MCall | 23/07/2025: Exportações travadas, cortes na carne e tensão global sobre tarifas

No Brasil, as exportações correm contra o tempo — ou melhor, corriam: com o prazo logístico encerrado, as empresas não têm mais como enviar mercadorias aos EUA antes da entrada em vigor do tarifaço, encerrando a tentativa de driblar o novo imposto. O impacto já se reflete: a compra de carne brasileira pelos EUA despencou 80% em 3 meses. Enquanto isso, o governo comemora aumento de receitas e descongela R$ 20,6 bilhões para novos gastos, ainda que críticas internas cresçam quanto aos juros altos do consignado CLT. No front político, Brasília cogita novos nomes para a presidência da CVM e prepara a inauguração de um escritório de representação tributária em Pequim, para aprofundar os laços com a China. Nos Estados Unidos, a ala trumpista assume o protagonismo: Eduardo Bolsonaro revelou que o governo Trump já avaliava o tarifaço antes de anunciá-lo, o que levanta suspeitas e fortalece o pedido da AGU por investigação de insider trading. Em paralelo, grandes empresas começam a se reposicionar: a Coca-Cola vai lançar uma versão com açúcar de cana (supostamente sob pressão política), e o JP Morgan estuda aceitar criptoativos como garantia para empréstimos — um marco considerando que, há menos de um ano, seu CEO comparava o Bitcoin à bolha das tulipas. Ainda nos negócios, a Totvs comprou a Linx da Stone por R$ 3 bi, enquanto a Stone deve vender o Reclame Aqui. No cenário global, a União Europeia ameaça reagir ao tarifaço dos EUA com um pacote suspenso de €21 bilhões em tarifas, cujo prazo vence em 6 de agosto. A Argentina surpreendeu positivamente com um crescimento econômico de 5% em maio, completando sete meses consecutivos de alta, enquanto a tensão geopolítica voltou a subir com os EUA enviando armas nucleares ao Reino Unido pela primeira vez em 17 anos. Ainda no agro, o Brasil avisou que não aceitará reabrir o acordo com o Mercosul, e a produção interna de ureia promete atender 35% da demanda em dois anos. Para completar, a “guerra tarifária” se estende: as Filipinas pagarão 19% para acessar o mercado americano, enquanto os EUA seguem favorecendo seus próprios aliados.