Mercados sob pressão: tarifas, recuos no transporte aéreo e ajustes no comércio global

No Brasil, o setor de serviços registrou em julho o pior desempenho em quatro anos, sinalizando enfraquecimento da atividade econômica. A Azul anunciou o encerramento de operações em 14 cidades, afetando principalmente regiões do Nordeste e do Sul, enquanto a Americanas retomou o processo de venda da rede Natural da Terra, com expectativa de receber propostas até o fim do mês. O ambiente competitivo do mercado financeiro também ganhou destaque com o aporte de R$ 100 milhões do Citi, UBS e Morgan Stanley na CSD BR, nova concorrente da B3. No campo político-econômico, o Ministério da Fazenda trabalha em um plano de contingência para amenizar os impactos do tarifaço norte-americano, após o cancelamento de uma reunião bilateral com os EUA por razões políticas. Nos Estados Unidos, Donald Trump prorrogou por mais 90 dias a trégua tarifária com a China, mesmo em meio a pressões para que o país asiático quadruplicasse as compras de soja norte-americana — fator que impulsionou em quase 3% a cotação do grão. Ao mesmo tempo, o presidente afirmou que não haverá tarifas sobre importações de ouro, contrariando rumores anteriores, e negou qualquer possibilidade de acordo para envio de chips avançados da Nvidia à China. Entre os movimentos corporativos, chamou atenção a compra dos direitos de transmissão do UFC pela Paramount por US$ 7,7 bilhões e a articulação para a oferta de ações da Fannie Mae e Freddie Mac, empresas do setor imobiliário sob tutela governamental desde a crise de 2008. Na China, as negociações comerciais seguem em compasso de espera, enquanto o país observa o fortalecimento da posição norte-americana nas commodities agrícolas e nos semicondutores. A pressão de Washington para aumentar as compras de soja, somada às restrições já existentes no setor de tecnologia, mantém o clima de tensão nas relações bilaterais. No cenário global de commodities, a interrupção das atividades em uma das maiores minas de lítio do mundo fez disparar os preços do metal, ampliando a volatilidade no mercado de insumos para baterias e veículos elétricos. Esse conjunto de fatores reforça que, apesar de algumas tréguas pontuais, a disputa por hegemonia econômica e tecnológica continua a redesenhar cadeias de produção e comércio em escala mundial.