Contexto e fundamentos da ordem
Em 30 de julho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que eleva as tarifas de importação sobre produtos brasileiros de 10 % para 50 %.
A justificativa oficial citou uma “emergência nacional” motivada por políticas brasileiras consideradas “incomuns e extraordinárias”, incluindo supostas violações de liberdade de expressão nos EUA, além da judicialização do ex-presidente Jair Bolsonaro. A nova tarifa entra em vigor às 00h01 (horário de Brasília) do dia 6 de agosto de 2025, considerando diferenças entre fusos horários.
Impactos imediatos
A sobretaxa afeta mais de 3,8 mil produtos brasileiros, incluindo setores-chave como carne bovina, café e frutas. Entretanto, quase 700 itens estão isentos da nova tarifa e continuam com a alíquota original de 10 %. Setores como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, fertilizantes, energia e minérios não serão impactados pela alta de 50 %.
Segundo dados do governo brasileiro e fontes especializadas, os produtos atingidos representam cerca de 35 % do valor total das exportações brasileiras para os EUA.
Reação do Brasil e próximos passos
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva respondeu através da Organização Mundial do Comércio (OMC), formalizando uma reclamação contra a medida. Internamente, a Casa Civil e o Ministério da Economia trabalham em eventuais retaliações e negociações setoriais, com proposta de reduzir tarifas para setores como minerais críticos e terras raras.
O Ministro da Fazenda Fernando Haddad anunciou que Fará uma ligação com o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, na próxima semana, com possibilidade de reunião presencial dependendo dos resultados.
Projeções econômicas
Ainda que seja uma das tarifas mais severas já impostas, economistas vêm projetando impacto modesto no PIB brasileiro, de aproximadamente 0,15 ponto percentual em 2025, com previsão de manutenção do crescimento da economia em nível global, segundo estimativas da XP e Goldman Sachs.
A resiliência brasileira se apoia na diversificação comercial: atualmente, apenas 12 % das exportações vão aos EUA, enquanto a China já absorve cerca de 28 %. Como resposta imediata, a China aprovou 183 exportadores brasileiros de café, oferecendo uma rota alternativa ao mercado americano.
Cenário diplomático
O anúncio marca um agravamento das tensões entre Brasil e Estados Unidos, em função de sanções anteriores contra membros do Supremo Tribunal brasileiro e acusações cruzadas sobre interferência política. O Brasil busca soluções multilaterais e fortalecimento de parcerias com outras potências emergentes.
Resumo-prático
| Item | Detalhe |
|---|
| Data em vigor | 6 de agosto de 2025 |
| Alíquota vigente | 50 % (10 % original + 40 %) |
| Produtos afetados | Cerca de 35 % das exportações brasileiras para os EUA (carne, café, frutas, etc.) |
| Isenções | Suco de laranja, aeronaves, energia, fertilizantes e cerca de 700 itens |
| Reação brasileira | Ação na OMC, negociações e medidas de mitigação |
| Perspectiva econômica | Impacto limitado, com redirecionamento de exportações para outros mercados |
O Tarifaço de Trump tornou-se oficial na data prevista, e enquanto seus efeitos serão sentidos em setores estratégicos, os analistas acreditam que o Brasil poderá contornar o pior impacto por meio de alternativas comerciais e resiliência econômica.