Petrobras acelera aquisições, crédito podre assombra a China e novo Fed assume sob tensão global

O mercado amanhece tentando digerir mais um dia de intervenção estatal, consolidação empresarial e sinais preocupantes vindos da Ásia. Enquanto a Petrobras reforça sua estratégia expansionista e o governo estuda novas medidas para segurar combustíveis, os investidores globais voltam os olhos para a mudança no comando do Fed e para o crescimento silencioso da inadimplência chinesa. O que movimenta o mercado hoje A principal notícia internacional foi a aprovação de Kevin Warsh para presidir o Fed, substituindo Jerome Powell. A escolha sinaliza uma possível mudança de postura na política monetária americana justamente num momento em que a inflação ainda resiste e os EUA convivem com juros elevados há tempo demais. Warsh é visto como mais pragmático e mais próximo do mercado financeiro do que Powell. O efeito imediato disso é aumento da especulação sobre cortes de juros mais rápidos à frente — mas também maior tolerância a volatilidade financeira no curto prazo. Enquanto isso, na China, os créditos problemáticos já somam US$ 3 trilhões. O dado reforça o temor de que o sistema financeiro chinês esteja apenas “rolando” problemas estruturais sem resolvê-los de fato. Oficialmente, a inadimplência segue baixa. Extraoficialmente, pouca gente acredita nos números divulgados por Pequim. Brasil: Petrobras acelera expansão e governo tenta segurar combustíveis A Petrobras voltou ao centro das atenções após Magda Chambriard afirmar que a estatal “não gosta de vender, só de comprar”. A frase resume bem a nova filosofia da companhia: menos desinvestimentos; mais presença estatal; expansão vertical; retorno à lógica de integração industrial. Na prática, a Petrobras quer ampliar sua atuação em fertilizantes e atingir 35% do abastecimento nacional do setor — um movimento estratégico diante da dependência externa brasileira, especialmente em meio à guerra e às disrupções globais. Ao mesmo tempo, o governo Lula prepara uma medida provisória para tentar conter os preços da gasolina. O problema é que qualquer tentativa de amortecer preços artificialmente costuma gerar pressão financeira futura na estatal ou no caixa público. O mercado acompanha isso com preocupação crescente. M&A segue forte no Brasil Mesmo com juros elevados, o fluxo de aquisições continua intenso: A Americanas vendeu operações do Natural da Terra em São Paulo para o Oba por R$ 69 milhões; A Amaggi comprou 40% da FS, fortalecendo sua presença no etanol de milho; A CSN iniciou a segunda fase da venda da CSN Cimentos, numa operação que pode ultrapassar R$ 10 bilhões; O Cade abriu investigação sobre a venda da seguradora do Master para o PicPay. O pano de fundo é claro: empresas endividadas seguem vendendo ativos para gerar caixa enquanto grupos capitalizados aproveitam oportunidades de consolidação. Agro no radar A Índia proibiu imediatamente exportações de açúcar. Isso pressiona preços globais e pode beneficiar exportadores brasileiros no curto prazo. Além disso: o crédito rural com análise obrigatória de desmatamento foi adiado para 2027; a Petrobras amplia presença em fertilizantes; o setor segue convivendo com custos elevados e crédito mais seletivo. Exterior Além do Fed e da China, os mercados monitoram: queda persistente nas vendas de carros na China; desaceleração industrial global; e o impacto da guerra sobre cadeias energéticas e alimentos. A sensação predominante hoje é de um mercado ainda sustentado por liquidez e expectativa de cortes de juros, mas com rachaduras estruturais aparecendo em vários lugares ao mesmo tempo. Ibovespa O índice fechou ontem em queda de -1,80%. Maiores altas: Braskem (BRKM5) +2,86% Maiores quedas: Localiza (RENT3) -6,40% O movimento reflete um mercado mais defensivo, com pressão em empresas ligadas a consumo e crédito, enquanto setores expostos a commodities seguem relativamente resilientes.