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Vale reassume liderança global, inflação no radar e tensão geopolítica volta a subir

  • janeiro, 28



O mercado brasileiro teve um pregão forte nesta quarta-feira, com o Ibovespa avançando 1,79%, em um movimento mais amplo de apetite ao risco. O destaque positivo ficou com a Raízen, que disparou mais de 8%, enquanto a Eneva figurou entre as maiores quedas do dia. O humor do mercado foi sustentado por dados corporativos relevantes, fluxo comprador e sinais de reorganização em setores-chave da economia.

No front doméstico, o principal destaque veio da mineração. A Vale voltou a ocupar o posto de maior produtora de minério de ferro do mundo, com produção de 336 milhões de toneladas em 2025. O número consolida a recuperação operacional da companhia após anos de ajustes, desinvestimentos e foco em eficiência, além de reforçar sua relevância estratégica em um cenário global ainda altamente dependente de commodities minerais. Em paralelo, o Banco Pleno, ligado a um ex-sócio do Banco Master, colocou-se oficialmente à venda, mostrando que os efeitos colaterais do caso Master seguem se espalhando pelo sistema financeiro.

Os dados macroeconômicos trouxeram sinais mistos. A prévia da inflação acumula alta de 4,5% em 12 meses, mantendo o debate sobre o espaço — ou a falta dele — para cortes mais agressivos de juros à frente. Ao mesmo tempo, o Tesouro Direto bateu recorde histórico, alcançando R$ 89,3 bilhões investidos em 2025, o que indica uma busca crescente por previsibilidade e proteção por parte do investidor pessoa física, especialmente em um ambiente de incerteza fiscal e volatilidade global.

No ambiente regulatório, decisões aparentemente periféricas ajudam a redesenhar mercados. A Corregedoria de São Paulo proibiu o registro de tokens imobiliários em cartório, freando a institucionalização de ativos digitais ligados ao setor imobiliário. Já no trânsito, Detran de São Paulo e outros estados eliminaram o teste de baliza na prova prática da CNH, uma mudança simbólica, mas que mostra como regulações históricas vêm sendo revistas sob pressão de eficiência e custo.

O noticiário internacional segue carregado. Índia e União Europeia anunciaram o que chamaram de “a mãe de todos os acordos”, sinalizando um avanço significativo em integração comercial entre os dois blocos, com potencial impacto relevante sobre fluxos globais de comércio e investimentos. Em contraste, o tom geopolítico voltou a escalar: Donald Trump afirmou ter ordenado o envio de mais navios de guerra para perto do Irã, reacendendo preocupações com o Oriente Médio. Nos Estados Unidos, uma forte nevasca gerou prejuízos de cerca de US$ 200 milhões à American Airlines, lembrando que riscos climáticos também seguem no radar das grandes companhias.

No campo de negócios, a chinesa Anta Sports adquiriu a participação de 29% da Puma que estava com a família Pinault por US$ 1,8 bilhão, enquanto a Embraer fechou um acordo estratégico com o grupo indiano Adani para a montagem de jatos comerciais na Índia, ampliando sua presença em um dos mercados que mais crescem no mundo.

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