando as tensões envolvendo sanções e comércio internacional de petróleo. Ao mesmo tempo, dados recentes mostraram que o desemprego nos EUA atingiu o maior nível em quatro anos, um sinal que pode complicar a leitura sobre o momento certo para uma pausa definitiva no ciclo de juros. O dia deixa claro que o mercado entra na última semana cheia do ano com atenção redobrada. Entre reorganizações corporativas, investimentos estruturais e sinais de desaceleração global, o investidor segue sendo desafiado a filtrar ruídos, identificar valor e manter uma estratégia consistente em um cenário que continua exigindo disciplina e visão de longo prazo.
MCall | 19 de dezembro – Sexta-feira de alívio pontual na Bolsa, mas com sinais claros de estresse econômico

A sexta-feira trouxe um leve respiro para o mercado acionário brasileiro, com o Ibovespa encerrando o pregão em alta de 0,38%. Apesar do avanço, o índice segue negativo no acumulado do mês, refletindo um ambiente ainda marcado por incertezas fiscais, desaceleração econômica e fragilidade financeira de empresas e setores estratégicos. O movimento positivo do dia foi puxado principalmente por ações ligadas à energia e commodities, com destaque para a Brava Energia, que subiu mais de 6% em um pregão marcado por volume atípico. Ainda assim, o tom geral do mercado permaneceu defensivo, com investidores atentos ao aumento do risco de crédito e à deterioração de indicadores domésticos. No campo fiscal e político, o Senado aprovou um projeto que reduz benefícios fiscais e amplia a tributação sobre bets e fintechs, reforçando a estratégia do governo de buscar recomposição de receitas via aumento de impostos. A decisão ocorre em um momento delicado, em que a inadimplência empresarial atinge um recorde histórico: 8,7 milhões de empresas brasileiras estão hoje com pagamentos em atraso, evidenciando o impacto combinado de juros elevados, crescimento econômico fraco e aumento de custos. Outro ponto que chamou atenção foi a crescente dependência do consumo brasileiro de produtos importados. A participação de bens estrangeiros no consumo chegou a 26,7%, o maior nível da série histórica. O dado reforça a leitura de uma economia cada vez mais dolarizada, em que a proteção patrimonial e a diversificação cambial passam a ganhar ainda mais relevância na estratégia dos investidores. No noticiário corporativo, o dia foi marcado por movimentações relevantes. A Aegea contratou bancos e sinalizou planos para um IPO em 2026, enquanto a venda da Ligga Telecom segue avançando com quatro interessados. Já no varejo, a controladora da Riachuelo vendeu o shopping Midway Mall por R$ 1,6 bilhão, anunciando a distribuição dos recursos aos acionistas na forma de dividendos. No setor de infraestrutura, consórcios liderados por BRK, Acciona e Pátria conquistaram concessões de saneamento em Pernambuco, com outorga total de R$ 4,25 bilhões, reforçando o apetite por ativos de longo prazo mesmo em um ambiente macro desafiador. No cenário internacional, o destaque ficou para a confirmação da venda do controle do TikTok nos Estados Unidos a um consórcio liderado por Oracle, Silver Lake e o fundo árabe MGX, reduzindo drasticamente a participação chinesa na operação americana da empresa. O movimento simboliza o avanço das tensões geopolíticas e regulatórias no setor de tecnologia. Outro sinal de alerta veio de Cuba, que promoveu uma desvalorização superior a 200% de sua moeda local em meio à crise econômica, ilustrando os efeitos extremos de desequilíbrios fiscais e cambiais prolongados. Em contraste, nos Estados Unidos, o núcleo da inflação desacelerou para 2,6% em novembro, o menor nível desde 2021, reforçando a expectativa de um ciclo de juros mais benigno à frente. O pregão encerrou a semana com um recado claro: apesar de movimentos pontuais de alívio nos mercados, o pano de fundo segue exigindo cautela. O aumento da inadimplência, a pressão fiscal e a maior dependência de importações reforçam a necessidade de seletividade, gestão de risco e visão de longo prazo em um cenário que permanece desafiador para empresas e investidores.
