MCall | 11/08/2025: Guerra comercial avança: tarifas, exportações e rearranjos na indústria marcam o cenário global

No Brasil, os impactos das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump já começam a reconfigurar setores inteiros. A Taurus, fabricante de armamentos, decidiu transferir parte de sua linha de montagem para os Estados Unidos para contornar barreiras comerciais. No agronegócio, gigantes como Bunge e Mosaic sentem o peso das novas taxações, enquanto a carne bovina brasileira alcança recorde de exportações, impulsionada pela valorização do produto nos mercados concorrentes. No setor industrial, a chilena Arauco anunciou investimento de US$ 1 bilhão para escoar a produção de celulose do Mato Grosso até o Porto de Santos, quase toda voltada à exportação, evidenciando a estratégia de manter presença global mesmo em ambiente de incerteza comercial. Nos Estados Unidos, o destaque foi o acordo que permitirá à Nvidia e à AMD retomar a venda de chips para a China, mediante pagamento de 15% das receitas ao governo norte-americano. A medida, que afeta inclusive o chip H20 — desenvolvido para driblar restrições anteriores —, reacende o debate entre segurança nacional e competitividade industrial. Paralelamente, Washington aplicou tarifas sobre barras de ouro, provocando reações no mercado financeiro. A política comercial mais dura de Trump continua a gerar ajustes em cadeias de fornecimento, forçando empresas de diversos setores a reconsiderar seus fluxos de produção e distribuição. Na China, Pequim limitou a promoção de stablecoins, em tentativa de reduzir a volatilidade e controlar o apetite dos investidores locais por ativos digitais. As restrições ocorrem enquanto o país lida com os efeitos indiretos das tarifas norte-americanas e busca acelerar sua capacidade tecnológica doméstica, em especial no setor de semicondutores. Em meio a esse ambiente, o comércio global de commodities também se adapta: o setor cafeeiro brasileiro estuda triangular exportações por meio da União Europeia para acessar o mercado americano, contornando a tarifa de 50% imposta aos grãos nacionais. O quadro reforça que, entre tarifas, negociações estratégicas e reposicionamentos industriais, a geopolítica comercial segue redesenhando o mapa da economia mundial.