Tarifas pressionam mercados, governo brasileiro busca alternativas e tensões geopolíticas crescem

No Brasil, a combinação de tarifas internacionais e incertezas regulatórias começa a pesar sobre diferentes setores da economia. O setor madeireiro já sente os efeitos do tarifaço, com férias coletivas para 1,4 mil funcionários e mais de 100 demissões desde julho. No agronegócio, o impacto também é visível: as recuperações judiciais cresceram 60% no segundo trimestre, totalizando 388 empresas, mesmo antes do efeito pleno das barreiras comerciais. Além disso, o governo tenta negociar com o Congresso mudanças nas regras das LCAs para atrair apoio da bancada ruralista a uma nova taxação, enquanto investigações do Cade sobre cartel na soja podem resultar em multas bilionárias. No setor corporativo, as tensões aumentam após a decisão do ministro Flávio Dino sobre a aplicação da Lei Magnitsky, que deixou bancos e grandes instituições em alerta e deve ser discutida pelo STF em ação relatada pelo ministro Cristiano Zanin. Ao mesmo tempo, a Oncoclínicas avalia converter dívida em equity para reduzir alavancagem, enquanto grandes instituições financeiras como Itaú BBA, Kinea e XP suspenderam operações com a securitizadora Virgo. Entre os negócios globais, a Salesforce anunciou a compra da Regrello por US$ 2,14 bilhões para acelerar a integração de inteligência artificial em suas plataformas. No cenário internacional, os Estados Unidos ampliaram tarifas para mais de 400 produtos de aço e alumínio, elevando a arrecadação tarifária esperada em mais de US$ 300 bilhões, segundo o Tesouro, com impacto direto em setores industriais globais. As tensões geopolíticas também escalaram, com Donald Trump enviando três destroieres à Venezuela, enquanto Nicolás Maduro mobilizou 4,5 milhões de milicianos em resposta. Apesar do ambiente tenso, a S&P reafirmou a nota de crédito “AA+” dos EUA, citando justamente a força da receita tarifária. Fora do eixo EUA-Venezuela, a Índia decidiu suspender temporariamente tarifas sobre o algodão, num movimento para aliviar custos internos em meio à volatilidade global.