MCall | 18 de dezembro – quinta-feira de ruído fiscal, judicializações e novas fontes de arrecadação

A quinta-feira foi marcada por mais um pregão de cautela no mercado brasileiro, com o Ibovespa recuando 0,79% e aprofundando a perda acumulada no mês. O movimento refletiu um ambiente ainda carregado de incertezas fiscais, ruídos regulatórios e sinais claros de aumento da intervenção estatal em setores estratégicos. No centro das atenções esteve novamente o setor elétrico. O governo sinalizou que pode judicializar o impasse envolvendo a proposta da Axia na Eletrobras, especialmente em relação à estrutura de dividendos com ações preferenciais. A possibilidade de mais uma disputa judicial reforça a percepção de insegurança jurídica e reacende o debate sobre o papel do Estado em empresas com capital pulverizado, aumentando o prêmio de risco exigido pelos investidores. O Congresso também avançou em uma agenda de aumento de arrecadação. Foi aprovado um projeto que corta isenções tributárias, amplia a tributação sobre fintechs, juros sobre capital próprio e apostas online, além de liberar R$ 22,45 bilhões no Orçamento de 2026. O movimento reforça a leitura de que, diante da fragilidade do arcabouço fiscal — já dado como “morto” por lideranças industriais —, a estratégia do governo segue baseada em elevação de impostos, e não em controle estrutural de gastos. Nesse contexto, chama atenção o crescimento acelerado das apostas online. As bets já representam 23% de toda a arrecadação das Loterias Caixa, consolidando-se como uma nova e relevante fonte de receita para o Estado. O dado evidencia não apenas uma mudança de comportamento do consumidor, mas também o apetite do governo em capturar essa base tributária em expansão. No ambiente corporativo, o destaque ficou para a compra da Vital pela Orizon, em um negócio de R$ 3 bilhões, avaliado a 5,7 vezes o Ebitda. A operação mostra que, mesmo em um cenário macroeconômico desafiador, há espaço para consolidações relevantes, especialmente em setores ligados à infraestrutura e sustentabilidade. Em contrapartida, a Unigel segue pressionada, com a recuperação judicial de R$ 17 bilhões colocando em risco o controle da família Slezynger sobre a companhia. O Brasil também registrou um recorde positivo no turismo, ao receber 9 milhões de estrangeiros em um único ano, reforçando a resiliência do setor de serviços e seu potencial de geração de divisas. No cenário internacional, a Argentina avançou na flexibilização da política cambial em busca de reforçar suas reservas, enquanto grandes investidores voltaram a vender bitcoin, pressionando o mercado de criptoativos. O petróleo subiu mais de 2% após medidas dos Estados Unidos envolvendo a Venezuela, e a inflação no Reino Unido recuou para 3,2%, aumentando a expectativa de corte de juros. Já a Fitch rebaixou o rating da Colômbia para BB, citando preocupações com a trajetória da dívida. O dia reforçou um pano de fundo conhecido: um mercado sensível à combinação de incerteza fiscal, maior intervenção do Estado e busca constante por novas fontes de arrecadação. Em um ambiente assim, o investidor segue exigindo cautela, seletividade e atenção redobrada aos riscos regulatórios e macroeconômicos.
