Commodities pressionam margens e risco energético volta ao radar

O dia começa com o mercado ainda digerindo a continuidade do choque de commodities, especialmente no petróleo, que já acumula alta próxima de 70% em 2026, um dos movimentos mais fortes das últimas décadas. O efeito agora deixa de ser apenas inflacionário e passa a impactar diretamente margens e decisões operacionais das empresas. No Brasil, o destaque vai para o setor de proteínas. A disparada do preço do boi começa a comprimir as margens dos frigoríficos, invertendo a lógica anterior de ganho com ciclo favorável. É um movimento típico de fim de ciclo: custo sobe mais rápido que preço final. No agro, o cenário é mais equilibrado. A colheita de grãos caminha para um novo recorde de produtividade, o que pode aliviar preços adiante, mas no curto prazo o mercado segue financeiro e aquecido, com forte movimentação em contratos de café na B3, indicando busca por proteção e liquidez. No corporativo, segue o fluxo de capital estrangeiro em ativos brasileiros. A CSN Cimentos atrai interesse relevante, especialmente de grupos chineses, enquanto um fundo saudita amplia posição em operação ligada à BRF. Há apetite, mas focado em ativos específicos e, em geral, descontados. Do lado institucional, o ruído político continua elevado. A combinação de desconfiança em relação ao STF e movimentos no Congresso adiciona incerteza ao ambiente local, o que pode limitar compressão de prêmio de risco no curto prazo. No setor de energia, cresce a intervenção. A exigência de transparência de margens para distribuidoras como شرط para subsídios reforça a tendência de maior controle estatal em um momento de preços pressionados. Lá fora, o principal ponto de atenção está na Europa. A Agência Internacional de Energia alerta para risco de escassez de combustível de aviação até junho, o que indica que os efeitos da crise energética ainda estão longe de se dissipar. Em resumo, o mercado abre com três vetores claros: pressão de custos via commodities, margens sendo comprimidas em setores-chave e aumento de risco institucional doméstico. O pano de fundo segue sendo o mesmo, energia cara e geopolítica ditando o ritmo dos ativos.