Gasolina mais barata, déficit externo recorde e novas tarifas de Trump

O mercado brasileiro iniciou a semana em compasso de espera, com o Ibovespa praticamente estável, encerrando o pregão em leve queda de 0,08%. Apesar do tom neutro do índice, o pano de fundo econômico trouxe sinais importantes — e preocupantes — tanto no cenário doméstico quanto no internacional. Localiza liderou os ganhos do dia, enquanto Marfrig figurou entre as maiores quedas, refletindo movimentos pontuais mais do que uma tendência clara de mercado. No Brasil, o principal destaque veio da Petrobras, que anunciou uma redução de 5,2% no preço da gasolina para as distribuidoras. A decisão ajuda a aliviar pressões inflacionárias na margem, mas a grande dúvida segue sendo o repasse efetivo ao consumidor final. Em paralelo, os dados do setor externo acenderam um alerta relevante: o país fechou 2025 com déficit de US$ 68,8 bilhões nas contas externas, o maior desde 2014. A principal explicação está na forte redução do superávit comercial, resultado de exportações mais fracas e importações ainda resilientes — uma combinação que drena dólares do país e aumenta a sensibilidade do câmbio a choques externos. Ainda no ambiente corporativo, surgiram sinais de reestruturação e ajustes estratégicos. A CSN avalia a venda de até 100% de seu negócio de siderurgia, movimento que pode redesenhar o setor e reduzir alavancagem. O Nubank anunciou investimentos de R$ 2,5 bilhões em novos escritórios, marcando uma inflexão relevante com o fim do trabalho remoto integral. Já a Azul propôs um grupamento de ações de 75 para 1, numa tentativa de reorganizar sua estrutura de capital e melhorar a percepção do papel no mercado. No agronegócio, o governo anunciou um pacote de R$ 2,7 bilhões voltado à reforma agrária, enquanto o BNDES selecionou fundos para investir até R$ 4,3 bilhões em projetos ambientais, reforçando a agenda verde como eixo de financiamento público. O BTG também avançou no setor ao adquirir fazendas do empresário Washington Cinel, ampliando sua exposição a ativos reais ligados ao agro. O cenário internacional segue sendo uma fonte constante de volatilidade. Nos Estados Unidos, Donald Trump elevou tarifas sobre produtos da Coreia do Sul de 15% para 25%, atingindo setores sensíveis como automóveis, farmacêuticos e madeira. A medida foi interpretada como resposta à demora do Parlamento sul-coreano em aprovar um tratado firmado com Washington em 2025, reforçando a estratégia americana de pressão comercial direta sobre parceiros estratégicos. Esse movimento adiciona mais uma camada de incerteza ao comércio global e reforça a tendência de fragmentação das cadeias internacionais. Como pano de fundo macro, o aumento da aversão a risco global segue impulsionando ativos de proteção. O ouro superou a marca histórica de US$ 5.000 por onça, refletindo temores crescentes com o cenário geopolítico, déficits externos e políticas comerciais mais agressivas. Ao mesmo tempo, o mercado de criptoativos ainda sente os efeitos de um crash recente de US$ 150 bilhões, levando traders a migrarem para mercados preditivos e alternativas menos expostas à volatilidade extrema.