BYD assume a liderança global dos elétricos enquanto Brasil e China elevam o tom nas disputas econômicas

O primeiro pregão do ano trouxe um retrato claro das forças que devem moldar 2026: rearranjos globais de poder econômico, pressão crescente sobre empresas e um Brasil que segue convivendo com ruído institucional. O Ibovespa encerrou 2025 com alta expressiva de 33,95%, desempenho que mascara diferenças profundas entre vencedores e perdedores. Enquanto a Cogna acumulou valorização superior a 238% no ano, a Raízen amargou uma queda de mais de 62%, ilustrando como o mercado foi seletivo e implacável.No cenário doméstico, a antiga Eletrobras voltou ao centro das atenções após a Justiça do Rio determinar que a Axia provisione R$ 750 milhões relacionados à PLR. O episódio expõe, mais uma vez, as idiossincrasias do ambiente regulatório brasileiro. Ao mesmo tempo em que a companhia anunciou a distribuição de cerca de R$ 30 bilhões em proventos aos acionistas, sindicatos recorreram à Justiça alegando direito a participação nos valores, adicionando mais um capítulo à já complexa relação entre Estado, empresas e trabalhadores. Paralelamente, o Tribunal de Contas da União deve autorizar uma inspeção no Banco Central para apurar a liquidação do Banco Master, reforçando o clima de vigilância institucional no início do ano.No agronegócio, a semana começou com um sinal claro de endurecimento por parte da China. O país confirmou a imposição de tarifas de 55% sobre a carne bovina importada, movimento que afeta diretamente exportadores globais e adiciona pressão sobre margens. Curiosamente, mesmo em meio a disputas comerciais, os Estados Unidos ampliaram suas importações de café em 2025, substituindo parte do volume que antes vinha do Brasil, o que evidencia mudanças relevantes nas rotas e estratégias do comércio internacional.No cenário global, o setor automotivo vive um momento histórico. A BYD ultrapassou a Tesla e assumiu a liderança mundial na venda de veículos elétricos. Enquanto a montadora americana registrou queda de 8,6% nas vendas no último ano, a chinesa avançou de forma consistente, comercializando 2,26 milhões de veículos em 2025, contra 1,64 milhão da Tesla. O dado reforça o avanço tecnológico e produtivo da China, além de sinalizar que a competição no setor elétrico tende a se intensificar nos próximos anos, com impactos diretos sobre cadeias globais de suprimento e políticas industriais.Na América Latina, a instabilidade política voltou ao radar. As Forças Armadas da Venezuela reconheceram Delcy Rodríguez, vice de Nicolás Maduro, como presidente interina, em meio a um histórico de colapso econômico que levou o PIB do país a encolher cerca de 90% ao longo dos governos Chávez e Maduro. O movimento gerou reações imediatas no exterior, com os Estados Unidos suspendendo restrições ao espaço aéreo do Caribe após episódios de tensão envolvendo o país.O início do ano deixa claro que 2026 começa com vetores bem definidos: uma China cada vez mais assertiva, empresas pressionadas por regulação e disputas judiciais, e um mercado financeiro que segue recompensando eficiência e punindo fragilidades. Para investidores, o recado é direto: mais do que olhar para índices, será fundamental entender as histórias por trás de cada ativo e os movimentos estruturais que estão redesenhando a economia global.