Copasa atrai R$ 50 bilhões, disputa por dados biométricos esquenta e Irã volta a pressionar o petróleo

Os mercados encerraram a quarta-feira em tom mais cauteloso, acompanhando o aumento das tensões no Oriente Médio, novos debates sobre proteção de dados no Brasil e sinais mistos para a economia doméstica. O principal destaque internacional foi o anúncio de um novo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã após ataques realizados pelos Estados Unidos. A região é responsável por uma parcela significativa do transporte global de petróleo, e qualquer interrupção no fluxo aumenta os riscos para a oferta mundial de energia, pressionando preços e elevando preocupações inflacionárias. Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) avançou 0,5% em maio, resultado alinhado às expectativas do mercado. O dado reforça a percepção de que a inflação segue resistente, mantendo o Federal Reserve em posição cautelosa em relação aos próximos passos da política monetária. No Brasil, a privatização da Copasa mostrou forte apetite dos investidores. Segundo informações de mercado, a oferta recebeu mais de R$ 50 bilhões em demanda, valor significativamente superior ao montante ofertado. O resultado reforça o interesse por ativos de infraestrutura e saneamento, mesmo em um ambiente ainda marcado por juros elevados. Outra notícia que movimentou o ambiente corporativo foi a disputa entre Unico e Serasa. A empresa de identidade digital acusa a concorrente de utilização indevida de dados biométricos, em um caso que pode se tornar uma das maiores discussões já registradas no país sobre propriedade, armazenamento e uso de informações biométricas. No cenário político, uma pesquisa Genial/Quaest apontou vantagem do presidente Lula em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro. Paralelamente, avançou na Câmara uma proposta que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, tema que deve continuar gerando intenso debate nas próximas semanas. No agronegócio, aumentam as preocupações fiscais em torno das renegociações de dívidas rurais. O Senado aprovou medidas que, segundo estimativas do governo, podem gerar impacto de até R$ 140 bilhões nas contas públicas. Ao mesmo tempo, o Ministério da Agricultura sinaliza dificuldades para viabilizar os R$ 670 bilhões pleiteados para o próximo Plano Safra. Destaques para acompanhar hoje Fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã e possíveis impactos sobre petróleo e inflação global. CPI dos EUA sobe 0,5% em maio e mantém atenção sobre a trajetória dos juros americanos. Privatização da Copasa registra demanda superior a R$ 50 bilhões. Disputa entre Unico e Serasa sobre uso de dados biométricos ganha relevância jurídica e regulatória. Ambipar negocia acordo com credores internacionais para viabilizar seu plano de recuperação. Governo admite dificuldades para alcançar os R$ 670 bilhões reivindicados para o Plano Safra. Senado aprova medidas de renegociação de dívidas rurais com potencial impacto fiscal de R$ 140 bilhões. Exportações do agro para os EUA mostram desaceleração, apesar da resiliência do setor de carnes. A quinta-feira começa com os investidores divididos entre os riscos geopolíticos vindos do Oriente Médio, os reflexos inflacionários do petróleo e a capacidade da economia brasileira de sustentar crescimento em meio aos desafios fiscais e ao aperto financeiro de diversos setores.