MCall | 17 de dezembro – Quarta-feira de aversão a risco: energia, China e a fragilidade do mercado brasileiro

A quarta-feira foi marcada por um forte movimento de correção nos mercados, com o Ibovespa recuando 2,40% e devolvendo os ganhos acumulados no mês, que agora volta ao território negativo. O dia refletiu um ambiente claro de aversão a risco, pressionado por fatores domésticos e externos que reacenderam alertas importantes para investidores. No Brasil, o setor de energia ganhou protagonismo após o anúncio do avanço da Aneel contra a Enel em São Paulo. A possibilidade de caducidade da concessão trouxe incerteza regulatória ao mercado e abriu discussões sobre potenciais compradores dos ativos da companhia. O movimento serve como alerta para outras concessionárias que operam com níveis elevados de insatisfação operacional e reforça a percepção de maior rigor do poder concedente. Outro ponto de atenção veio da indústria. As importações de aço seguiram disparando em 2025, com forte pressão sobre o setor nacional. A desaceleração da economia chinesa tem levado o país a inundar mercados globais com produtos a preços mais baixos, intensificando disputas comerciais e estimulando medidas de proteção ao redor do mundo. No Brasil, a dependência é evidente: 64% das importações de laminados já vêm da China. No mercado corporativo, a B3 revelou que 54 empresas estão prontas para buscar um IPO assim que a janela de mercado reabrir. O dado reforça que há demanda reprimida e projetos maduros, mas que seguem travados pelo ambiente macroeconômico, pela volatilidade e pelo custo de capital ainda elevado. O pregão também foi impactado pela forte queda das commodities. O petróleo recuou para abaixo de US$ 55 o barril, menor patamar desde 2021, pressionando ações ligadas ao setor e ampliando preocupações sobre desaceleração global. Em paralelo, a Ford anunciou perdas bilionárias com sua divisão de veículos elétricos, evidenciando os desafios de rentabilidade da transição energética. No campo doméstico, dados como a deflação no seguro de automóveis e o aumento da busca por geradores de energia em São Paulo — impulsionada pelo apagão recente — adicionaram ruído ao debate econômico e regulatório, enquanto reforçam fragilidades estruturais em infraestrutura e serviços essenciais. No cenário internacional, os números do payroll nos Estados Unidos vieram acima do esperado, enquanto a Argentina surpreendeu com crescimento de 3,3% no PIB do terceiro trimestre, mostrando realidades econômicas bastante distintas entre países emergentes. O dia foi, portanto, de ajuste e recalibração. Mais do que um movimento pontual, a quarta-feira reforçou que o mercado segue extremamente sensível a riscos regulatórios, desaceleração global e mudanças estruturais nos setores de energia, indústria e commodities.
MCall | 16 de dezembro de 2025 | Mercado sobe apesar do Chapter 11 da Azul e de sinais crescentes de estresse econômico

O mercado brasileiro voltou a subir nesta terça-feira, em um movimento que chama atenção não apenas pelo desempenho do Ibovespa, mas principalmente pelo contraste entre a alta dos índices e o aumento visível das tensões no ambiente corporativo e macroeconômico. O principal índice da Bolsa avançou 1,07%, acumulando alta de 2,14% no mês, impulsionado por ações de grande peso, como a Rede D’Or, que subiu 4,71%. Ainda assim, o dia foi marcado por notícias que reforçam a fragilidade de setores específicos da economia e os desafios que se desenham para 2026. O episódio mais emblemático foi o forte tombo das ações da Azul, que despencaram 21% após o mercado reagir aos desdobramentos do processo de Chapter 11. A reestruturação praticamente elimina o valor para os atuais acionistas, com a nova estrutura acionária ficando quase integralmente nas mãos dos detentores das dívidas mais