Entre protestos, tarifas e sinais domésticos, o mundo testa seus limites

A quarta-feira começou com um pano de fundo pesado no cenário internacional, misturando tensão geopolítica, discursos inflamados e sinais cada vez mais claros de que algumas crises caminham para pontos de não retorno. No centro das atenções está o Irã. Em uma mensagem pública, Donald Trump incentivou a população iraniana a seguir protestando e “tomar as instituições”, afirmando que a ajuda dos Estados Unidos está a caminho. A declaração veio logo após o anúncio de tarifas de 25% contra países que mantêm relações comerciais com Teerã, uma medida que pressiona diretamente economias como China e Brasil. O problema é que, no terreno, a situação se deteriora em velocidade alarmante. A repressão do regime iraniano se intensificou nos últimos dias, com relatos de milhares de mortos — números oficiais falam em pouco mais de 2 mil, mas fontes locais apontam para até 20 mil vítimas. Apagões de internet, perseguição a manifestantes e até execuções sumárias reforçam o clima de colapso institucional. Mesmo com as promessas de Trump, ainda não está claro como ou quando os EUA devem agir, mas o histórico recente na Venezuela sugere que a retórica pode rapidamente se transformar em ação concreta. Enquanto isso, o Brasil atravessa a semana lidando com seus próprios vetores de incerteza e acomodação. Pesquisas eleitorais mostram Lula liderando o primeiro turno de 2026, mas com cenários de segundo turno cada vez mais apertados, especialmente contra Tarcísio de Freitas. A política começa, pouco a pouco, a voltar ao radar do mercado — não como um evento imediato, mas como um fator estrutural para decisões de médio prazo. No campo econômico e institucional, o governo federal saiu em defesa do Banco Central no caso da liquidação do Banco Master. Fernando Haddad classificou o episódio como potencialmente a maior fraude bancária da história do país, reforçando o respaldo político à atuação do BC. O movimento ajuda a reduzir ruídos sobre a autonomia da autoridade monetária e sinaliza uma tentativa de estabilizar expectativas em um tema sensível para o sistema financeiro. Os dados da economia real, por sua vez, seguem mostrando um crescimento mais contido. A venda de veículos novos avançou 2% em 2025, alcançando o melhor resultado desde 2019, mas abaixo das projeções do setor. Já o setor de serviços registrou uma leve queda em novembro, frustrando expectativas de alta. Ainda assim, o nível de atividade permanece elevado, cerca de 20% acima do período pré-pandemia, mostrando que a economia desacelera, mas não desarma. No meio desse emaranhado de notícias globais e domésticas, acompanhar apenas manchetes pode distorcer a leitura do cenário. É justamente nesses momentos que entender onde o mercado está efetivamente reagindo — e onde apenas faz barulho — se torna essencial. Separar sinal de ruído nunca foi tão necessário. O dia termina com a sensação de que o mundo opera em modo de teste de estresse constante. Tensões políticas, transformações econômicas e decisões estratégicas se acumulam, exigindo do investidor mais leitura, mais contexto e menos impulso. Em um ambiente assim, cautela não é sinônimo de paralisia — é estratégia.