Inflação reacende alerta, Copasa trava privatização e bancos apertam o crédito no agro

O mercado começa esta quinta-feira olhando com mais cautela para o cenário doméstico após uma sequência de sinais que reforçam o ambiente de juros elevados e pressão financeira sobre empresas e consumidores. O principal destaque ficou com o IPCA-15 de maio, que avançou 0,62% e registrou o pior resultado para o mês desde 2016. O dado aumenta a dificuldade para qualquer discussão sobre cortes relevantes na Selic no curto prazo e reforça a percepção de inflação mais persistente, especialmente em serviços e alimentos. Ao mesmo tempo, a privatização da Copasa entrou em zona de turbulência. A companhia anunciou mudanças de última hora na estrutura da oferta, levantando dúvidas sobre um possível adiamento do processo. Nos bastidores, circula a informação de que as propostas recebidas teriam vindo abaixo do piso esperado pelo governo de Minas Gerais. No sistema financeiro, o BNDES vendeu aproximadamente R$ 3 bilhões em ações da Petrobras e cerca de R$ 500 milhões da Axia para atender às regras prudenciais do Banco Central, que limitam a concentração excessiva em um único ativo. O mercado também voltou a monitorar riscos bancários após o Ministério da Fazenda alertar que uma eventual liquidação do BRB poderia gerar impacto de R$ 17 bilhões ao FGC. O tema reacende preocupações sobre exposição do sistema a instituições mais fragilizadas. No agronegócio, a deterioração do crédito segue ganhando força. Bancos passaram a exigir mais garantias nas operações após a disparada dos pedidos de recuperação judicial no setor, enquanto os spreads dos CRAs ligados a companhias como Minerva, BRF e Marfrig seguem pressionados. Lá fora, Javier Milei voltou aos holofotes após reduzir a intervenção no mercado cambial argentino, aproveitando o fortalecimento das reservas internacionais, que atingiram o maior nível desde 2019. Já a Nvidia anunciou planos agressivos de expansão em Taiwan, com investimentos que podem alcançar US$ 150 bilhões por ano. Entre os destaques desta manhã: O IPCA-15 subiu 0,62% em maio, registrando a maior alta para o mês desde 2016. A Copasa alterou regras da oferta de privatização, elevando o risco de adiamento do leilão. O BNDES vendeu R$ 3 bilhões em ações da Petrobras para se adequar às exigências regulatórias do BC. O Ministério da Fazenda afirmou que uma eventual liquidação do BRB poderia gerar impacto de R$ 17 bilhões no FGC. A Anvisa aprovou o primeiro genérico semelhante ao Ozempic no Brasil, desenvolvido pela EMS. Bancos endureceram exigências de garantias para o agronegócio após a onda de recuperações judiciais. Os spreads de CRAs ligados a empresas do setor de proteína animal seguem pressionados. A Nvidia anunciou intenção de investir até US$ 150 bilhões anuais em Taiwan. A Argentina registrou o maior nível de reservas internacionais desde 2019 após entrada forte de dólares via agro, petróleo e mineração.