seniores. O caso funciona como um lembrete duro, porém didático, sobre hierarquia de capital e risco real em empresas altamente alavancadas — especialmente em setores cíclicos como o aéreo. Mesmo com esse choque pontual, o mercado como um todo encontrou suporte em outros movimentos corporativos relevantes. Um deles foi a mudança no controle da Braskem. A gestora IG4 assumiu dívidas detidas por bancos, levando à saída da Novonor da posição de controladora da petroquímica. Trata-se de um movimento que encerra um longo ciclo de incertezas em torno da governança da companhia e pode abrir espaço para uma reprecificação futura do ativo, ainda que o processo de reestruturação esteja longe de concluído. Outro destaque foi a crescente presença chinesa em ativos estratégicos brasileiros. A CMOC fechou a compra de minas de ouro da canadense Equinox por US$ 1 bilhão, reforçando a estratégia da China de diversificação de reservas e de garantia de acesso a commodities em um cenário global cada vez mais fragmentado. O movimento ocorre em paralelo à intensificação das compras de ouro por bancos centrais e governos, num claro sinal de busca por proteção em meio a riscos geopolíticos e fiscais. No campo macroeconômico doméstico, os dados reforçam uma desaceleração gradual da atividade. O índice de atividade econômica do Banco Central recuou 0,25% em outubro frente a setembro, com quedas concentradas na indústria e nos serviços. Ao mesmo tempo, o governo estuda um novo programa de renegociação de dívidas para MEIs, micro e pequenas empresas, em um formato semelhante ao Desenrola. Embora a medida possa aliviar o caixa de empresas no curto prazo, ela também evidencia a dificuldade estrutural de sobrevivência de negócios em um ambiente de crédito caro e crescimento baixo. A pressão também se manifesta no setor de energia. Uma greve na Petrobras atingiu seis refinarias e 16 plataformas, adicionando ruído a um setor que já convive com desafios de governança, investimentos e interferência política. Em paralelo, a Anac publicou o edital do leilão do Galeão, com lance mínimo de R$ 932 milhões, em mais um esforço de reorganização do setor aeroportuário brasileiro. No agronegócio, os sinais de estresse ficaram ainda mais claros.
MCall | 15 de dezembro de 2025 – Mercado entre euforia global, pressão fiscal e riscos geopolíticos

A semana começa com um mercado mais otimista no Brasil, embalado por uma sexta-feira positiva na Bolsa, mas ainda cercado por incertezas relevantes no cenário fiscal doméstico e por movimentos estratégicos que podem redesenhar setores inteiros no cenário global. O Ibovespa encerrou a última sessão da semana passada em alta de 0,99%, acumulando ganho de 1,07% no mês, em um movimento que reflete mais alívio técnico do que uma mudança estrutural de percepção. Entre os destaques do pregão, Hapvida liderou os ganhos com valorização expressiva de 5,45%, enquanto Cosan figurou entre as maiores quedas, recuando 2,18%. O volume acima da média em papéis como Vibra, Cury e Vivara indica reposicionamento de carteiras típico de dezembro, quando gestores ajustam exposição e realizam lucros antes do encerramento do ano. No pano de fundo, no entanto, o noticiário sugere que 2026 já começa a ser precificado com mais intensidade. No Brasil, os holofotes se voltam novamente para os Correios. A estatal recorreu a um empréstimo com juros no limite do Tesouro Nacional para evitar um aperto de caixa mais severo, contando com a participação de grandes bancos — Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander — todos com aval do próprio Tesouro. O episódio reforça a percepção de fragilidade financeira das estatais e adiciona mais um ponto de pressão às contas públicas, justamente em um momento de debate intenso sobre arrecadação, gastos e sustentabilidade fiscal. Ainda no ambiente