Mercado perde fôlego após recorde, déficit comercial dos EUA escancara fragilidades e crédito bancário segue no foco

O último pregão de janeiro refletiu um ajuste técnico após uma sequência de recordes históricos no mercado acionário. O Ibovespa fechou em queda de 0,84%, apesar de ainda acumular forte alta no mês de janeiro, após bater máximas acima dos 186 mil pontos em momentos da sessão, sustentado por fluxo estrangeiro e expectativas de política monetária global mais estável. No front doméstico, os números de fluxo externo ficaram em destaque: a entrada de estrangeiros em ações na B3 atingiu R$ 21,7 bilhões ao longo de janeiro, um movimento que ajudou a sustentar o rali no principal índice brasileiro e que reforça o apetite por ativos de mercados emergentes diante de juros ainda altos no Brasil. O diferencial de juros real favorável segue atraindo capital externo, mesmo com volatilidade global. No campo político e institucional, o mercado repercutiu a confirmação de que Fernando Haddad deixará o Ministério da Fazenda em fevereiro, abrindo espaço para uma transição na equipe econômica em um momento crítico de debate fiscal e monetário. A expectativa de mudança de comando na Fazenda é observada com cautela pelos investidores, que já contam com uma agenda econômica apertada em 2026. O Sistema Financeiro também foi notícia: a Polícia Federal abriu inquérito autorizado pelo ministro Toffoli para apurar ataques de influenciadores contra o Banco Central, intensificando o foco regulatório após o caso Master e mostrando que autoridades estão aumentando a vigilância sobre comunicações que possam afetar a estabilidade financeira. Ainda no front bancário, o diretor do Banco Central indicou que as perdas do BRB no encalço do caso Master podem chegar a R$ 5 bilhões — um sinal de que a resolução de eventos de crédito pode continuar cobrando seu preço para instituições e garantidores. Do lado fiscal, o governo segue ajustando sua estratégia de captação no mercado internacional. O Tesouro Nacional sinalizou retorno ao mercado europeu, emissão em yuan e recompra de títulos da dívida externa, em uma tentativa de diversificar os pilares de financiamento público diante de pressões orçamentárias e do cenário global de juros ainda elevados. O Relatório do mercado de trabalho trouxe uma leitura preocupante: o Brasil criou 1,28 milhão de empregos em 2025, mas foi o pior ano desde 2020, em um contexto de desaceleração econômica mais ampla. Ainda assim, indicadores de preços refletiram alguma pressão por custo: o IGP-M subiu 0,41% em janeiro, revertendo a queda observada em dezembro e mantendo observadores atentos à inflação de mercado. No agronegócio, surgiram sinais curiosos de inovação: um case local mostrou galinhas se alimentando com farelo rastreado por blockchain — um passo simbólico para a digitalização de cadeias produtivas — ao lado de um cenário tradicional de preços pressionados, com safra recorde nos EUA que deve continuar pressionando preços de milho no curto prazo. No cenário internacional, diversas notícias econômicas marcaram o dia. Os Estados Unidos aprovaram a abertura de banco pelo Nubank em até 18 meses, um desdobramento importante para a expansão de bancos digitais brasileiros no exterior. Paralelamente, os preços de anúncios do Super Bowl chegaram a impressionantes US$ 10 milhões por espaço de 30 segundos, um indicador curioso do quanto a economia americana ainda está disposta a pagar por visibilidade em eventos de grande audiência. O déficit comercial dos EUA em novembro registrou a maior alta percentual em quase 34 anos, impulsionado por importações recordes enquanto exportações recuaram, mostrando que os desequilíbrios externos americanos continuam a desafiar expectativas sobre crescimento e balanço de comércio. Finalmente, na geopolítica, o presidente americano Donald Trump anunciou que os EUA vão reabrir o espaço aéreo da Venezuela, um movimento com potenciais reverberações na dinâmica de petróleo e segurança regional, reforçando a interrelação entre economia, política externa e energia.