Um mundo em ebulição: protestos, disputas de poder e os novos vetores da economia global

O noticiário internacional desta quinta-feira, 8 de janeiro, desenha um mundo em estado de tensão permanente, onde política, economia e tecnologia se entrelaçam de forma cada vez mais explícita. Os acontecimentos do dia revelam não apenas fatos isolados, mas sinais claros de mudanças estruturais na forma como países exercem poder, empresas disputam mercados e sociedades reagem a decisões estatais.Nos Estados Unidos, o clima de instabilidade social voltou às ruas de Mineápolis após a morte de uma cidadã americana durante uma operação do ICE, a polícia de imigração. As autoridades alegam que os disparos ocorreram somente depois de a mulher tentar avançar com o carro contra os agentes, mas o episódio reacendeu protestos e ampliou o debate sobre o uso da força e as políticas migratórias do governo Trump. O caso se soma a uma série de episódios recentes que expõem a crescente polarização interna no país. No campo institucional, Donald Trump voltou a demonstrar sua estratégia de ruptura com a ordem internacional tradicional ao assinar uma proclamação retirando os Estados Unidos de mais de 60 organizações internacionais. Muitas delas ligadas à ONU, a pautas climáticas, trabalhistas e agendas consideradas “woke” pela atual administração. A Casa Branca sustenta que essas entidades atuam contra os interesses nacionais, reforçando a postura isolacionista e soberanista que marca este novo ciclo da política externa americana. Ainda na América Latina, o presidente americano buscou reduzir tensões recentes ao conversar por telefone com Gustavo Petro, presidente da Colômbia. Após trocas públicas de farpas, Trump afirmou que a conversa abordou temas como o combate às drogas e divergências diplomáticas, além de sinalizar a possibilidade de um encontro presencial em breve, possivelmente na Casa Branca. O gesto indica uma tentativa de recompor pontes em uma região estratégica para os interesses dos EUA. A tensão geopolítica também se intensificou nos mares do Caribe. Em uma operação realizada pelos Estados Unidos com apoio do Reino Unido, um navio ligado à Venezuela foi apreendido sob a alegação de violação de sanções internacionais. A embarcação operava sob bandeira russa, o que provocou reação imediata de Moscou, que classificou a ação como uma afronta ao direito marítimo internacional. O episódio adiciona mais um elemento de atrito às já delicadas relações entre EUA, Rússia e Venezuela. No Oriente Médio, o cenário é de agravamento da repressão. Em Teerã, o presidente da Suprema Corte do Irã fez um pronunciamento duro, afirmando que não haverá clemência para aqueles que “ajudarem o inimigo” contra a República Islâmica. O discurso ocorre após protestos violentos na capital iraniana, que culminaram no ataque a um seminário religioso e na morte de um comandante da polícia. As autoridades iranianas acusam diretamente Estados Unidos e Israel de estimular o caos interno. Enquanto isso, no extremo norte do planeta, uma declaração surpreendente reacendeu debates diplomáticos. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Trump deseja comprar a Groenlândia e solicitou a assessores um plano atualizado para viabilizar a aquisição. A proposta foi prontamente rechaçada por líderes europeus, que reforçaram que a ilha pertence ao seu povo e à Dinamarca, descartando qualquer tentativa de anexação ou negociação territorial. No setor corporativo, o dia também trouxe sinais relevantes. A Ford anunciou crescimento de 6% nas vendas nos Estados Unidos em 2025, totalizando 2,2 milhões de veículos comercializados — o melhor resultado anual da montadora desde 2019. O desempenho foi impulsionado principalmente por picapes e modelos híbridos, enquanto os veículos totalmente elétricos perderam fôlego ao longo do ano, refletindo uma mudança de comportamento do consumidor e uma reavaliação das estratégias de eletrificação. O conjunto das manchetes revela um mundo menos previsível e mais fragmentado, onde decisões políticas têm impacto direto nos mercados, nas cadeias produtivas e na estabilidade social. Em 2026, acompanhar o noticiário global deixou de ser apenas uma questão de informação e passou a ser um exercício essencial de leitura estratégica sobre os rumos da economia, da diplomacia e do poder.