doméstico, a Reforma Tributária começa a produzir efeitos práticos. A padronização e o aumento do ITCMD em 14 estados e no Distrito Federal reacendem discussões sobre planejamento patrimonial, sucessão e eficiência tributária, especialmente para famílias de maior renda. Paralelamente, a revelação de que cerca de 40 mil emendas parlamentares estão sob o radar do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal elevou a tensão no Congresso, ampliando a instabilidade política no fim do ano legislativo. Do lado corporativo, a Âmbar Energia, controlada pela J&F, anunciou a compra de uma usina térmica da francesa EDF no Rio de Janeiro por até R$ 2 bilhões, reforçando o movimento de consolidação no setor de energia. Já a BRK Ambiental deu mais um passo rumo ao mercado de capitais ao pedir registro para IPO na B3, sinalizando que 2026 pode começar com uma janela mais ativa para ofertas, caso o cenário macro permita. No exterior, o grande destaque do dia é a SpaceX. A empresa de Elon Musk definiu um valuation de US$ 800 bilhões em transações recentes no mercado secundário, o dobro do valor praticado apenas cinco meses atrás. Caso o IPO se concretize nesses patamares, a listagem pode se tornar uma das maiores da história, reforçando o apetite global por empresas ligadas a tecnologia, defesa e espaço — mesmo em um ambiente de juros ainda elevados. Ao mesmo tempo, surgem novos riscos no radar. A China sinalizou que pretende ampliar o controle sobre o mercado global de minério, movimento que pode impactar diretamente grandes exportadoras como a Vale. Em paralelo, mais de um bilhão de barris de petróleo seguem parados no mar, enquanto países sancionados tentam encontrar compradores, distorcendo fluxos globais de energia e preços. O cenário político internacional também trouxe fatos relevantes. No Chile, a eleição de José Antonio Kast marca uma guinada à direita no país, com possíveis reflexos na política econômica e na relação com investidores. Já nos Estados Unidos, o governo Trump voltou aos holofotes ao retirar Alexandre de Moraes e sua esposa da lista de sancionados pela Lei Magnitsky e ao abrir oficialmente as inscrições para o chamado “Gold Card”, um visto de US$ 1 milhão voltado a indivíduos de alta renda. O início desta semana, portanto, combina sinais claros de otimismo seletivo nos mercados com alertas importantes no campo fiscal, político e geopolítico. A Bolsa sobe, mas o noticiário lembra que o ambiente segue complexo. Para o investidor, o recado é conhecido: não se trata de buscar euforia, mas de navegar um cenário em que oportunidades e riscos convivem lado a lado — e onde estratégia segue sendo mais importante do que previsão.
MCall | 12 de dezembro — IPVA zerado para carros antigos, fusões bilionárias, aval do Congresso e a disputa global por IA

A semana termina com o mercado financeiro praticamente estável, em um pregão que parecia mais interessado em observar o noticiário do que em reagir a ele. O Ibovespa subiu tímidos 0,07% — a mesma variação acumulada no mês, uma coincidência que sintetiza bem o clima atual: cautela, expectativa e movimentos laterais. No destaque corporativo do dia, Hapvida subiu 3,41%, enquanto Suzano caiu 4,26% após forte realização. O noticiário político e econômico, porém, trouxe bem mais intensidade do que o pregão. No Congresso, foi aprovada a isenção de IPVA para veículos com mais de 20 anos — uma medida que agrada colecionadores e donos de carros antigos, mas reacende o debate sobre renúncias fiscais e o impacto para os estados, responsáveis pela arrecadação do imposto. A medida surge num momento em que governadores tentam fechar as contas de 2025 em meio ao aperto fiscal e receitas pressionadas. No cenário empresarial doméstico, o Patria Investimentos movimentou o setor ao adquirir o portfólio de FIIs da RBR, um conjunto de