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Tarifas, realinhamentos globais e um mercado em modo de cautela

  • janeiro, 19

A semana começou com o mercado digerindo um novo capítulo da reorganização geopolítica global. Na sexta-feira anterior, o Ibovespa recuou 0,62%, reduzindo o ganho acumulado do mês para 2,28%. O movimento refletiu um ambiente externo mais tenso e a percepção de que o risco geopolítico voltou a pesar sobre decisões de investimento. Copasa teve a maior alta do dia, enquanto a Vamos Locação liderou as quedas, sinalizando novamente a sensibilidade de empresas mais alavancadas em momentos de maior incerteza.

No centro das atenções internacionais, Donald Trump anunciou tarifas de 10% contra países que enviaram tropas à Groenlândia, medida que atingiu diretamente membros da OTAN. A reação europeia veio rápido: a União Europeia começou a preparar um pacote de retaliação estimado em € 93 bilhões. O episódio reforça a leitura de que o comércio internacional voltou a ser utilizado como instrumento de pressão política, com efeitos diretos sobre inflação, cadeias produtivas e crescimento global. A consequência prática tende a ser sentida pelo consumidor, como já ocorre nos Estados Unidos, onde os preços de automóveis seguem em alta.

Curiosamente, enquanto Washington endurece sua postura, outros blocos caminham na direção oposta. O Canadá anunciou um acordo histórico com a China para reduzir tarifas, interpretado por analistas como mais um sinal de uma nova ordem comercial em formação. Esse realinhamento evidencia um mundo cada vez menos coordenado e mais fragmentado, no qual acordos regionais ganham força à medida que o multilateralismo perde tração.

No Brasil, o dia trouxe notícias relevantes no campo econômico e institucional. Após 25 anos de negociações, Mercosul e União Europeia finalmente assinaram um acordo comercial que elimina tarifas para 92% das exportações do bloco sul-americano. O acordo amplia o acesso a um dos maiores mercados do mundo e reforça o papel do Brasil como fornecedor global de alimentos e commodities, embora seus efeitos práticos devam ser graduais e dependam de regulamentações adicionais.

No sistema financeiro, o Fundo Garantidor de Créditos anunciou o início do processo de pagamento dos CDBs do Banco Master, marcando uma etapa importante na resolução do caso. A medida reduz incertezas para investidores e contribui para restaurar a confiança no mecanismo de proteção ao poupador, ainda que o episódio deixe lições sobre risco, governança e fiscalização.

Os dados da economia real foram mistos. A atividade econômica cresceu 0,7% em novembro, com o agronegócio puxando um avanço de 2,4% no acumulado do ano, reforçando seu papel estrutural no crescimento brasileiro. A Petrobras, por sua vez, superou metas e bateu recordes de produção em 2025, fortalecendo sua geração de caixa e relevância fiscal. Em contrapartida, o IBGE mostrou queda de 0,37% nos preços ao produtor, sinalizando arrefecimento de pressões inflacionárias na cadeia industrial.

No agronegócio, os sinais foram mais desafiadores. A moagem de cacau caiu 15% no Brasil diante da retração da demanda, enquanto a Mosaic apontou deterioração do mercado de fertilizantes. Nos Estados Unidos, a produção de laranjas na Flórida caminha para mais um recorde negativo, com impactos potenciais sobre preços e fluxos comerciais globais.

No cenário global de tecnologia e indústria, a TSMC registrou lucro recorde no quarto trimestre, impulsionada pelo boom de chips voltados à inteligência artificial, enquanto Elon Musk elevou a temperatura do debate ao pedir até US$ 134 bilhões da OpenAI e da Microsoft por supostos ganhos indevidos. Os episódios reforçam que a disputa por tecnologia, dados e poder computacional segue no centro da economia mundial.

O dia termina com uma fotografia clara: o mundo avança em direções opostas ao mesmo tempo. Enquanto alguns blocos reforçam barreiras e utilizam tarifas como arma política, outros aceleram acordos e integração. Para os mercados, esse ambiente significa mais volatilidade, maior seletividade e a necessidade constante de separar ruído político de impacto econômico real. Em um cenário assim, cautela e leitura estratégica seguem sendo ativos tão importantes quanto capital.

Para além das manchetes do dia, nosso Radar Financeiro acompanha os movimentos que realmente importam para o mercado: decisões de política econômica, fluxos de capital, riscos geopolíticos e tendências que ainda não chegaram aos preços. É uma curadoria contínua para quem precisa entender o cenário antes que ele vire consenso. Acompanhe o Radar e aprofunde a leitura aqui.

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