Tarifaço de 50%: Semana decisiva para o Brasil negociar com os EUA

O Brasil enfrenta uma das maiores tensões comerciais de sua história recente. A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras gerou um impasse diplomático e econômico sem precedentes. Com o prazo para início da medida marcado para 1º de agosto, esta semana tornou-se crucial para evitar danos severos ao comércio bilateral. Um anúncio que surpreendeu o Brasil Em 9 de julho de 2025, Donald Trump enviou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva comunicando a tarifa. A medida pegou o governo e o setor produtivo de surpresa, especialmente porque os EUA mantêm um superávit comercial com o Brasil de US$ 7,4 bilhões. Entre os 22 países notificados, o Brasil recebeu a taxa mais alta — até superior à aplicada à China, de 30%. Motivações políticas e impactos econômicos Embora o governo norte-americano aponte desequilíbrios comerciais, analistas indicam que a decisão é predominantemente política, possivelmente ligada a questões internas e ao processo judicial contra Jair Bolsonaro. O efeito imediato recairia sobre setores-chave da economia brasileira, como agronegócio, siderurgia, indústria aeroespacial e de dispositivos médicos. A Confederação Nacional da Indústria alertou que a medida poderia inviabilizar contratos de longo prazo e comprometer cadeias de produção inteiras. Resposta do governo brasileiro O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o tarifaço como “político e insustentável”. Lula foi ainda mais incisivo: “Se nos cobrarem 50%, cobriremos 50%. Ao Brasil, se respeita.” O governo acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) e aprovou medidas recíprocas com base na nova Lei de Reciprocidade Comercial, prevendo tarifas equivalentes para produtos norte-americanos. Força-tarefa diplomática Com a tarifa prevista para entrar em vigor em poucos dias, o governo brasileiro, empresários e parlamentares intensificaram esforços em Washington. A estratégia é buscar adiamento da medida, mobilização do setor privado dos EUA e pressão junto à U.S. Chamber of Commerce. Até agora, porém, não houve avanço concreto. A Casa Branca afirma que a decisão final será de Trump, e fontes próximas ao governo americano sinalizam pouca margem para recuo. Cenário global e riscos A disputa eleva o risco de uma guerra comercial com impactos além das fronteiras brasileiras. Investidores internacionais já avaliam possíveis perdas em setores de exportação, enquanto especialistas alertam para pressão inflacionária, queda nos investimentos externos e reestruturação de cadeias produtivas globais. Diplomatas e analistas defendem que apenas soluções negociadas e multilaterais podem evitar uma escalada que afete não só Brasil e EUA, mas também o comércio internacional. Conclusão Com o prazo se aproximando, o Brasil vive uma semana decisiva para proteger suas exportações e evitar consequências econômicas profundas. O desfecho das negociações testará a habilidade diplomática do governo, a força do setor produtivo e a capacidade de articulação internacional diante de um dos maiores desafios comerciais já enfrentados pelo país.

MCall | 28/07/2025: Diesel dos EUA domina importações, Intercement troca de mãos e Milei corta impostos no agro

Credores da Intercement compraram crédito do Banco do Brasil e assumirão o controle da empresa. Em outro movimento relevante, o Carrefour vendeu sua operação na Itália por US$ 1,17 bilhão, reforçando sua estratégia de reestruturação global. A B3 estuda ampliar o horário de negociação de criptomoedas, com o objetivo de, futuramente, operar 24 horas por dia, alinhando-se à dinâmica dos mercados internacionais. Nas importações brasileiras de diesel, os Estados Unidos ultrapassaram a Rússia em julho, respondendo por 45% do volume, contra 35% dos russos. O país registrou um déficit de US$ 5,1 bilhões nas contas externas em junho. Com o risco de tarifas adicionais nos Estados Unidos, a Weg já planeja alterar suas rotas de exportação. No setor imobiliário, a proibição de aluguel por temporada em imóveis populares em São Paulo deve afetar a demanda por estúdios. Ainda nesta semana, o Rio de Janeiro inaugurará a maior usina termelétrica do Brasil, localizada em São João da Barra. No cenário agrícola, o presidente argentino Javier Milei anunciou a redução do imposto de exportação sobre soja e carne, buscando aliviar a carga tributária dos produtores. Empresas de café dos Estados Unidos também pressionam por isenção tarifária sobre o produto. No ambiente internacional, Estados Unidos e União Europeia fecharam um acordo para impor tarifas de 15% sobre produtos do bloco europeu. A União Europeia, em contrapartida, se comprometeu a comprar US$ 750 bilhões em energia, investir US$ 600 bilhões em território americano e adquirir grandes volumes de equipamentos militares. A Justiça dos Estados Unidos aprovou um crédito de US$ 1,6 bilhão para a Azul, que segue em recuperação judicial. Paralelamente, senadores americanos acusaram Donald Trump de abuso de poder contra o Brasil, enquanto o próprio ex-presidente declarou que, embora goste do dólar forte, acredita que a moeda fraca permite “ganhar muito mais”.