R$ 8 bilhões em patrimônio líquido, ao múltiplo de 6% do AuM — uma transação que reforça o apetite por ativos imobiliários mesmo em um ambiente de juros ainda elevados. Já na infraestrutura, a Motiva (antiga CCR) venceu o leilão da Fernão Dias, assumindo a concessão de 569 km até 2040, numa disputa que evidencia o interesse renovado por rodovias com grande fluxo. O setor financeiro também esteve no centro das atenções. O FGC avalia conceder um empréstimo para facilitar a venda do Will, empresa do conglomerado Master que entrou em regime especial temporário, mas não em liquidação — um sinal de que há interessados e de que a intervenção pode ser apenas uma etapa da transição. No varejo pet, o Cade aprovou a fusão entre Petz e Cobasi, mas condicionou o acordo à venda de 26 lojas em São Paulo, cerca de 3,3% do faturamento combinado — um ajuste para preservar a concorrência no estado mais relevante para o setor. Outra pauta relevante é o avanço do projeto contra o “devedor contumaz” no setor de combustíveis, com potencial de elevar a arrecadação em até R$ 14 bilhões. É um tema antigo, mas cuja regulamentação nunca andou no ritmo esperado — e que agora ganha força diante da magnitude do problema: uma dívida acumulada superior a R$ 174 bilhões, valor maior que todo o orçamento nacional de segurança pública. Ainda no legislativo, a CCJ aprovou o projeto que cria o “aluguel consignado”, uma demanda histórica do setor imobiliário que pode alterar profundamente o acesso ao crédito habitacional e reduzir riscos para locadores e instituições financeiras. No agronegócio, a União Europeia fez recall de carne bovina exportada pela JBS, fato que reacende a pressão sanitária sobre a cadeia de proteínas brasileiras. As exportações de café recuaram 26,7% em novembro, enquanto o avanço da soja brasileira começa a gerar apreensão global: uma produção cada vez maior pode pressionar preços internacionais em 2026. No cenário internacional, o governo Trump lançou o “Gold Card”, um visto de US$ 1 milhão para estrangeiros que desejam viver nos EUA com benefícios ampliados. Para quem busca ainda mais liberdade — inclusive tributária — existe o “Platinum Card”, que permite permanecer 270 dias por ano no país sem sujeição a impostos sobre renda estrangeira, mediante um pagamento de US$ 5 milhões. É um movimento alinhado à estratégia de atrair capital global e reposicionar os Estados Unidos no fluxo migratório de alto poder aquisitivo. O foco das big techs continua sendo a Índia: a Amazon anunciou que investirá mais de US$ 35 bilhões no país até 2030, somando-se aos aportes recentes de Microsoft (US$ 17,5 bilhões) e Google (US$ 15 bilhões). O país consolida-se como o destino preferido das gigantes de tecnologia — uma mudança clara desde que o ambiente regulatório chinês se tornou mais imprevisível. A guerra da inteligência artificial também ganhou novos capítulos. A OpenAI lançou o modelo GPT-5.2, com capacidades aprimoradas, enquanto a Disney anunciou um investimento de US$ 1 bilhão na empresa, além do licenciamento de mais de 200 personagens para geração de vídeos com IA — um passo que pode redefinir o entretenimento global. Em contrapartida, a Oracle assustou investidores com gastos acelerados em infraestrutura de IA, reacendendo preocupações sobre uma possível bolha gerada pela corrida por poder computacional. O México, por sua vez, aprovou o aumento de tarifas sobre importações chinesas e de outros países asiáticos, reforçando uma tendência global de proteção industrial em nome da competitividade doméstica. Entre isenções, fusões, megainvestimentos e a disputa mundial por tecnologia, a sexta-feira fecha com um claro sinal: o ambiente econômico pode até andar devagar, mas as mudanças estruturais estão a todo vapor — e cada uma delas tem o potencial de moldar o mercado nos próximos anos.
