A semana começou com um tom mais construtivo nos mercados domésticos. O Ibovespa fechou a última sessão em alta de 1,86%, acumulando valorização expressiva no mês e refletindo um ambiente de maior apetite a risco, impulsionado sobretudo por ações ligadas a commodities e reprecificação de ativos que haviam ficado para trás. Braskem liderou os ganhos do dia, enquanto papéis de consumo discricionário sofreram ajustes após uma sequência recente de altas.
No sistema financeiro, o foco segue no desdobramento do caso Master. O Fundo Garantidor de Créditos já realizou repasses de R$ 26 bilhões aos credores, o que representa cerca de dois terços do total devido. O ritmo dos pagamentos ajuda a reduzir o risco sistêmico, mas mantém aceso o debate sobre a sustentabilidade do modelo do FGC e possíveis mudanças futuras em sua estrutura de financiamento.
Ainda no Brasil, dados sociais e estruturais chamaram atenção. Um levantamento mostrou que a maioria dos estudantes de medicina pertence a famílias com renda superior a R$ 9 mil e é composta majoritariamente por alunos brancos, reacendendo a discussão sobre o desenho do ensino superior público e seus critérios de acesso. No campo corporativo e regulatório, a Vale enfrentou um transbordamento em área de escavação em Ouro Preto, afetando operações da CSN Mineração, enquanto o Cade rejeitou o recurso da Petlove contra a fusão entre Petz e Cobasi, consolidando o novo desenho do setor pet no país.
No consumo, mesmo com algum alívio nos preços de alimentos, as vendas em supermercados decepcionaram em dezembro, indicando que o orçamento das famílias segue pressionado por juros elevados e perda de fôlego da renda real. Já no agro, apesar do ambiente externo mais hostil, as exportações de frutas bateram recorde em 2025, com destaque para a manga, enquanto o crédito ao setor seguiu ativo, com novas captações via Fiagro.
No cenário internacional, a geopolítica voltou a pesar sobre o humor dos mercados. A Colômbia anunciou tarifas de 30% contra o Equador e suspendeu o fornecimento de energia, em retaliação a medidas semelhantes adotadas pelo país vizinho dias antes. Ao mesmo tempo, Donald Trump elevou o tom ao ameaçar impor tarifas de até 100% ao Canadá caso o país avance em acordos estratégicos com a China, reforçando a lógica de blocos e disputas comerciais que tem marcado o início do ano. Na Ásia, a Índia sinalizou redução de tarifas sobre automóveis em negociações com a União Europeia, movimento que pode redesenhar fluxos comerciais no setor automotivo.
Além das manchetes, o Radar Financeiro acompanha os movimentos estruturais que estão moldando o mercado: mudanças regulatórias, decisões de política econômica, fluxo de capital e riscos geopolíticos que ainda não se refletem totalmente nos preços. É uma leitura contínua para quem precisa entender o contexto antes que ele vire consenso. Acesse o Radar e aprofunde a análise.