Arrecadação recorde, Ibovespa em máxima histórica e tarifas dos EUA entram em vigor

O mercado brasileiro encerrou o pregão em alta de 1,40%, levando o Ibovespa novamente a patamares recordes próximos dos 191 mil pontos. O movimento foi sustentado por fluxo externo positivo, valorização de commodities e percepção de risco global moderadamente mais controlada, apesar das incertezas geopolíticas persistentes. Um dos principais destaques domésticos foi a arrecadação federal, que somou R$ 325,8 bilhões em janeiro, o maior valor da série histórica em termos nominais. O resultado reflete uma combinação de atividade econômica resiliente, inflação ainda elevada e aumento da base tributária, fatores que ajudam o governo no curto prazo, mas também levantam debates sobre carga tributária e sustentabilidade fiscal de longo prazo. No campo corporativo, a Petrobras ultrapassou a marca de US$ 100 bilhões em valor de mercado e voltou a ocupar a posição de empresa mais valiosa da América Latina. A valorização está diretamente ligada ao desempenho do petróleo no mercado internacional e à perspectiva de manutenção de forte geração de caixa, embora o setor continue altamente sensível a tensões no Oriente Médio e decisões de produção global. A situação do Banco de Brasília segue como foco de atenção. O governo do Distrito Federal solicitou autorização para contrair empréstimo bilionário destinado à capitalização da instituição, evidenciando a magnitude das perdas associadas à crise recente no sistema financeiro regional. Paralelamente, discute-se a possibilidade de novas medidas de suporte, incluindo participação de fundos garantidores e bancos públicos. Outro movimento relevante envolve a Raízen, cuja controladora Cosan e a Shell articulam um aporte estimado em R$ 5,5 bilhões por meio de fundos estruturados, numa tentativa de estabilizar a estrutura de capital após a deterioração do crédito. Empresas intensivas em dívida continuam particularmente vulneráveis ao ciclo prolongado de juros elevados. No setor energético, o governo abriu mão do direito de preferência na Eletronuclear, permitindo que a J&F avance na aquisição de participação relevante na companhia. A operação reforça a estratégia de diversificação do conglomerado dos irmãos Batista, que vem ampliando presença em setores estratégicos de infraestrutura e energia. No agronegócio, a imposição de cotas pela China para importação de carne bovina provocou uma corrida de compradores internacionais e elevou preços, evidenciando o peso decisivo do mercado chinês na formação de receitas do setor exportador brasileiro. No cenário internacional, entraram em vigor novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, com alíquota inicial de 10% aplicada de forma ampla. A medida, baseada em dispositivos legais que permitem ações emergenciais para enfrentar déficits externos, reforça o ambiente de protecionismo seletivo e pode redesenhar fluxos comerciais globais nos próximos meses. Ainda no exterior, a Meta firmou um contrato bilionário com a AMD para expansão de data centers voltados a inteligência artificial, incluindo participação acionária como parte da remuneração. O acordo ilustra a intensificação da corrida tecnológica entre gigantes digitais, com investimentos massivos concentrados em infraestrutura computacional. Em síntese, o dia foi marcado por uma combinação de força doméstica — com recordes de arrecadação e de mercado acionário — e movimentos estruturais globais que continuam a reconfigurar comércio internacional, tecnologia e energia. O pano de fundo permanece sendo um ambiente de elevada liquidez seletiva, no qual ativos de qualidade e setores estratégicos concentram capital enquanto empresas mais alavancadas enfrentam crescente escrutínio dos investidores.