Quarta-feira, 10 de dezembro — SpaceX mira o maior IPO da história, stablecoins disparam no Brasil e Gol prepara saída para o mercado americano

A quarta-feira chega com um mercado que tenta equilibrar expectativas enquanto lida com notícias de peso — algumas domésticas, outras globais — e com o humor ainda fragilizado após sucessivas sessões sem direção clara. O Ibovespa encerrou o pregão com leve queda de 0,13%, acumulando agora retração de 0,69% no mês. Em um dia de liquidez moderada, Pão de Açúcar liderou as altas com +3,91%, enquanto Magazine Luiza caiu 4,93%, refletindo a sensibilidade do varejo à combinação de juros altos, consumo hesitante e aumento da competição digital. No rastreador de movimentos atípicos, as ações de Lojas Renner, Hapvida e Suzano chamaram atenção com volumes bem acima do usual, sinalizando reposicionamento dos investidores diante de um noticiário mais carregado. Para Suzano, o dia terminou praticamente estável — reflexo da resiliência do setor, mesmo em meio à volatilidade global. No cenário político, o dia começou com mais alinhamentos rumo a 2026. Tarcísio de Freitas oficializou o apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, reforçando a consolidação do núcleo político que deve protagonizar a disputa presidencial. Paralelamente, o Cadastro Nacional de Imóveis deve ultrapassar a marca de 100 milhões de registros com a implementação da Reforma Tributária — um movimento que promete transformar o acesso a dados fundiários no país e aumentar a transparência sobre propriedades e ocupações. No Supremo Tribunal Federal, em meio às repercussões da crise envolvendo o ministro Dias Toffoli, o ministro Edson Fachin passou a defender a aprovação de um código de conduta para os magistrados da Corte — um debate que, embora recorrente, ganha força diante das pressões por maior institucionalidade. Enquanto isso, setores estratégicos da economia seguem atravessando ajustes. A indústria registrou queda de 2,7% no faturamento em outubro, marcando a terceira retração consecutiva e refletindo a desaceleração da demanda, os custos elevados e o ambiente de incerteza que atravessa a cadeia produtiva. No mesmo dia, a Shell sinalizou interesse em encontrar um parceiro para um projeto offshore no país, reforçando o apetite internacional pela matriz energética brasileira, mesmo com disputas regulatórias e políticas em curso. Outro dado que chama atenção é o das contas bancárias inativas: ainda há R$ 9,9 bilhões “esquecidos” por 48,7 milhões de brasileiros, segundo o Banco Central. Em tempos de orçamento apertado, é surpreendente ver o volume de recursos adormecidos. A Gol também movimentou o mercado ao apresentar seu prospecto para listagem nos Estados Unidos. Para muitos investidores brasileiros, a saída já era esperada — e talvez até bem-vinda — após anos de dificuldades financeiras e reestruturações. Essa migração reforça a tendência de empresas nacionais buscarem liquidez e previsibilidade fora do Brasil. Já o mercado de cripto ganhou protagonismo com o efeito pré-IOF: brasileiros movimentaram mais de R$ 10 bilhões em stablecoins antes da provável incidência do imposto. A corrida é uma resposta direta à perspectiva de que o governo amplie a taxação sobre ativos digitais em 2026. No agronegócio, o desfecho do acordo bilionário entre Minerva e Marfrig, firmado em 2023, ficará para 2026 — uma demora que prolonga a incerteza no setor de proteínas. O USDA também atualizou suas estimativas para as principais commodities, elevando as projeções de soja e trigo, mas reduzindo as de milho e algodão. Nas usinas do Nordeste, o cenário é preocupante: com a queda do preço do açúcar e o impacto das tarifas, algumas já reportam risco de prejuízo. No cenário global, a notícia mais explosiva vem de Elon Musk: a SpaceX planeja abrir capital com um IPO estimado em mais de US$ 30 bilhões, mirando um valuation de US$ 1,5 trilhão. Se confirmada, a operação será a maior listagem da história — e representará um marco para o setor de exploração espacial, satélites e conectividade global. Paralelamente, o Google entrou na mira da União Europeia, que abriu investigação antitruste sobre o uso de IA no YouTube — mais um capítulo na crescente tensão regulatória em torno das Big Techs. Entre volatilidade nos mercados, reorganizações empresariais e anúncios que podem redefinir setores inteiros, esta quarta-feira traz um retrato claro do momento: um país em transição e um mundo cada vez mais pautado por tecnologia, regulação e disputas estratégicas de longo prazo.
MCall | 9 de dezembro — Tarcísio fecha com Flávio Bolsonaro e e-commerces chineses dobram operações no Brasil

A terça-feira começa com o mercado tentando reencontrar estabilidade em meio ao turbilhão político e ao avanço acelerado do comércio digital estrangeiro sobre o consumidor brasileiro. Mesmo com o cenário ainda volátil, o Ibovespa fechou o último pregão em alta de 0,52%, reduzindo parcialmente as perdas acumuladas no mês, que agora recua 0,56%. O grande destaque do dia foi o salto de 10,20% das ações do IRB, puxado por um volume negociado quase cinco vezes maior do que a média — sinal de que investidores aproveitaram a volatilidade para reposicionar apostas. No campo das incorporadoras, Cyrela e Direcional também chamaram atenção com volumes acima do habitual, embaladas pelo otimismo com o setor imobiliário e pela perspectiva de continuidade das obras contratadas em 2025. Enquanto o mercado se ajusta, o noticiário político segue ocupado e intensifica a temperatura às vésperas de um ano eleitoral. A principal manchete vem de Tarcísio de Freitas, que reafirmou publicamente sua lealdade a Jair Bolsonaro e anunciou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. O movimento tenta nivelar expectativas dentro do grupo político, mas também escancara o clima de tensão: líderes do Centrão, por exemplo, esvaziaram a reunião do senador, que afirmou que “tem um preço” para desistir da disputa — frase que ressoou mal tanto no mercado quanto em Brasília. Paralelamente, avança no Congresso o projeto que endurece regras contra devedores contumazes — tema arrastado há oito anos e que, segundo o ministro Fernando Haddad, deve finalmente ir à votação. A preocupação é evitar que empresas usem brechas legais para protelar dívidas, gerando concorrência desleal e rombos fiscais relevantes. Outra notícia que mexe com o ambiente corporativo é o plano dos Correios de abrir um novo PDV que pode resultar na demissão de 15 mil funcionários. A estatal, que passa por uma das maiores reestruturações da sua história, tenta equilibrar contas em meio a queda na demanda tradicional, aumento de custos e pressões competitivas no segmento logístico. Para completar, a Aneel projeta uma alta de 7% na conta de luz em 2025 — outro elemento que pressiona famílias e empresas. No lado positivo (ou pelo menos dinâmico), os e-commerces chineses continuam sua escalada impressionante no país. Entre abril e setembro, o número de transações digitais cresceu 106%, muito acima da média de 24% registrada em outros mercados emergentes. O Brasil, claramente, virou o campo de batalha preferido das gigantes asiáticas, que disputam preço, logística e presença cultural para conquistar o consumidor local. No agro, mais mudanças importantes. Vibra e Copersucar encerraram a parceria na Evolua Etanol, enquanto a MBRF apresentou a nova liderança da Sadia no Oriente Médio, agora sob comando de Marquinhos Molina, de apenas 30 anos. Nos EUA, Donald Trump anunciou um pacote de US$ 12 bilhões para produtores prejudicados por tarifas internacionais — uma tentativa de conter o impacto do protecionismo crescente. Já a China deve aumentar ainda mais as compras de soja brasileira em 2025, devendo atingir um volume recorde. No cenário internacional, o humor não é dos melhores. A confiança do consumidor americano atingiu o nível mais baixo desde o início da série histórica em 1978 — uma queda de 32,5% em relação ao ano anterior. Esse dado é especialmente relevante, dado que consumo é o pilar central da economia dos EUA. A incerteza política, somada a juros ainda elevados, pressiona a percepção das famílias. Na guerra do entretenimento, a novela da compra da Warner Bros ganhou um novo capítulo. Depois que a Netflix anunciou a aquisição na última sexta-feira — prometendo manter tudo como está “por enquanto” —, a Paramount entrou com uma oferta hostil para levar não só o estúdio, mas também filmes e canais, algo que a Netflix havia descartado. O setor vive uma disputa bilionária que pode redesenhar completamente o mercado de streaming. E para fechar, o Google anunciou que lançará em 2026 seus novos óculos com inteligência artificial, entrando de vez na disputa com Apple e Meta pela próxima grande plataforma de hardware inteligente. Caso se confirme o potencial do dispositivo, podemos estar diante da próxima fronteira de consumo tech. Com política aquecida, empresas se reorganizando e tecnologia avançando em ritmo acelerado, esta terça se desenha como mais um capítulo de um dezembro que promete grandes movimentações — no Brasil, no mercado e no mundo.